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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 56

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Capítulo 56: O Tipo Ideal e o Convite de Sérgio

Biel observava o grupo sumir no elevador e franziu o cenho.

— Aquele é o Dr. Sérgio, da unidade vizinha?

Ricardo olhou para Biel, estreitando os olhos negros.

— Você o conhece?

— Ele é famoso entre as policiais. Dizem que ele é um "príncipe intelectual". Estavam todas ansiosas para vê-lo hoje.

Na mente de Ricardo, ecoou a conversa que Lipe tivera com Alice um tempo atrás.

— Que tipo de homem você gosta, doutora?

— Gosto de homens asseados, refinados, intelectuais e que tenham bom humor.

Aquele tal Sérgio parecia o gabarito perfeito para os padrões dela.

Ricardo pressionou a língua contra os dentes, e seu olhar tornou-se sombrio como um poço gelado.

...

O evento começou no grande auditório do hotel fazenda. Alice e Vic fizeram o check-in e entraram. As unidades tinham áreas reservadas.

— Alice, nossos lugares são na terceira fileira.

Alice assentiu e sentou-se. O lugar dela ficava na diagonal, atrás de Ricardo.

Ricardo já não usava o uniforme; vestia uma camisa preta impecável e calças de alfaiataria. Ele conversava com o Delegado quando, talvez percebendo a presença dela, virou o rosto.

Os olhares se cruzaram sem aviso.

Alice sentiu um leve desconforto, mas logo se recompôs e cumprimentou-o com um aceno de cabeça formal e neutro.

Ela decidira que não eram inimigos. Trabalhavam juntos e precisavam ser profissionais. Traçar uma linha clara entre o pessoal e o profissional era a melhor saída.

Ricardo viu o aceno. Seus olhos eram densos como tinta preta. Ele retribuiu o gesto com um movimento quase imperceptível de cabeça. Alice cumprimentou o Delegado e sentou-se.

O mestre de cerimônias subiu ao palco para iniciar a apresentação dos convidados solteiros. Quando chegou na unidade de Alice, o nome de Ricardo foi anunciado.

O rosto de Ricardo endureceu. Ele olhou para Lipe:

— Foi você que me inscreveu?

Lipe levantou as mãos em sinal de paz. — Eu não, chefe! Eu não teria coragem.

O Delegado deu um tapinha no ombro de Ricardo.

— Fui eu. Você já não é mais um garoto; pare de pensar só em crimes e tente arranjar alguém. Suba lá.

Ricardo: — ...

— Vai desobedecer uma ordem superior?

Sem opção, Ricardo levantou-se.

Sem a farda, de camisa preta, ele perdia o ar de autoridade rígida e ganhava um charme de "proibido", elegante e viril. Os dois primeiros botões abertos revelavam o pescoço forte e um rastro da clavícula. Os ombros largos e a cintura estreita eram perfeitamente moldados pelo tecido.

— Uau, nunca vi o Capitão de camisa preta. Que homem! — sussurrou Vic.

Alice também o observou. O cinto fosco ajustava a camisa de forma impecável, delineando a força de seu abdômen. Vic tinha razão: Ricardo naquele traje era um espetáculo. Se não fosse, ela não teria se interessado por ele na boate. Afinal, ela era assumidamente fissurada em beleza masculina.

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Lipe, Biel e os outros também se apresentaram. Quando chegou a vez de Ricardo, ele foi curto e grosso, exalando uma frieza que mantinha as pessoas à distância. Mas o efeito foi o oposto: os aplausos e gritos das mulheres foram os mais altos. Muitas moças se sentiam atraídas justamente por aquele tipo rústico e sério.

O apresentador entregou números para cada um colocar no peito. Ricardo era o número 16.

— Capitão Ricardo, não é? Alto, bonito e, dizem, imbatível nas investigações. Moças, guardem esse número! Na hora da interação livre, sejam corajosas e peçam o contato dele!

Risadas e aplausos ecoaram. Lipe e Biel sorriam de orelha a orelha. Ricardo continuava sem expressão, em posição de sentido, varrendo a plateia com o olhar até focar na área da sua unidade.

Alice não estava olhando para ele. Ela ria de algo que Vic dizia, parecendo estar de excelente humor.

Terminada a apresentação dos solteiros, o apresentador anunciou:

— Agora, as apresentações de talentos! Começamos com o Dr. Sérgio, da Polícia Civil de Rio Verde - Setor Oeste!

As luzes diminuíram e as cortinas se abriram, revelando Sérgio de terno branco sentado ao piano. Ele se levantou e fez uma reverência elegante. De branco, ele parecia um cavalheiro de contos de fadas, arrancando suspiros das convidadas.

— Meu Deus, o Dr. Sérgio parece um astro de cinema. Estou sem ar! — brincou Vic.

Alice assentiu: — Ele é realmente muito bonito.

Sérgio e Ricardo eram opostos. Sérgio era o intelectual refinado; Ricardo era o guerreiro rústico. Embora tivessem a mesma altura, o porte físico de Ricardo era nitidamente mais robusto. Cada um com seu valor.

Após se apresentar, Sérgio olhou para a plateia e fixou o olhar em Alice.

— Eu gostaria de fazer um pedido especial. Queria convidar a Dra. Alice, da unidade central, para subir ao palco e tocar uma peça a quatro mãos comigo. Dra. Alice, aceitaria o convite?

Alice lembrou-se que no primeiro ano da faculdade fizera parte do mesmo clube de música que Sérgio. Eles ensaiaram para uma apresentação de gala, mas ela machucara o pulso antes do show e ele teve que tocar sozinho.

Muitas pessoas se viraram para olhar para ela. Alice levantou-se com elegância e acenou para Sérgio.

— Com prazer.

Se ela não estivesse enganada, ele queria tocar "Nas Margens do Lago Baikal", a peça que não puderam completar anos atrás.

Vic estava em choque.

— Alice! Você toca piano? Caramba, você é uma caixa de surpresas!

Alice sorriu. Quando criança, sua mãe a obrigara a estudar artes. Dança, piano, pintura... ela aprendera tudo. Mas o piano era, sem dúvida, o talento que ela mais dominava.

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