《A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo》Capítulo 2

PUBLICIDADE

Mas Bernardo recusou categoricamente, alegando estar ocupado com o trabalho.

Agora ela percebia que não era falta de tempo, mas sim que não valia a pena gastar tempo com alguém que não merecia.

Alice começou a limpar tudo: as bolsas e brincos que Bernardo lhe dera, as raras fotos que tinham juntos... jogou tudo fora.

Observando o quarto que ela preenchera pouco a pouco ao longo dos anos ficar vazio, sentiu uma certa melancolia, mas, acima de tudo, um sentimento de libertação.

Quando ela estava jogando fora a última caixa, Bernardo apareceu de repente ao seu lado.

Ao ver o que estava no lixo, ele franziu a testa.

"Por que está jogando essas coisas fora?"

"Estão velhas, vou trocar por novas", respondeu Alice.

Bernardo não insistiu no assunto, afrouxou a gravata e soltou um suspiro de alívio.

"Vá trocar de roupa e coloque um vestido de gala. Acompanhe-me a um jantar de caridade hoje à noite."

"Não estou me sentindo muito bem, vá sozinho." Foi a primeira vez, desde que se casaram, que Alice o recusou.

Ele assentiu com indiferença e estendeu a mão para tocar a testa dela.

"Parece normal, sem febre. Tomou algum remédio?"

Antes que Alice pudesse responder, uma voz manhosa veio do lado de fora.

"Alice, já terminou a maquiagem? Que vestido você vai usar hoje?"

Era a voz de Bia.

Bernardo recolheu a mão imediatamente e olhou para a porta.

Alice baixou o olhar, com a cabeça latejando; o calor da palma da mão de Bernardo parecia ainda estar em sua testa.

Quando ela levantou a cabeça, o olhar de Bernardo havia se tornado intenso.

Seguindo a direção daquele olhar, viu Bia usando um vestido rosa plissado sem alças, com o cabelo preso, revelando os ombros alvos, olhos brilhantes e lábios pintados com um brilho cor de damasco.

Bernardo disse com severidade: "O que é isso? Que modos são esses se vestindo assim? Vá trocar de roupa!"

Bia fez um biquinho e correu para perto dele.

"Irmão, por que você é tão careta? Todo mundo se veste assim agora, é o estilo 'Lolita moderna', não estou bonita?"

Ela balançava o braço dele de forma provocante, com um ar de inocência fingida.

"Que estilo o quê?", Bernardo a repreendeu. "Se vestindo assim, com certeza vai atrair um bando de playboys!"

"Ah, irmão, do que você tem medo? Em toda a elite de São Paulo, quem não sabe que eu sou protegida por você? Com você por perto, quem ousaria chegar perto de mim?", Bia continuou mimada.

"Prometo que vou ficar quietinha do seu lado a noite toda, tá? Alice, me ajuda a convencer ele."

Alice não disse nada; bastou o fingimento de Bia para deixar Bernardo completamente dominado.

Ele apontou o dedo para Bia: "Você, abusando da paciência da sua cunhada. Só desta vez. E fique ao meu lado a noite toda, não saia de perto."

PUBLICIDADE

"Sim, senhor!", Bia piscou de forma atrevida.

Alice também tinha um vestido idêntico, um presente de Bia para usarem como "irmãs".

No aniversário de casamento, há poucos dias, ela o vestira cheia de expectativa, mas Bernardo nem sequer olhou para ela.

Que ironia, ele também sabia sentir ciúmes, mas o objeto não era ela.

De repente, Bia voltou a atenção para Alice: "Alice, por que você ainda não trocou de roupa?"

"Não estou bem, não vou mais", Alice tentou se esquivar.

"Ah? Se você não for, eu serei a única mulher do grupo? Alice, me acompanhe, além do mais, esta é a primeira vez que você e meu irmão aparecem juntos em um evento de gala desde o casamento. É uma ótima chance de ser apresentada às grandes famílias. Não é, irmão?"

Bernardo assentiu e lançou um olhar para Alice: "Basta você ir e ficar sentada um pouco."

Ao ver a mudança de atitude dele em um segundo, o coração de Alice doeu como se fosse espetado por agulhas.

Sempre que Bia pedia algo, não importava o quê, ele sempre aceitava incondicionalmente.

Alice suspirou e, silenciosamente, voltou para o quarto para trocar de roupa.

Capítulo 3

O Maybach mal parou na porta do hotel e o gerente já veio recebê-los.

Eles foram acomodados nos lugares mais nobres. Alberto Ferraz e Helena Ferraz, junto com um grupo de parentes, já estavam sentados.

Antes mesmo do jantar começar, pessoas não paravam de vir oferecer brindes, e vários jovens herdeiros acompanhavam os pais para cumprimentá-los, aproveitando para marcar presença.

Alguém tentou convidar Bia para dançar, mas antes que ela pudesse abrir a boca, Bernardo recusou prontamente.

A tia de Bernardo franziu a testa e o aconselhou seriamente:

"Bernardo, quantos anos sua irmã tem? Está na hora de deixá-la socializar. Por coincidência, há tantos jovens talentosos e de boas famílias aqui hoje; aproveite a chance para escolher alguém e firmar um compromisso. Se demorar mais, ela vai acabar ficando para titia!"

A expressão de Bernardo mudou, mas ele tentou manter a calma:

"Bia ainda é jovem, pode esperar mais alguns anos. Eu mesmo escolherei o marido dela quando for a hora."

Os parentes começaram a tentar convencê-lo, vendo sua teimosia.

"Bernardo, sabemos que você sempre mimou essa irmã, mas é natural que as pessoas se casem. Não faz sentido um irmão segurar a irmã desse jeito!"

"É verdade! Bia tem vinte e seis anos, a mesma idade de Alice, já não é tão criança! Ela vê as amigas saindo acompanhadas e você com sua esposa, claro que ela também quer casar logo e formar sua própria família!"

Vendo que a situação estava ficando tensa, Bia parecia prestes a perder o controle.

De repente, Bernardo se levantou, com uma raiva evidente na voz.

"Eu já disse: o casamento da Bia é decisão minha. Não se metam!"

O fato de o sempre controlado Bernardo perder a compostura diante de tantos parentes e anciãos fez com que todos franzissem a testa.

PUBLICIDADE

Nesse momento, a música no salão mudou, e Alberto trocou um olhar discreto com Helena.

Helena entendeu imediatamente e empurrou Bernardo e Alice para a pista de dança.

"Bernardo e Alice, vocês dois, vão dançar um pouco. Com o trabalho corrido, vocês quase não têm tempo a dois. Aproveitem hoje para dar o exemplo aos mais jovens."

Ambos estavam prestes a recusar quando, de repente, as luzes se voltaram para eles.

As pessoas na pista de dança abriram caminho ao ver a cena.

Bernardo se curvou em um convite formal, e Alice, sem expressão, colocou a mão sobre a dele.

"Uau, que casal perfeito! O CEO e a beldade intelectual, esse é o ápice do amor na elite de São Paulo!"

"Que felicidade."

"É literalmente um romance saindo das páginas de um livro!"

Em meio à inveja alheia, os dois fingiam perfeitamente o papel do casal lendário que todos imaginavam.

Sob a luz fraca, Bernardo olhou para Alice.

Hoje Alice estava deslumbrante, com uma beleza diferente da de Bia.

Serena, contida, exalando uma aura de mulher madura.

O olhar dele escureceu, lembrando-se da entrega dela na cama, comovente e sedutora, que o fizera perder o controle quatro vezes naquela noite.

Bernardo, instintivamente, encostou os lábios na têmpora de Alice.

De repente, Bernardo parou bruscamente, fazendo Alice pisar em seu pé sem querer.

No segundo seguinte, ele soltou a mão dela e saiu furioso pelo meio da multidão.

Em um canto da pista, Bia estava sendo segurada por um rapaz.

Bia tentava se esquivar, mas o rapaz, com más intenções, se inclinava sobre ela, com as mãos bobas subindo e descendo.

Furioso, Bernardo puxou o rapaz e, sem dizer uma palavra, desferiu um soco.

O rapaz caiu no chão com o impacto.

"Foi com essa mão que você tocou nela, não foi?"

Bernardo pegou um garfo de uma mesa próxima e avançou para cravá-lo na palma da mão do rapaz.

Gritos agudos ecoaram por todo o salão.

Alice, vendo a situação, correu segurando o vestido para tentar conter Bernardo.

Nesse momento, o rapaz assustado virou uma mesa para tentar bloquear o avanço de Bernardo.

Pratos e tigelas com comida quente voaram sobre as pessoas. Bernardo, por instinto, protegeu Bia em seus braços.

Alice, porém, não teve tempo de reagir e foi atingida em cheio. O caldo fervente derramou sobre seu braço, fazendo surgir instantaneamente uma camada de bolhas na pele delicada.

Ela soltou um gemido de dor e caiu no chão, onde cacos de vidro se enterraram em sua palma.

Uma dor lancinante perfurou seus nervos frágeis.

Capítulo 4

Quando acordou novamente, Alice percebeu que já estava no hospital.

Assim que abriu os olhos, viu Bia sentada ao lado da cama, cochilando.

Bernardo estava de pé atrás de Bia, observando-a com um olhar profundo e cheio de ternura.

Ele tirou o paletó e o colocou sobre os ombros de Bia. Quando estava prestes a estender a mão para acariciá-la, notou Alice acordada.

Seus dedos pararam no ar e, após um momento, ele os recolheu.

Sem dar explicações, ele se virou e saiu para chamar o médico.

Nesse momento, Bia também acordou. Com a voz sonolenta, perguntou: "Alice, você acordou? Está bem?"

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia