Capítulo 131: Sequestrada para ser nora
Alice Guimarães e Beatriz apressaram-se até onde as crianças estavam. Marina (Xiaoxiao), ao ver a mãe, começou a chorar pedindo colo. Breno acabara de atender uma ligação e se distraíra por um segundo; não imaginava que a filha chegaria a virar o tabuleiro de xadrez.
Marina chorava compulsivamente. Heitor (Taotao) mantinha a calma absoluta; ele explicou o ocorrido: ele e Priscila planejavam terminar aquela partida para levar Marina para nadar, mas a pequena não quis esperar e começou a fazer birra para ir naquele exato momento. Priscila disparou um "não quero brincar com você", e Marina explodiu.
A menina, acostumada a ser paparicada por pais, empregados e motoristas, nunca fora tratada assim. Em um acesso de fúria, ela virou o tabuleiro.
Priscila não era de levar desaforo para casa e deu uma lição de moral em Marina, o que a fez chorar ainda mais alto.
Durante todo o tempo, Heitor permaneceu com as mãos nos bolsos, assistindo à cena com uma postura de indiferença total.
Alice sentiu o canto da boca tremer. No fim, era apenas briga de criança; nada muito grave. Ela mesma já tivera brigas assim com o Leo por comida na infância.
Beatriz, sentindo-se culpada, pegou Marina no colo e a levou para fora para acalmá-la. Heitor e Priscila começaram a recolher as peças, enquanto Breno pedia desculpas a Alice sem parar.
— A hora do jantar está chegando, querem ficar? — Alice sentiu-se constrangida com o pedido de desculpas de Breno. Afinal, ele era o irmão de Vitória; na juventude ela vivia na casa dos Yuri e Breno sempre a tratara muito bem.
Breno ia recusar, mas Beatriz ouviu e aceitou prontamente: — Com certeza! Vou até a cozinha daqui a pouco para dar uma ajuda.
Alice assentiu.
De qualquer forma, ela odiava cozinhar.
Embora houvesse chefs, se Beatriz quisesse se ocupar com algo, tudo bem.
Ela e Beatriz eram amigas, mas não do tipo confidente como era com Vitória. Além disso, com a convivência reduzida nos últimos anos, Alice não tinha paciência para tentar decifrar as intenções alheias.
Bernardo Fontes chegou e viu Marina com os olhos vermelhos brincando de blocos com Breno.
Olhou para o próprio filho, sentado seriamente no sofá lendo um livro.
Priscila, entediada, jogava no celular.
As três crianças não conseguiam mais interagir entre si.
Bernardo aproximou-se da esposa e sussurrou: — O que houve?
— Conflito de gerações — resumiu ela.
Bernardo ergueu a sobrancelha.
Dois anos de diferença é conflito de gerações?
Notando que ela não parecia bem, ele a conduziu para o andar de cima.
— O que foi? O Heitor trouxe a Priscila para te animar, por que você...
— Eles também querem que VOCÊ fique feliz. — Alice ficou na ponta dos pés e envolveu o pescoço do marido.
Parados diante da janela, observando a Mansão das Rosas ao longe, Alice disse subitamente: — Que tal deixarmos o Heitor morar na Mansão das Rosas?
— O quê?
— Quero ficar a sós com você.
Ela sentia que tanto ela quanto Bernardo precisavam de cura.
Bernardo jamais recusaria um pedido dela: — Tudo bem.
Ele a pegou no colo e a deitou na cama.
Seus dedos massageavam suavemente a palma da mão de Alice.
Alice inclinou a cabeça para olhá-lo: — O quê?
— Há um assunto...
— Pode falar.
— A Paola...
Alice prendeu a respiração subitamente, esperando pacientemente que ele terminasse.
Após uma longa hesitação, Bernardo disse: — Jade (Ming Yun)... eu me encontrei com o Pedro. A Jade disse...
— Ela descobriu o motivo de o Leo não querer filhos? — Alice não mencionou a dupla personalidade de Paola, apenas testou o terreno com aquela pergunta.
— O Pedro já sabia há muito tempo. Só não era grave, então ele não contou.
Somente quando o assunto envolvia Leo é que a fragmentação da personalidade de Paola se manifestava.
— Você bebeu com o Leo naquele dia, chegaram a falar sobre isso? — perguntou Bernardo.
— Sim.
Após a troca de informações, o casal percebeu que quase todos os envolvidos sabiam do segredo. Era um segredo público, mas todos queriam proteger a memória de Paola e ninguém queria causar novos traumas.
— A Jade é uma mulher muito bondosa e generosa — concluiu Bernardo.
Alice piscou.
Sim, caso contrário Leo não teria saído da dor tão rápido para amá-la.
— O que você quer dizer com isso?
— A essência da Paola era pura. Ela apenas estava com muito medo. Eu acredito que agora ela está livre de todo o sofrimento e abençoaria o Leo.
Ao ouvir isso, Alice não conteve a alegria: — Você quer convencer o Leo a ter um filho com a Jade?
Embora tivessem passado dezesseis anos, com a medicina atual e a saúde de ambos impecável, ter um filho ainda era possível.
— Meu medo é o Leo não conseguir superar o que prometeu — Alice ficou radiante por um segundo e logo desanimou. — Por mais obediente que o Leo pareça, ele é muito decidido. Se ele insistir em não ter, não há o que possamos fazer.
Bernardo concordou.
Ele conhecia bem o gênio do cunhado.
— Vou conversar com a Jade em breve para ver a postura dela.
— Sim. Não quero que eles vivam com esse arrependimento para sempre. Pela Paola, todos já carregamos fardos pesados demais.
Bernardo, após refletir, fora ao cemitério.
Ao voltar, quis contar imediatamente para Alice, mas teve medo; medo de que ela o culpasse.
Leo era o filho dos Guimarães. Mesmo que a família não priorizasse herdeiros homens, agora que tinham Heitor, os pais de Alice certamente gostariam que o próprio filho tivesse descendentes.
De qualquer forma, a dívida era da família Fontes com os Guimarães.
Casada com ele há anos, Alice sabia o que cada olhar e cada gesto dele significavam.
Ela beijou o canto da boca do marido: — Não pense tanto. Meus pais não pressionaram nesses anos todos, nem sei que tática o Leo usou para convencê-los. Se ninguém tocar no assunto, eles não saberão.
Se Leo pudesse superar e Jade aceitasse a vida atual, mesmo sem filhos, os pais de Alice não cobrariam.
— Mas o arrependimento ficaria no coração deles — disse Bernardo.
— Ninguém vive uma vida inteira sem arrependimentos. É apenas uma questão de intensidade.
Toc, toc, toc.
Alguém bateu na porta.
Alice franziu a testa, irritada.
Raramente ela e o marido abriam o coração para falar de Paola; quem seria o sem noção?
— Pai, Mãe.
A voz do Heitor?
O casal se olhou; Alice sentou-se na cama e Bernardo foi abrir a porta.
Alice perguntou: — O que houve?
Bernardo viu no rosto do filho o nítido sinal de impaciência. Ficou surpreso; embora Heitor fosse frio, raramente perdia a paciência com algo, preferindo apenas o desprezo.
Aquela expressão era rara nele.
Heitor exibia um semblante enigmático. Primeiro lançou um olhar altivo para Bernardo, depois encarou Alice com um rancor contido: — Você pretende mesmo me fazer casar com aquela pirralha chorona dos Vitória?
Bernardo olhou confuso para a esposa:
Quando foi que decidimos o casamento do nosso filho?
Alice estava cheia de pontos de interrogação. O que estava acontecendo?
— A Tia Beatriz acabou de dizer que, quando a Marina nasceu, você disse que ela era uma fofa e que queria sequestrá-la para ser sua nora. É verdade?