Capítulo 59: Ele a Beijou
Alice estava ficando sem palavras com aquele homem.
Como ela pôde pensar que ele não era do tipo que insistia?
Porque ela o seguira secretamente e ouvira sua resposta quando Camila pediu para terminar. Naquela época, ele foi de uma indiferença quase cruel, sem um pingo de saudade.
Mesmo sendo Camila a traidora, ela é que acabou chorando de raiva com a frieza dele.
Se ele pôde ser assim com alguém que cresceu com ele e namorou por anos, o que Alice representava para ele?
— Tudo o que tinha que ser dito, já foi. Vou descer agora.
Alice virou-se para sair, mas no segundo seguinte, seu pulso foi agarrado com firmeza.
Seu corpo esguio foi puxado de volta com força, colidindo contra o peito largo e sólido do homem.
O nariz de Alice doeu com o impacto, e uma camada de lágrimas brotou em seus belos olhos, tornando-os ainda mais hipnotizantes.
Ela fechou o punho e deu alguns socos no ombro dele.
— Me solta!
A mão grande de Ricardo segurou a cintura de Alice, puxando-a para mais perto, até que seus corpos estivessem totalmente colados.
Ele baixou o rosto e perguntou com a voz rouca:
— Realmente não sente mais nada por mim?
Alice sentiu um calafrio.
Aquela não era uma pergunta que parecesse vir dele.
O rosto austero estava muito próximo, e o hálito quente atingia sua pele ao falar.
Perigoso e sedutor.
Alice gritava mentalmente.
Ele está tentando me seduzir.
Não posso ceder!
Ela virou o rosto para o lado. — Não sinto.
Mal as palavras saíram, ele inclinou-se e a beijou.
Alice apertou os dedos contra o ombro dele, tentando empurrá-lo, mas o corpo alto dele era como uma montanha; ela não conseguia movê-lo um milímetro.
Ele mordeu levemente os lábios dela antes de forçar a passagem e invadi-la.
No momento do beijo profundo, a mente de Alice zumbiu.
Uma descarga elétrica percorreu sua espinha até o topo da cabeça.
Cada respiração trazia o aroma masculino envolvente dele.
Ela simplesmente não conseguia detestá-lo. Ou, sendo mais direta: ela tinha uma atração física incontrolável por ele.
O beijo dele era intenso e dominante. Alice sentiu as pernas fraquejarem e sua força parecia ser drenada por uma seringa gigante.
Os punhos que antes o empurravam passaram a agarrar o tecido da camisa dele.
Ao fim do beijo, os lábios dela estavam vermelhos como sangue.
Ela se apoiou nele, sem forças, tentando recuperar o fôlego.
Ricardo olhou para o rosto dela, corado e deslumbrante.
— Realmente não sente nada?
Sem dar tempo para ela responder, ele pegou a mão dela e a pressionou contra o próprio peito musculoso.
— Além de mim, quem mais consegue te fazer sentir assim?
Alice baixou a cabeça, não querendo que ele visse seu rosto extremamente vermelho.
— O que você conversou com o Sérgio na beira do lago? — perguntou ele, recuperando o tom sério.
A consciência de Alice voltou aos poucos. Ela olhou para o homem enigmático com irritação:
— Não é da sua conta.
Ele não se abalou.
— Ele está tentando te conquistar?
— Não! Não invente bobagens!
O veterano Sérgio era o galã da faculdade; havia filas de garotas interessadas nele. Por que ele iria querer alguém divorciada como ela?
— Alice, qualquer um com olhos consegue ver.
— ...
— O Sérgio sempre foi gentil com todos na faculdade. Não estrague a reputação dele com as suas suposições.
A mandíbula de Ricardo tensionou-se.
Ela nunca defendera o ex-marido daquele jeito, mas protegia esse Sérgio com unhas e dentes.
Ele a encarou por alguns segundos e disparou:
— Quer ir para o quarto?
Alice quase engasgou. Ela o encarou incrédula.
— Você... o quê?
Ele segurou o queixo dela, o polegar pressionando os lábios inchados.
— Você não queria fazer isso comigo o tempo todo?
Alice admitia: após a primeira noite, ela sentira muita vontade de repetir a dose. Mas a situação agora era constrangedora demais.
— Não quero! — rebateu ela irritada. — Capitão Ricardo, comporte-se.
Ricardo deu um sorriso irônico, como se achasse graça da contradição dela.
— Quando você me seduzia, não pedia para eu me comportar.
Alice sentiu um aperto no peito de tanta frustração. Ele realmente não entendia nada sobre o coração de uma mulher.
— Sim, eu fui inconveniente antes. Eu errei e peço desculpas, satisfeito?
Ela o empurrou e, sem dizer mais nada, saiu correndo dali.
Ricardo ficou olhando-a partir, franzindo as sobrancelhas.
Coração de mulher é um mistério.
Temperamental e imprevisível, mais difícil de decifrar que um crime hediondo.
...
Alice voltou para o quarto e tomou um banho.
De pijama na frente do espelho, ela observou os lábios inchados. O formigamento ainda estava lá.
Justo quando ela decidira fechar o coração e parar com as distrações, o "Cachorro Ricardo" aparecia para bagunçar tudo.
— Alice, por que não foi jantar? Vai participar das atividades da noite? — perguntou Vic, entrando no quarto.
Alice balançou a cabeça. — Não, estou cansada. Vou dormir cedo.
Vic deitou-se na beira da cama de Alice com um olhar de fofoca.
— O Dr. Sérgio te chamou para ir ao lago para se declarar?
Alice sentou-se na cama e encarou a assistente.
— Você também acha que ele gosta de mim?
— "Também"? — Vic pescou a palavra no ar. — Quem mais disse isso?
Naturalmente, aquele canalha do Ricardo.
— Outro colega.
— Eu sinto que ele gosta, sim — continuou Vic. — Ele não deu nenhuma pista?
— Não, só falamos de trabalho.
Se Sérgio gostava dela e não dizia nada, ela também não poderia simplesmente dizer "não goste de mim, não vai dar em nada", certo?
— E você? O que sente pelo Dr. Sérgio?
— Não quero me envolver com ninguém da mesma área. Além disso, ele merece alguém melhor.
Vic segurou o rosto de Alice com as mãos.
— Alice, não se diminua. Você é a melhor de todas.
Alice sorriu, emocionada. — Você também é.
As duas riram. Vic tomou banho e saiu novamente.
Alice ficou na cama olhando o celular. De repente, o WhatsApp apitou duas vezes.
Eram mensagens de Sérgio e Ricardo ao mesmo tempo.
Sérgio:
「Caloura, quer sair para um lanche tardio?」
Ricardo:
「Dizem que haverá chuva de meteoros hoje.」
Alice: — ...
Meu Deus, será que entrei em uma maré de sorte amorosa logo após o divórcio?