Capítulo 138: O Grande Final
Arthur implorou a Bernardo Fontes que investigasse a identidade da garota.
Por coincidência, Alice e Vitória comentavam sobre apresentar uma namorada a Arthur enquanto faziam compras. Quando Bernardo relatou o caso à esposa, a lenda do "amor à primeira vista" de Arthur chegou aos ouvidos delas...
Alice ordenou: — Investiguem.
A investigação revelou que a garota era Mariana (Feng Yan'er), filha única do magnata dos negócios Augusto (Feng Zhicheng).
Com razão ela portava um cartão
Black
com tanta naturalidade.
Mas o status de filha única era complexo.
O pai era um magnata, mas a mãe era apenas uma professora de escola primária.
Ela crescera com a mãe, raramente aparecia na mídia e não era próxima do pai.
Viera a São Paulo apenas para visitar a avó internada.
E, para completar a coincidência, a médica responsável pela avó era justamente Priscila Qin.
Para conquistar seu grande amor, Arthur usou toda a sua persistência desavergonhada, indo ao hospital todos os dias convidar Priscila para comer.
Priscila, irritada com a insistência, finalmente aceitou ajudá-lo.
Mariana era uma neta exemplar; assim que desembarcou, foi direto ao hospital e alugou um apartamento próximo para cuidar da avó, trazendo comida e lendo histórias para ela dormir.
O interesse inicial de Arthur foi amplificado por essa dedicação, tornando-se amor verdadeiro.
Ele não sabia como o amor deveria ser, apenas sentia uma alegria imensa ao ficar de vigília do lado de fora do quarto.
Mariana continuava em seu vestido branco.
Já não sabia quantas vezes encontrara Arthur por ali.
— A Dra. Priscila disse que você é irmão dela. É de sangue?
Mariana finalmente dirigiu a palavra a ele.
Arthur negou: — Não de sangue, mas nossos pais são como irmãos.
Pela ajuda de Priscila, ele aceitava ser o "irmão caçula" por uma vez.
Originalmente, ele é quem era o mais velho.
— Naquela noite, pelo telefone, achei que tinha deixado claro. Um herdeiro de família rica como você pode ter a garota que quiser. Eu não sirvo para você, não tenho interesse em joguinhos de perseguição.
Arthur fora rejeitado antes mesmo de começar.
A tristeza era absoluta.
— Não estou jogando, eu gosto de você de verdade. Ainda lembro do que disse naquela noite; só quero ser seu amigo para que me conheça antes de me dar uma resposta definitiva.
— Mesmo que eu te conheça, não gostaria de alguém como você. Eu já amo outra pessoa.
Arthur imediatamente colocou sua "máscara de sofrimento": — É o homem que atendeu seu celular naquela noite?
Mariana estancou.
Aquele homem era o pai dela.
Contudo...
— Sim, é ele.
Arthur sentiu a dor do amor não correspondido.
— Não importa, enquanto você não casar, eu ainda tenho chance.
Mariana franziu a testa. Embora ele fosse o "irmão" da Dra. Priscila e a médica falasse bem dele, ela realmente não queria se envolver com playboys da elite.
Sua mãe sofrera demais por causa do status do pai.
Ela não queria repetir aquele destino.
— Sinto muito, mas já fui clara. Por favor, não me procure mais, nem a mim nem à minha avó.
A rejeição fria e direta de Mariana foi um golpe duro para Arthur.
Ele voltou para casa em estado vegetativo (emo).
Uma semana depois, Priscila ligou para ele.
— Vou te dar a chance de provar sua devoção.
— Fale minha língua.
Priscila disse seriamente: — Mariana teve uma insuficiência renal aguda e precisa de um transplante. Eu vi seu check-up do semestre passado; você é compatível.
— Está sugerindo que eu entregue meu rim como prova de amor?
Priscila ergueu a sobrancelha: — É a declaração mais sincera que existe. Amar não é só falar; é o quanto você está disposto a sacrificar.
Na verdade, Priscila não acreditava que Arthur desistiria de um rim por uma garota que mal conhecia.
Embora não se morra ao retirar um rim, as funções do corpo são afetadas para sempre.
Arthur nem era amigo dela ainda; por que faria tal sacrifício?
— Bem, dei o recado. Pense com carinho.
Arthur decidiu: ele doaria o rim!
Refletiu por apenas dez minutos e dirigiu direto para o hospital. Priscila estava de plantão e Heitor viera trazer um lanche para ela; os três se reuniram.
Heitor discordou: — A família da Mariana é riquíssima, eles podem conseguir doadores. Se você doar um rim assim, do nada, sua mãe vai te matar.
— Então que ela me mate DEPOIS de eu ter feito o que preciso fazer!
Arthur olhou seriamente para Priscila: — É você quem fará a cirurgia? Só confio em você.
Priscila, terminando de comer uma asa de frango, olhou constrangida para Heitor.
Seu olhar perguntava:
Vamos mesmo fazer isso?
— Arthur! Suas loucuras eu ignoro, mas isso passou dos limites! — disse Heitor.
Arthur empertigou-se: — Não é loucura. Eu amo a Mariana, ela é a mulher da minha vida.
— Isso é apenas uma obsessão unilateral sua.
O comentário de Heitor foi ácido como sempre.
Arthur quase entrou em colapso novamente.
— Vou repetir: não me arrependo! Eu VOU doar esse rim!
Priscila tentou acalmar os ânimos antes que os dois brigassem no consultório.
Mas o problema era urgente: a insuficiência de Mariana era aguda e a cirurgia precisava ser imediata. Com o dinheiro e contatos dos Feng, eles achariam um doador, mas o tempo era o inimigo...
Arthur gritou: — Eu a amo e não vou ficar assistindo ela morrer!
Heitor desistiu de convencê-lo; resolveu ligar para Vitória.
Para ele, Arthur estava agindo como um "cérebro de apaixonado" em um delírio fantasioso. Só a autoridade materna de Vitória poderia detê-lo.
Vitória correu ao hospital e teve uma briga homérica com o filho. Arthur rebateu lembrando que ela decidira casar com Henrique contra tudo, e que insistira em tê-lo mesmo sendo um filho póstumo.
Ao ver Vitória desolada, Heitor chamou sua própria mãe, Alice.
Alice chegou como um furacão, deu um sermão em Arthur e amparou Vitória até a sala de Priscila.
As duas conversaram por horas e, por fim, com os olhos vermelhos, Vitória aceitou a "loucura" do filho.
O transplante ocorreu no dia seguinte.
Para não causar pressão psicológica em Mariana, ninguém contou quem era o doador.
Vitória esperava do lado de fora do centro cirúrgico, pensando não só na vida do filho, mas no homem chamado Henrique Yuri.
Num piscar de olhos, o filho dele se tornara um romântico incurável, tal como o pai.
Desde que perdera Henrique, Vitória se esforçara para ser corajosa.
Desta vez, ela esperava que a coragem do filho lhe trouxesse o amor.
A cirurgia foi um sucesso absoluto.
Mariana recuperou-se rápido.
Uma semana depois.
Ela apareceu diante de Arthur segurando um buquê de rosas.
— Soube que, por minha causa, você perdeu um rim.
— Agora tenho um pedaço seu dentro de mim. Por isso, quero abrir um espaço para você dentro do meu coração também.
Ela continuava em seu vestido branco.
Pura, magnífica.
Como um lírio recém-desabrochado.
Arthur ficou sem voz de tanta emoção; seus olhos marejaram e ele perdeu totalmente o controle sobre a própria expressão.
— Você... você aceita mesmo?
— Mas não quero que pense que estou fazendo isso por obrigação ou gratidão.
— Eu doei porque te amo de verdade, eu...
Mariana aproximou-se. Em seus olhos lindos, refletia-se o nervosismo dele.
Ela disse pausadamente: — Arthur, eu gosto de você... há muito, muito tempo.
Arthur olhou para ela em choque.
— Naquela época você era um libertino, eu não ousava me aproximar. Só te olhava de longe.
— No aeroporto, quando você falou comigo, senti alegria e medo. Achei que fosse apenas um capricho seu.
— Mas você doou um rim por mim. Então eu também terei toda a coragem do mundo para te amar.
Com toda a coragem que possuía, ela caminhou para os braços dele.
Que o resto de suas vidas seja digno de tamanha devoção.
【FIM】