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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 57

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Capítulo 57: Piano a Quatro Mãos, o Broto do Ciúme

Alice caminhou em direção ao palco. Seus cabelos ondulados caíam suavemente pelas costas, e sua cintura era tão fina que parecia poder ser envolvida por uma só mão. Sua silhueta era de uma elegância estonteante.

Ouviu-se um suspiro coletivo de admiração pelo auditório.

— Essa beldade é legista? Inacreditável.

— Alguém consegue o contato dela, por favor!

Ignorando os burburinhos e risadas, Alice subiu ao palco com passos firmes em seus saltos altos.

Lá em cima, Sérgio, cavalheiro como sempre, afastou o banco do piano. Seus olhos por trás das lentes brilhavam com uma expressão suave.

— Finalmente temos a chance de compensar o arrependimento da faculdade. "Nas Margens do Lago Baikal"?

Alice assentiu, pousando os dedos alvos sobre as teclas.

— Vou tentar não errar.

Eles sentaram-se lado a lado. A iluminação quente recaía sobre ambos, criando uma cena harmoniosa e estética.

Sérgio iniciou o prelúdio; as notas fluíam etéreas, e Alice entrou logo em seguida. As quatro mãos moviam-se em sincronia perfeita, em uma melodia fluida e envolvente.

Durante o interlúdio, Sérgio virou o rosto para Alice no exato momento em que ela levantou o olhar. Os olhos se cruzaram e ambos sorriram levemente.

Era impressionante como, após tantos anos, a sintonia permanecia intacta.

A plateia silenciou diante da beleza daquela imagem.

Vic, com o celular em mãos, não parava de tirar fotos.

— A Alice e o Dr. Sérgio têm uma química incrível. É lindo de ouvir — comentou Lipe, fascinado pela música.

Biel assentiu: — Além de serem gênios na profissão, ainda são talentosos assim.

Ricardo mantinha o olhar sombrio e a mandíbula rígida. Suas mãos, apoiadas sobre os joelhos, fecharam-se em punhos com tanta força que os nós dos dedos empalideceram. Ele parecia surdo aos aplausos e conversas ao redor; seus olhos negros estavam fixos na dupla ao piano, exalando uma aura de tensão que fazia quem estivesse perto estremecer.

Ao fim da peça, o auditório explodiu em aplausos.

— Caloura, quando a atividade interna acabar, quer dar uma volta perto do lago? — convidou Sérgio, antes de descerem.

— Claro, sem problemas — aceitou Alice.

Ao voltar para o lugar, uma Vic eufórica mostrou o celular.

— Alice, olhe essas fotos! Vocês dois juntos parecem uma cena de filme. Ficou perfeito!

Alice olhou as imagens e disse calmamente:

— Não entenda mal, Vic. Sérgio é apenas um amigo e veterano de faculdade.

Vic piscou: — Alice, você acha que eu teria ciúmes? Eu admito que ele é um gato, mas é admiração de fã, não posse. Depois de ver vocês tocando, decidi que serei a presidente do fã-clube desse "shipp".

Alice levou a mão à testa: — Não invente moda.

O próximo número começou logo em seguida: uma dança folclórica performada por Beatriz.

Ela usava um vestido longo em tom verde-água, o cabelo preso em um coque frouxo e uma maquiagem impecável. Parecia delicada e fluida. Conforme a música subia, ela começou a se mover com leveza, girando como uma flor de lótus.

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— A Beatriz dança muito bem — comentou Vic.

Alice concordou: — Sim, ela tem muita elasticidade.

Vic cutucou o braço de Alice: — Veja o Lipe e os outros, estão hipnotizados.

Alice olhou para o setor da investigação. Lipe e Biel não desviavam o olhar do palco. Ricardo, porém, estava de cabeça baixa, focado no celular. A luz da tela iluminava seu perfil rígido, dando-lhe um ar enigmático.

No palco, Beatriz buscava constantemente o olhar de Ricardo na plateia. Ela estava dando o seu melhor para que ele visse seu brilho. Mas ele permanecia de cabeça baixa, sem olhar para o palco nem por um segundo. Era como se a apresentação dela fosse irrelevante para ele.

Distraída por esse pensamento, Beatriz errou um passo, seu pé virou e ela caiu bruscamente no chão.

Ela tentou se levantar, mas uma dor aguda atingiu seu tornozelo. Seu rosto empalideceu.

— A Beatriz caiu! — gritou Lipe.

Todos da equipe olharam para Ricardo. Beatriz sentara-se ao lado dele no ônibus por iniciativa própria; o interesse dela era óbvio para todos.

O Delegado deu um tapinha no ombro de Ricardo: — Vá rápido, suba lá e ajude a moça.

Ricardo franziu o cenho: — Senhor, eu já disse: não tente bancar o cupido.

Dito isso, ele deu um chute leve no pé de Lipe: — Você e o Biel, subam e ajudem a Beatriz a descer.

Lipe, vendo que o chefe não arredaria o pé, levantou-se rapidamente: — Sim, senhor!

O Delegado suspirou, frustrado: — Você não aproveita uma oportunidade, garoto.

Ricardo cerrou os lábios e não respondeu. Pelo canto do olho, notou que Alice estava ocupada respondendo uma mensagem de Sérgio no celular e nem prestara atenção na confusão.

— Coitada da Beatriz. Ela devia estar esperando o Capitão, mas o Lipe e o Biel foram lá e a pegaram um por cada braço... parecia que estavam escoltando um preso. Zero romantismo — cochichou Vic.

Alice olhou para o palco e riu. Realmente, aqueles dois eram totalmente desajeitados.

— Vic, o Sérgio me chamou para caminhar. Quer vir junto? — Alice piscou para a assistente. — Posso tentar juntar vocês.

Vic balançou as mãos negativamente. Pelo convite dele para o piano, ela suspeitava que o Dr. Sérgio estivesse interessado na própria Alice. Ela não queria sobrar na história.

...

Alice saiu do auditório e encontrou Sérgio à beira do lago artificial do hotel. Ele segurava uma caixa de doces sofisticada.

— Lembro que na faculdade você adorava folhados de creme de coco. Comprei uma caixa na cidade antes de vir.

Alice sorriu, encantada: — Obrigada!

Eles começaram a caminhar pela margem. Sérgio olhou para ela e perguntou suavemente:

— Soube que você se divorciou.

Ele notara a ausência da aliança.

— Sim, é verdade — respondeu ela, sem rodeios.

Sérgio não se aprofundou no assunto pessoal. Conversaram por um tempo sobre casos forenses e técnicas de necropsia.

— No caso daquela ossada em Serra Norte, você determinou a lesão craniana ante-mortem pelo tecido encarcerado? — perguntou Alice.

— Sim, e os coágulos na díploe e o halo hemorrágico na linha de fratura foram cruciais — explicou Sérgio.

— Aprendi muito hoje — comentou Alice, pensativa.

Sérgio sorriu gentilmente: — Você evoluiu muito nesses dois anos.

Alice estendeu a mão: — Espero poder contar com suas orientações de agora em diante, veterano.

Sérgio apertou a mão dela com suavidade: — Vamos aprender um com o outro.

Alice decidiu não voltar ao auditório, pois o evento ainda ia longe. Resolveu subir para o quarto para descansar.

Ao sair do elevador e caminhar pelo corredor, deparou-se com uma silhueta alta e austera parada diante de sua porta.

Era Ricardo.

 

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