Capítulo 134: O banquete de comemoração
Heitor sempre fora atencioso com Marina, afinal ela era mais jovem e frágil. Ele disse: — O que deseja? Entre e falaremos.
Ele segurava Priscila pelo braço com uma mão enquanto abria a porta do escritório com a outra.
Priscila, ao ver o rosto doce e vulnerável de Marina, sentiu uma onda de irritação.
Ela disparou: — Eu também quero ouvir!
Marina estancou.
Heitor franziu a testa.
Priscila provocou: — Por acaso vão falar de algo que não possa ser ouvido?
Marina apressou-se em dizer: — De jeito nenhum. A Priscila pode ouvir, claro. Por favor, entre.
Lá dentro, Priscila sentou-se na cadeira giratória de Heitor, analisando Marina, que se acomodara no sofá.
O olhar de Marina não saía de Heitor. Ele serviu um copo de água para ela e perguntou em voz baixa: — O que houve?
— É o seguinte: como ganhei o concurso, meus pais querem organizar um pequeno banquete de comemoração em casa e pediram que eu convidasse meus amigos. Eu gostaria muito que você fosse, Heitor.
Priscila interrompeu: — Eu estou convidada?
Na verdade, Marina não queria convidar Priscila.
Todos sabiam da proximidade entre Priscila e Heitor.
Mas como fora flagrada, não podia ser indelicada, senão pareceria mesquinha.
Além disso, o tratamento de Heitor com Priscila... sempre fora especial, desde a infância.
Ela sorriu: — Claro, a Priscila tem que ir.
Priscila sorriu de volta: — Com certeza. Que dia será? Vou desmarcar todas as minhas cirurgias.
— Na próxima segunda-feira.
— Ótimo, estarei lá. Parabéns, tão jovem e já é a deusa do ballet.
Heitor também elogiou Marina com suavidade: — Sim, você lembra muito a minha tia Paola.
Quem não sabia que Paola Fontes fora a maior bailarina do país?
Pena que teve um destino trágico, perdendo o amor, o sonho e, por fim, a vontade de viver.
— Algo mais? Se não, pedirei para o motorista levar vocês de volta.
Ele disse "vocês".
Marina olhou instintivamente para Priscila.
Priscila disse desleixadamente: — Eu volto sozinha para o hospital.
— Obrigada, Heitor. — Marina aceitou a organização dele com doçura.
Após as duas partirem, Heitor ligou para Alice e contou sobre a data da festa de Marina.
— Seu pai e eu já estamos no aeroporto, voltaremos ao país por um tempo. Perfeito, iremos juntos à festa.
— Tudo bem.
O dia da festa de Marina chegou rápido.
Beatriz tinha apenas aquela filha preciosa; agora que ela era famosa mundialmente como a deusa do ballet, o banquete não era apenas para comemorar, mas também para tentar encaminhar o futuro dela.
Em famílias de elite como as deles, um compromisso não significava casamento imediato; os jovens precisavam namorar e se conhecer. Quando o momento fosse certo, o casamento levaria mais de seis meses de preparo. Como filha única de Breno e Beatriz, a cerimônia teria que ser grandiosa.
Por isso, Beatriz já se preocupava com Marina aos vinte e um anos.
E como sabia que a filha amava Heitor — que tinha um status especial e um gênio frio idêntico ao de Bernardo Fontes —, ela precisava agir cedo.
Mesmo que não houvesse destino entre eles, ela queria que a filha percebesse isso o quanto antes para seguir em frente.
Breno, ciente das intenções da esposa, convidou vários amigos da geração deles.
Havia muita gente. Vitória, a tia legítima, chegou cedo ao jardim dos Vitória com Arthur.
O banquete seria ao ar livre, com uma fogueira à noite.
Arthur disse: — Vou procurar o Heitor para brincar.
— Não me cause problemas — recomendou Vitória. Aquele garoto era um travesso de primeira.
Vitória mandou uma mensagem para Alice perguntando onde ela estava.
Alice estava escolhendo um presente para Marina; demoraria mais um pouco.
Leo e Jade também chegaram. Continuavam muito unidos, mas nunca tiveram filhos.
Vitória ouvira de Alice sobre a doença de Paola e a dupla personalidade na época; como mulher, sentia compaixão por Jade, mas admirava sua dedicação a Leo.
Ela puxou Jade para um canto.
— Queremos adotar uma criança — revelou Jade.
— Vocês não são mais tão jovens... adotar agora seria adequado?
Não que Vitória fosse contra, mas Leo e Jade já estavam na casa dos quarenta e cinco, cinquenta anos; criar uma criança exigiria muita energia.
— A criança se parece muito com a Paola quando pequena. O Leo a viu apenas uma vez e quis adotar na hora.
— Vocês foram a um orfanato?
— Sim, acompanhei meu irmão Pedro em uma ação social. Você sabe que ele se dedica muito à caridade agora.
No início, Pedro apenas ajudava pessoas com depressão, mas aos poucos passou a focar em orfanatos, ajudando crianças abandonadas.
Vitória sabia das boas ações de Pedro.
Ele fora um homem devotado; após a morte de Paola, nunca se casou e vivia para a caridade.
Parecia querer acumular méritos espirituais para que Paola tivesse uma próxima vida feliz e em paz.
— A Alice já sabe disso?
— Sim, assim que o Leo contou para ela, ela e o Senhor Bernardo decidiram voltar para o país.
Vitória entendeu; a volta fora motivada pela adoção.
— Quando o banquete acabar e vocês forem ao orfanato, me chamem. Trouxe o Arthur para São Paulo e pretendo ficar um tempo por aqui.
— Com certeza.
Enquanto conversavam, Bernardo chegou abraçando sua amada esposa.
Assim que viu Vitória, Alice correu para abraçar a amiga.
Apesar dos anos, a amizade continuava intacta.
Marina aproximou-se para cumprimentar Alice: — Tia Alice, obrigada por virem à minha festa. Estou muito feliz.
— É um prazer. Aqui, um presente para você, espero que goste.
— Qualquer coisa que a tia me der eu vou amar.
— Que doce. — Alice apertou a bochecha de Marina e voltou a conversar com Vitória.
Marina segurava o presente com cuidado, pretendendo guardá-lo no quarto.
Contudo, ao entrar na sala, colidiu com uma silhueta azul.
— AAII! —
A silhueta azul não a vira. Como Marina era pequena, o impacto a derrubou no chão. O presente caiu junto, fazendo um barulho seco de quebra.
— Ah, meu presente! — Marina olhou desesperada para o objeto no chão.
— Marina? Desculpe, não foi por querer. — Priscila não esperava trombar com ela.
Ela acabara de discutir com Heitor e saíra furiosa; quem diria que atropelaria alguém.
— Você está bem?
Marina, sentada no chão, segurava o presente com um olhar desolado: — Meu presente... quebrou. Foi a Tia Alice que me deu,
buáaa
.
Priscila estancou.
Um presente da Tia Alice para a Marina?
Ela olhou fixamente e viu um bracelete magnífico. O brilho da pedra era excepcional, claramente uma joia antiga e valiosa.
Agora, o bracelete estava partido em dois, deitado tristemente dentro da caixa.
Marina chorava sem parar.
Priscila sentiu-se culpada: — Sinto muito mesmo, foi um acidente. Onde foi comprado? Vou ver se consigo outro igual.
— A Tia Alice deu este especialmente para mim. Ele é único, é o bracelete dado para a futura nora dos Fontes... —