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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 52

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Capítulo 52: Percebendo os Sentimentos, Um Novo Cenário de Tensão

Ricardo estava imponente, com o semblante rígido.

Em seus braços, a frágil Camila parecia ainda mais pequena e vulnerável.

— Ricardo... dói tanto... eu vou morrer? — soluçava ela, entre lágrimas.

— Vou te levar para o hospital agora.

Ricardo desviou o olhar de Alice, caminhou até o carro e acomodou Camila. O utilitário arrancou em alta velocidade.

Alice notou as manchas de sangue na roupa de Camila. Imaginou que o confronto com Sara tivesse causado a nova hemorragia.

Em uma situação daquelas, era natural que Ricardo ajudasse.

Mesmo sabendo que a atitude dele era correta, Alice sentiu um aperto incômodo no peito. Não era uma dor forte, mas era sufocante.

— Alice, você acha que o chefe vai sentir pena da Camila e voltar com ela? — perguntou Lipe, aproximando-se.

Alice olhou para o carro sumindo no horizonte e comprimiu os lábios.

— A vida pessoal dele não é do meu conhecimento.

Ela não sentia pena de Camila, mas o cenário a incomodava.

— A Camila é muito interesseira. Trocou o chefe pelo seu ex sem pensar duas vezes. Agora que ela não pode mais engravidar e perdeu a chance de ser rica, tenho medo que ela use o emocional para prender o chefe de novo.

Alice não respondeu. Baixou os cílios, escondendo uma torrente de emoções confusas.

Durante a tarde, ela passou várias vezes pela sala da investigação. Ricardo não voltou. Até o fim do expediente, ele continuava ausente.

Ao voltar para o apartamento, Alice tentou ler um livro no sofá para se acalmar. Normalmente, a leitura a centrava, mas desta vez, ela não conseguia passar da primeira página. Sua mente estava em outro lugar.

Ela levantou-se e olhou pelo olho mágico para o apartamento em frente.

Luzes apagadas. Ele ainda não voltara.

Alice não entendia o que estava acontecendo com ela. Estava inquieta.

Tentou fazer outras coisas para se distrair, mas a cada poucos minutos, voltava à porta para vigiar o corredor.

Às onze da noite, o corredor continuava vazio.

Alice soltou um riso amargo e autodepreciativo.

Meu Deus, o que eu estou fazendo?

Ela e Ricardo não tinham nada sério. No máximo, eram parceiros de ocasião. Ela mesma deixara claro: prazer físico, sem envolvimento emocional.

O fato de ele estar no hospital com a ex-noiva em plena madrugada não deveria afetá-la.

Ao perceber que estava desenvolvendo sentimentos reais por Ricardo, ela sentiu um calafrio.

Ele era o capitão; ela, a legista.

Se o coração entrasse na jogada, a imparcialidade no trabalho seria comprometida. Além disso, todos sabiam do seu divórcio; se o caso com Ricardo vazasse, o falatório seria imenso.

Era perigoso demais.

Ela precisava arrancar esse sentimento pela raiz enquanto ele era apenas um broto.

Após o trauma do divórcio, ela jurara não acreditar mais em amor ou casamento. Se não conseguisse manter a regra do "prazer sem compromisso", teria que se afastar dele de vez.

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Após um banho para esfriar as ideias, ela deitou-se. No meio de um sono leve, seu celular tocou.

Um número desconhecido.

Preocupada com o trabalho, ela atendeu prontamente.

— Alice... amor... estou aqui embaixo do seu prédio. Quero te ver, desce aqui, por favor? — Era a voz embriagada de Mateus.

A raiva dissipou o sono de Alice instantaneamente. Esse traste não parava de importuná-la. Ela já o bloqueara e o humilhara publicamente, e ele ainda insistia.

— Mateus, você é doente? Eu já fui bem clara: não existe volta para nós. Pare de ser patético e me deixe em paz!

— Você tem todo o direito de me xingar, meu amor... descarregue sua raiva em mim, eu aceito tudo.

— Mateus, você pode ficar aí até o fim dos tempos, eu não ligo.

Ela ia desligar para bloqueá-lo novamente quando ele disse algo que a fez parar:

— Alice... há seis meses, você encomendou um par de abotoaduras de ônix negro, com a letra L gravada, numa joalheria de luxo. A vendedora me ligou hoje e eu fui buscar.

— Alice, eu não merecia seu carinho... me perdoe...

Alice nem ouviu o pedido de desculpas. Ela havia esquecido completamente das abotoaduras que encomendara antes de descobrir a traição. Um item de sete dígitos não ficaria nas mãos daquele traste.

Ela trocou de roupa rapidamente e desceu.

O carro de Mateus estava parado na entrada. Ele a esperava encostado na porta, com um olhar profundo. Ao vê-la, ele se iluminou.

— Alice!

— Se você me chamar de "amor" ou "esposa" mais uma vez, eu juro que te arrebento, Mateus! Sua cara de pau é inacreditável!

Mateus não se ofendeu com o tapa que levou ao se aproximar. Pelo contrário, sorriu: — Sua mão é tão cheirosa, Alice.

Alice sentiu náuseas.

— Me entrega as abotoaduras agora!

— Você quer colocar em mim com as suas próprias mãos? Estão no carro, vou pegar.

Ele pegou uma caixa luxuosa, mas em vez de entregar a Alice, puxou-a para um abraço à força.

— Mateus, você quer morr... —

Antes que ela terminasse a ameaça, um utilitário preto surgiu e freou bruscamente, iluminando-os com os faróis altos.

Alice ficou cega momentaneamente pela luz.

A porta se abriu e uma silhueta alta e gélida desceu do veículo.

Ricardo estava de volta.

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