Capítulo 127: Filha e nora são diferentes
Após jantarem na Mansão do Horizonte, Taotao levou Arthur para o escritório para brincarem de LEGO, enquanto Alice aproveitava para conversar a sós com Vitória.
— Aquele Professor Igor tem mesmo interesse em você?
— Você entendeu errado. Ele apenas gosta muito do Arthur. Aquela outra mãe é que tem o hábito de falar bobagens. Eu cheguei a mencionar sobre transferir o Arthur de escola hoje, mas o Professor Igor não concordou.
Alice estranhou: — Você quer transferi-lo para evitar fofocas e prezar pela saúde mental dele. Por que o Professor Igor se oporia?
Os olhos de Vitória oscilaram: — Ele disse que a transferência teria um impacto negativo maior no Arthur. Que, embora ele seja pequeno, é um menino e precisa aprender a encarar dificuldades e resolver problemas.
Alice sorriu.
Se fosse o seu pequeno lorde — aquele garoto sério, com o QI nas nuvens e o mesmo temperamento do pai —, aprender a resolver problemas faria sentido.
Mas que tipo de criança era o Arthur?
Ele era o mestre em ser fofo, travesso e adorável.
Além de ser o "tesouro" dos Yuri do Leste.
Ele não precisava aprender essas coisas tão cedo.
— Eu acho que o Professor Igor gosta de você. — Alice foi direta, sem rodeios: — Eu vi o jeito que ele te olhou hoje. Puff, o amor era impossível de esconder.
— Não diga asneiras.
— Vitória, você é inteligente, como não percebeu? Sinceramente, acho que vocês combinam. O Henrique já se foi faz tempo... o Arthur cresceu. Se você não se sente incomodada com a aproximação dele, por que não...
— Eu não vou gostar de outro homem! Além de Henrique Yuri, não darei oportunidade a mais ninguém!
Vitória disse isso com tanta determinação que o coração de Alice deu um solavanco: — Vale a pena?
— Claro que vale.
Ela, Vitória, não era uma "planta parasita" que dependia de um homem para viver.
Ela amava Henrique; os anos passaram e nada mudou. Não importava a idade de Arthur, o sentimento dela não se deterioraria; pelo contrário, a saudade e o amor por Henrique só aumentavam.
Ela não pretendia tentar uma "vida nova" com outro homem.
— Vou transferir o Arthur assim que voltar. Minha sogra sempre disse que queria levá-lo para o Leste, acho que é uma boa decisão.
Alice arquejou: — Você quer mandar o Arthur para o Leste?
— Sim.
— Mas...
— Eu vou com ele. — Por Arthur, Vitória estava disposta a deixar São Paulo, seus parentes e amigos para recomeçar em um novo lugar.
— Ele é filho do Henrique, a esperança dos Yuri. Deve crescer no Leste.
Ao ver o olhar ardente e firme de Vitória, Alice não conseguiu pronunciar uma única palavra de contestação.
À noite, ao deitar, ela contou a decisão de Vitória para Bernardo Fontes, suspirando. Bernardo comentou com toda a seriedade do mundo: — O sentimento dela pelo Henrique é admirável, e a postura educativa com o filho é impressionante. Querida, não deveríamos aprender com a Vitória?
Alice: "......"
O que esse homem estava resmungando?
Ela não entendera patavina.
— Fale a minha língua.
— Mande o Heitor (Taotao) para a mansão ancestral.
— Por quê?
— Quero viver a nossa vida a dois.
Embora Taotao fosse precoce e não ficasse grudado em Alice o tempo todo, ele tinha o hábito de aparecer nos momentos mais inoportunos, interrompendo as tentativas de Bernardo de beijar e abraçar a esposa.
Bernardo cansara.
Embora amasse muito o filho, isso não o impedia de ser implacável ao mandá-lo para longe.
Afinal, ele amava mais a esposa.
Após Arthur ser levado para o Leste, o pequeno príncipe dos Fontes também foi solenemente enviado para a mansão ancestral.
A partir daí, Bernardo e Alice passaram a viver uma vida a dois sem o menor pudor.
...
O tempo voa e, num piscar de olhos, Heitor já estava com dezesseis anos.
Como Alice era estéril de nascença, tê-lo fora uma benção divina; por isso, o desejo dele de ter uma irmãzinha nunca se realizou nesses anos todos.
Para sua alegria, Rafael e Cissa acabaram realizando esse desejo indiretamente.
No aniversário de quatorze anos da princesinha dos Qin, Priscila (Qin Ruoruo), Heitor representou seus pais — que estavam de férias no exterior — para parabenizá-la e participar da festa.
Ao chegar à porta da mansão dos Qin, viu a empregada correndo apressada: — Jovem Mestre Fontes, finalmente o senhor chegou! A Senhorita Priscila se recusa a trocar de roupa enquanto o senhor não chegasse.
— Ela levou outra bronca do Tio Rafael? — perguntou Heitor calmamente.
A empregada pegou o presente e o conduziu para dentro.
Pois é: a Senhorita Priscila queria comemorar o aniversário na Mansão do Horizonte, mas o Senhor Rafael não permitiu. A patroa, sendo submissa ao marido, seguiu a ordem, e Priscila ficou furiosa.
Na verdade, todos sabiam que Priscila queria passar o aniversário a sós com Heitor.
Pena que a mãe não entendia nada e convidou vários colegas da escola, o que deixou o coração da menina gelado.
Heitor caminhou familiarizado até a porta do quarto de Priscila e bateu.
— Eu já disse que não vou!
— Sou eu.
A porta abriu-se instantaneamente.
Heitor observou a garota em seu pijama fofo; ela era linda, de pele alva e bochechas redondas, parecendo um pãozinho doce adorável.
Ele disse em tom neutro: — Eu tinha preparado uma surpresa, mas já que você não quer a festa, deixa para lá.
Priscila agarrou o braço dele.
— Que surpresa?
— Vai se trocar?
— Vou! Mas está combinado: a gente aparece, faz uma presença e foge!
Todo ano ela queria passar o aniversário apenas com Heitor, sem gente aleatória atrapalhando.
Mas seus pais eram lerdos e achavam que meninas daquela idade amavam agitação.
Ela gostava de agitação?
Ela apenas não sabia como convidar Heitor para sair a sós.
— Combinado.
Heitor cumpriu a palavra. Na festa, após Priscila aparecer e os adultos interessados em parcerias com Rafael assumirem o salão, ele a levou para a Mansão do Horizonte.
No jardim dos fundos da mansão, havia uma casinha rosa recém-comprada. Dentro, um coelhinho branco minúsculo e fofo. Ao ver o bichinho, Priscila abraçou Heitor com entusiasmo:
— Heitor, essa é a surpresa? Meu Deus, eu amei demais!
Heitor enrijeceu o corpo involuntariamente.
Ela ainda era pequena, mas ele já era um homem.
Tanta proximidade não era adequada.
Contudo, como Priscila era a irmã que ele aceitara ter e hoje era o aniversário dela, ele se permitiu ser abraçado por um momento.
Alice e Bernardo haviam voltado escondidos, pretendendo apenas trocar de roupa e ir à festa dos Qin, mas acabaram presenciando aquela cena inesperada.
Alice cobriu os olhos de Bernardo: — Não olhe o que não deve, vamos embora!
Bernardo balançou a cabeça, impotente.
Que exagero.
O filho dele era muito sensato; não faria bobagens sendo tão jovem.
— Veja você, pensando bobagens. O Heitor trata a Priscila como irmã. Hoje é o aniversário dela e ela odeia multidões; vir para cá é normal.
Alice o arrastou para o quarto e sussurrou: — Se eu te chamar de lerdo, você não acredita. A Priscila gosta do nosso filho, não percebeu? E quanto ao Heitor... com quem ele já teve tanta paciência nesses anos todos?
Bernardo realmente nunca parara para pensar.
— Eles são crianças, o que sabem de amor? E se gostarem mesmo, cresceram juntos... é só dar um toque no Rafael no futuro e a Priscila vira nossa nora. Afinal, você sempre a tratou como filha.
— Você não entende: eu a trato como filha, não como nora.
— ...Tem diferença?
Alice revirou os olhos. Claro que tinha.
Se Priscila casasse com o filho, sofreria no futuro. Uma família daquela magnitude, uma empresa daquele tamanho... com o gênio de Priscila, ela só servia para ser uma princesinha livre de preocupações.
Além disso, Cissa confidenciara a ela que desejava que Priscila casasse com alguém de uma família menor, mas que tivesse tempo para acompanhá-la.
Claramente, seu filho — com o QI extraordinário e o temperamento frio e arrogante — não era esse homem.