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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 58

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Capítulo 58: Encontro no Terraço, Disputa e Conflito

Alice olhou para o cartão magnético em sua mão, certificando-se de que não estava no andar errado.

Ela encarou Ricardo com dúvida:

— Capitão, o senhor errou de quarto?

Ricardo a observava em silêncio. Aquele olhar sombrio e profundo a deixou desconfortável. Alice apertou o cartão entre os dedos. A intensidade do olhar dele a deixava inquieta, mas ela tentava não demonstrar.

Respirou fundo e disse:

— Com licença, eu quero entrar.

— Alice, precisamos conversar — disse ele finalmente, com a voz grave e rouca.

Ao ouvi-lo pronunciar seu nome completo, o coração de Alice falhou uma batida.

— Assunto de trabalho? — perguntou ela.

— Assunto pessoal — respondeu ele, com o olhar ainda mais escuro.

Alice: — ...

— Eu estou em um quarto individual. Quer ir até lá? — sugeriu Ricardo.

Alice ficou sem palavras por um momento. Jamais iria ao quarto dele.

Vendo que ela não se movia nem respondia, ele comprimiu os lábios:

— Se não tem medo de ser vista, podemos conversar aqui no corredor mesmo.

— Se eu não aceitar, você vai ficar plantado aqui a noite toda? — perguntou Alice.

Ricardo assentiu: — Vou.

— Vamos para o terraço, então. Vá na frente, eu só vou guardar minhas coisas e já subo.

Ricardo lançou um olhar para a caixa de doces que ela carregava. Seu pomo de Adão moveu-se, como se quisesse dizer algo, mas ele se conteve. Deu as costas e caminhou em direção ao elevador.

Alice entrou no quarto, deixou o presente de Sérgio sobre a mesa e subiu para o terraço. O local estava deserto, exceto por Ricardo, que estava em um canto mexendo em um isqueiro.

Ele estava de cabeça baixa, com uma mão no bolso exibindo o relógio de pulso. Seu semblante parecia perdido em pensamentos profundos.

Alice endireitou a postura e caminhou até ele. O som rítmico de seus saltos estalando no chão anunciou sua chegada. Ricardo virou-se. O vento da noite soprava, desalinhando algumas mechas de cabelo de Alice, que ela afastou com a mão. Os olhares se cruzaram.

Ela não queria parecer vulnerável, então manteve uma expressão de indiferença.

A poucos passos de distância, ela quebrou o silêncio:

— O que o Capitão tem de tão importante para me dizer?

Ricardo guardou o isqueiro no bolso e começou a falar com voz baixa:

— No dia em que a Camila foi confrontar a Sara na delegacia, eu estava de plantão com o agente Jorge. Ele teve que sair a pedido do Delegado Regional. O surto da Camila e a hemorragia foram súbitos. Se eu fosse chamar o pessoal da carceragem, levaria minutos preciosos, e ela estava prestes a desmaiar.

— Eu não podia deixá-la cair e se machucar mais. Tive que levá-la ao hospital imediatamente. Liguei para o comando no caminho e segui todos os protocolos.

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— Sou capitão da investigação e sigo as regras, mas acima das regras, sigo minha consciência. Eu a ajudei por humanidade, nada tem a ver com quem ela é ou o que fomos.

— Se a minha atitude te causou algum desconforto, eu sinto que deveria ter me explicado melhor e conversado com você antes.

Alice ficou surpresa. Não esperava uma explicação tão detalhada sobre o incidente no hospital.

Ela comprimiu os lábios e respondeu:

— Somos ambos profissionais da lei. Não vi nada de errado em você socorrer alguém. O fato de eu querer traçar um limite e manter distância é uma questão pessoal minha.

Ela tinha medo de que a convivência a fizesse perder o controle sobre seus sentimentos. O charme dele era mais perigoso do que ela previra. Se apaixonar por ele não estava nos seus planos.

Ricardo a observava com o cenho franzido, com um brilho de amargura no olhar. Na investigação, ele era impecável, mas em relacionamentos, ele era uma página em branco. Passara os últimos dias tentando entender por que ela mudara da água para o vinho.

Seria apenas ciúme por causa da Camila? Ele não entendia.

Ultimamente, ela o evitava na delegacia como se ele fosse uma praga. Hoje, no evento, ele a procurou com o olhar várias vezes, mas ela nem sequer o encarou de frente.

Ele estava irritado. Irritado porque ela o seduzira, dormira com ele e agora simplesmente o descartava.

Ele tentara manter o orgulho e ignorá-la de volta, mas ao vê-la tocando piano com Sérgio, sentiu uma inquietação insuportável no peito.

Ricardo era orgulhoso, e Alice também. Somente ele sabia o esforço que fizera para tomar a iniciativa de procurá-la e dar aquela explicação.

— Ricardo, você se apaixonou por mim? — perguntou Alice, de repente.

Ricardo tensionou os músculos.

— Eu não sei.

Ele nunca amara ninguém antes. Como saberia se o que sentia por Alice era amor ou apenas possessividade por ela ter sido sua "primeira"?

Alice deu um sorriso triste.

— Na verdade, você está apenas inconformado. Inconformado por eu ter tomado o controle da nossa relação. Desde a primeira noite eu percebi que você é um homem competitivo. Eu tentei te pagar, você me forçou a outra rodada e me pagou de volta. Agora que eu decidi parar de te procurar, você se sente ferido em seu orgulho e quer retomar o controle, não é?

Ricardo aproximou-se, os olhos brilhando com intensidade.

— Não. Não é vingança. Eu me importo com você muito mais do que imaginava. Ver você com aquele Sérgio hoje me deixou transtornado.

Alice paralisou. Não esperava tamanha honestidade.

— Entendo o que sente, mas talvez seja melhor suprimir esse sentimento. Cortar o mal pela raiz antes que ele cresça é a escolha mais sensata.

Ricardo deu mais um passo à frente, segurando Alice pelos ombros. Ele baixou o rosto, e seu olhar parecia querer sugá-la para dentro de si.

— Então, no dia em que me viu com a Camila, você decidiu que deveria "cortar pela raiz"?

Alice olhou para as mãos grandes de Ricardo em seus ombros. As veias saltadas em suas mãos e braços mostravam uma força contida e uma tensão sexual latente. Seus cílios tremeram e ela desviou o olhar.

— Falar disso não leva a nada. Vamos manter a decência entre colegas, pode ser?

O homem não a soltou. Aproximou ainda mais o rosto.

— E se eu disser que não aceito essa "decência"?

O coração de Alice disparou.

— Você não parece o tipo de homem que insiste onde não é chamado.

Ricardo fixou os olhos negros nela.

— Como você pode ter tanta certeza?

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