Capítulo 132: Uma aura de autoridade
Alice revirou os olhos: — Eu já disse isso para muita gente! Disse quando a Priscila nasceu, disse quando a filha dos Samuel nasceu... Foi apenas uma brincadeira. Sua Tia Beatriz deve ter levado a sério.
Alice ajeitou a roupa e foi descendo as escadas: — Escute aqui, meu filho: por uma bobagem dessas, precisava desse tom solene? Quase matou sua mãe de susto.
Ela não temia Bernardo, mas temia o filho, Heitor.
Bastava ele fechar a cara para ela recuar imediatamente.
— Eu decido sobre o meu próprio casamento — disse Heitor de forma curta e grossa.
— Já entendi! Sua mãe vai agora mesmo explicar para a Tia Beatriz.
Para ser justa, Alice também não gostava muito da filha de Beatriz.
Não era por Marina ter a saúde frágil, mas pelo gênio dela... como dizer? Parecia uma flor de estufa mimada.
Quando estava bem, era dócil e gentil.
Mas quando se irritava, era capaz de botar a casa abaixo.
Ela preferia a personalidade forte e racional de Vitória, ou a generosidade de Jade.
Definitivamente, não alguém como Marina.
Quando Alice mencionou o assunto a Beatriz, os olhos desta ficaram vermelhos na hora.
— Nossa Marina gosta muito do Heitor, por isso comentei. Embora sejam jovens, o Heitor já tem dezesseis anos. Ele é lindo, de boa família, é o genro dos sonhos de qualquer um neste círculo social. Eu tive medo...
— Não, Beatriz, meu ponto não é a idade. O que quero dizer é que o Heitor não vê a Marina dessa forma; ele a trata apenas como irmã. Além disso, eles são novos; decisões sobre o futuro deles cabem apenas a eles.
Beatriz rebateu: — É porque a nossa Marina tem a saúde frágil?
Alice: ……
Quem falou em saúde?
— Eu sei que, como herdeiro da família Fontes, o pilar da elite, Heitor não escolheria uma menina mimada como a nossa Marina. Mas ela é jovem; vamos educá-la, faremos com que ela seja digna dele.
Diante do discurso desconexo de Beatriz...
Alice estava prestes a ter um colapso.
Do outro lado, Breno também se sentia impotente: — Não sei o que deu na Beatriz para insistir no Heitor como genro. As crianças são pequenas, não há necessidade de pensar nisso agora.
Bernardo ergueu a sobrancelha levemente.
Ao notar pelo canto do olho que a esposa estava tão irritada com Beatriz que nem conseguia mais falar, ele retomou sua aura gélida. Embora tivesse suavizado o temperamento com os anos, a nobreza e arrogância em seu sangue permaneciam intactas.
Em tom gélido, ele declarou: — Meu filho casará com quem ele quiser. Ninguém pode forçá-lo.
Breno: ……
Por que esse homem se irritou do nada?
Bernardo levantou-se e parou diante de Beatriz; sua aura imponente quase a deixou sem fôlego.
Beatriz ergueu o olhar, assustada, e ao encontrar o olhar cortante de Bernardo, desviou-o imediatamente.
Bernardo disse friamente: — Nem tente usar chantagem emocional com a minha esposa. Eu não tenho moral. Comigo aqui, sua filha nunca casará com o meu filho.
Ele não era bobo; percebera que Heitor não gostava de Marina e chegava a ter certa repulsa por ela.
Marina era frágil e mimada, o que era compreensível.
Mas a tentativa de Beatriz de forçar uma proximidade através de insinuações e chantagem emocional era desprezível e irritante.
Ele jamais permitiria que ela manipulasse a situação, deixando sua esposa e filho infelizes.
— O jantar ainda não está pronto, vocês têm tempo de chegar em casa para comer. Podem ir.
Bernardo expulsou-os sem a menor cerimônia.
Beatriz jamais fora humilhada assim.
Ela era a presidente do Grupo Samuel, o marido era o presidente do Grupo Vitória; todos lá fora viviam para bajulá-la.
Embora respeitasse Bernardo e Alice, a convivência de anos a deixara muito à vontade.
— Senhor Fontes, falar desse jeito é...
Beatriz tentou rebater, mas foi puxada por Breno.
Breno sussurrou algo em seu ouvido, e o rosto dela mudou de preto para branco instantaneamente.
O casal pediu desculpas e saiu da Mansão do Horizonte com a filha. Só então Bernardo se deu por satisfeito, abraçando a esposa e dizendo docemente: — Da próxima vez, deixe as pessoas e situações indesejadas comigo.
Heitor, escondido atrás do sofá, comentou secamente: — Eu posso resolver sozinho.
Alice: ……
O incidente da "disputa pelo genro" foi contado por Priscila para aquele linguarudo do Rafael na mesma noite.
Logo, a notícia chegou a Vitória, lá no Leste. Ela fez questão de ligar por vídeo para Alice para provocá-la: — Quem diria que o nosso pequeno Heitor, com apenas dezesseis anos, já teria tantas pretendentes no encalço.
— O seu irmão é tranquilo, o problema é a Beatriz...
— Minha cunhada é assim mesmo, prevenida. Como só tem essa filha, ela a protege como se fosse uma joia. A Marina gosta do Heitor, então ela já quer oficializar a aliança entre as famílias.
Vitória conhecia bem a cunhada.
Anos de convivência não eram à toa.
Alice estranhou: — Mesmo que ela queira a união, poderia ser discreta e conversar comigo antes. Como ela vai falar diretamente com o Heitor?
— Ela quis testar o terreno com o menino.
— Puff, você não viu a cara que o Heitor fez ao vir me interrogar no quarto. Parecia o Bernardo jovem; juro, meu filho cresceu e eu tenho até medo dele.
Vitória caiu na gargalhada.
Na verdade, Heitor era um rapaz brilhante e, com o apoio dos Fontes e dos Guimarães, quem não o quereria como genro?
Se ela mesma tivesse tido uma filha, provavelmente usaria a amizade de décadas para forçar Alice a aceitar.
Ela entendia Beatriz.
Só achava que Beatriz fora afobada e usara táticas amadoras demais.
Para conquistar um rapaz que está em um patamar tão alto que poucos alcançam, é preciso paciência, estratégia e competência.
Marina não tinha nada disso.
Beatriz, como mãe, precisaria de um plano melhor.
— No que está pensando? — perguntou Alice ao ver que Vitória silenciara.
Vitória, com uma máscara facial aplicada, olhava para Alice pela tela: — Temos a mesma idade, mas como você consegue parecer tão mais jovem que eu? Ambas na casa dos quarenta, e você parece uma recém-casada.
— ... Pare com isso. Mesmo que me chame de fada, não posso decidir nada por você.
— Não é pela Marina, é um elogio sincero.
— Sendo assim, obrigada.
Alice continuou em tom de brincadeira: — Falando em laços de infância, a Priscila cresceu com o Heitor, eles têm gostos parecidos e estão sempre juntos. Sinceramente, acho que entre eles a coisa flui melhor.
Vitória franziu a testa.
E então?
Alice estava mandando um recado implícito para ela avisar Breno e Beatriz para pararem de perder tempo?
Se Heitor encontrasse um grande amor no futuro, eles respeitariam; se não encontrasse e tivesse que escolher alguém adequada, a primeira opção seria Priscila.
Vitória era uma pessoa de coração aberto; nestes anos, exceto pela obsessão com Henrique, nada mais conseguia perturbá-la.
Captando o recado de Alice, ela disse: — Heitor só tem dezesseis anos. Faltam muitos anos para pensarmos em casamento. Não vamos nos afobar.
— Eu precisava te avisar, para você não ficar brava comigo depois.
— Somos melhores amigas. Se eu tivesse tido uma filha, você teria que me avisar; mas eu tive um filho, né? Eles serão como irmãos, ainda não é hora de disputarem mulher.
As duas conversavam com leveza e humor.
Falando sobre o futuro casamento de Heitor...