《Divórcio de Bilhões: O Arrependimento do Meu Ex Canalha》Capítulo 120

PUBLICIDADE

Capítulo 120: O incidente de abuso

Alice apoiava o queixo nas mãos, olhando desacreditada para o rosto tenso de Rafael. Conforme ele narrava sua história com Cissa, sua expressão mudava do estranhamento para a culpa e a dor profunda.

Ele e Cissa se conheciam desde crianças. Aos dezesseis anos, ele morava na casa ao lado da dela no Sul; como os pais dele trabalhavam demais, ele passava o tempo todo na casa de Cissa.

Exceto para dormir, ele vivia lá.

Cissa já gostava dele naquela época e vivia dizendo na frente de todos que casaria com ele quando crescesse.

Os pais de Rafael adoravam a menina alegre e permitiam a proximidade.

Contudo, a tragédia não tardou.

O professor de piano de Cissa, apesar de ter mestrado e certificados, era um homem de caráter podre. Aproveitando que os pais dela não estavam em casa, ele abusou sexualmente de Cissa.

Ela tinha apenas treze anos. Após o crime, o monstro a ameaçou para que não contasse a ninguém.

Rafael não sabia de nada até que, um dia, voltou mais cedo da escola para ouvi-la tocar e pulou o muro da casa.

Ele viu com os próprios olhos o homem abusando dela. Cissa estava em prantos, sendo forçada àquelas atrocidades. Cego de fúria, Rafael correu até a cozinha, pegou um cutelo e decepou a mão direita do estuprador.

O escândalo foi enorme. O monstro foi preso por estupro de vulnerável, mas Rafael também foi indiciado por lesão corporal grave.

Graças à influência da família Qin, pagaram uma indenização altíssima ao homem para obter o perdão judicial e evitar a prisão de Rafael.

Mas a reputação de ambos foi destruída. O fato de Cissa ter sido abusada pelo professor de piano espalhou-se pela cidade.

Os pais de Cissa, desesperados para proteger a filha do falatório cruel, decidiram mandá-la para o exterior.

Rafael tentou impedi-los, mas os pais dela foram categóricos: eram apenas vizinhos, ele não tinha direito de interferir na vida de Cissa.

Os pais de Rafael também o alertaram de que a promessa de casamento de infância era apenas brincadeira e que Cissa teria uma nova vida lá fora; ele deveria seguir em frente.

Logo em seguida, Cissa partiu, e Rafael foi mandado de volta para São Paulo para estudar medicina com o avô.

A paixão e o impulso da juventude transformaram Rafael em um "nômade emocional".

Ele nunca mais entregou seu coração a ninguém. Não tinha coragem.

Tinha medo de arruinar a reputação de outra mulher.

Se não tivesse decepado a mão do professor num ímpeto, o caso talvez não tivesse ganhado proporções tão públicas. Cissa já era a vítima, mas passou a ser alvo de dedos apontados; como ela suportaria? Ele entendia por que os pais dela não permitiram que ficassem juntos.

Mas o que mais o torturava não era isso. Era o fato de ser tão próximo dela e não ter percebido que algo estava errado; não ter notado que ela estava sofrendo antes do pior acontecer.

PUBLICIDADE

Ele sentia que falhara com Cissa.

Quando ela voltou agora, ele ficou feliz e aterrorizado.

Feliz por tê-la de volta e solteira.

Mas o medo era sufocante.

Ela queria casar com ele.

Como se o passado fosse apenas um pesadelo já esquecido.

Mas ELE não esquecera! Lembrava de cada detalhe com uma clareza dolorosa!

— Se é assim, você não deveria aceitá-la ainda mais? — Alice fez a pergunta crucial.

Rafael olhou para ela: — Você não entende nada.

Ela deu de ombros: — Tudo bem, eu não entendo.

Bernardo disse calmamente: — Cem milhões. Transferidos.

Ao ouvir isso, Rafael levantou-se num salto.

Tinha que ser o Bernardo: dinheiro e ação rápida.

Após Rafael sair, Alice encostou-se no peito de Bernardo, ainda suspirando pela história dramática do casal Qin.

— Se fosse você, o que faria?

— Eu não faria.

— O quê?

Bernardo balançou a cabeça com autodepreciação.

Na verdade, ele também não entendia de sentimentos; se não tivessem acontecido tantas tragédias, ele jamais teria aprendido a valorizá-la.

Rafael e ele eram farinha do mesmo saco.

Rafael logo encontrou Cissa. Sua determinação em reunir o dinheiro e o esforço para resgatá-la comoveram os pais da moça.

Após o resgate, os pais de Cissa pararam de se opor ao relacionamento.

Quanto ao futuro deles, após tantos anos, os mais velhos resolveram não interferir mais.

Se os filhos fossem felizes, não havia motivo para forçar separações.

Rafael trouxe Cissa para agradecer a ajuda de Bernardo. Por coincidência, Vitória estava lá. Alice contava para Vitória que todo o sequestro fora um plano arquitetado por Bernardo e que o dinheiro, na verdade, voltara para as mãos dele.

Rafael, que vinha trazendo chá, ouviu tudo. A fúria subiu-lhe à cabeça.

— Bernardo Fontes, seu amigo da onça! Apareça aqui agora!

Vitória arquejou: — Ferrou, ele ouviu!

— Na verdade, o Rafael investigou tanto tempo sem pistas que já devia suspeitar de uma armação. Ele só estava procurando uma saída honrosa — explicou Alice.

Vitória riu: — E você deu essa saída de propósito para ele, né?

— Ah, não vamos estragar a mágica.

Alice e Vitória, as duas gestantes, não podiam fazer muita coisa a não ser comer bem.

Cissa era otimista por natureza. Mesmo sabendo que o sequestro envolvia Bernardo, não ficou brava nem descontou em ninguém.

Ela mesma preparou minicakes e não poupou agradecimentos.

— Irmã Alice, eu sabia que você me ajudaria. Na verdade, se não fosse por você, o Senhor Bernardo jamais se meteria nisso, certo?

— O Rafael é o melhor amigo dele; o Bernardo não ia deixar que ele perdesse a felicidade por bobeira — Alice disse de forma elegante. Cissa ficou radiante.

— Mas o Rafael ainda não disse que me ama.

Alice respondeu: — Ele não disse, mas as ações dele provam o que sente. Eu já sei da história de vocês... eu te apoio!

Ao ouvir isso, Cissa empalideceu.

PUBLICIDADE

— V-você já sabe? Então não me acha... por eu ter sido abusada... eu...

— O erro foi do outro, por que você se culparia? Além disso, você é uma ótima garota, com um gênio maravilhoso. O Rafael gosta de QUEM você é, não do seu corpo.

Seja abuso ou qualquer outra agressão, a culpa nunca é da vítima.

Ninguém tem o direito de usar fofocas como arma para ferir quem sofreu.

— Cissa, precisamos viver por nós mesmas. Se você decidiu voltar e procurar o Rafael, é porque já resolveu isso internamente, não? Já perderam tempo demais, agora é hora de valorizar o presente.

Alice deu forças para Cissa, que logo limpou as lágrimas e jurou conquistar Rafael de vez.

— É bom ver as pessoas ao redor se acertando, né? — comentou Vitória. Ela acabara de ver o enxoval que Alice comprara e, ao ver Cissa sair animada, resolveu provocar a amiga.

Alice soltou um longo suspiro: — Esqueceu do nosso irmão? Desde o término com a fofura, ele está cada vez mais deprimido.

— Meu irmão me disse que ele foi visto bebendo num bar e quase arrumou briga de novo — disse Vitória.

Ela também se preocupava com Leo.

Sofrer uma derrota no primeiro amor é triste demais.

— A Paola veio me ver ontem, e o semblante dela também não estava bom.

Desde que as córneas de Henrique foram para Paola e a cirurgia foi um sucesso, Paola passou a tratar Vitória como uma irmã de sangue. Vitória, estando grávida, também precisava dessa companhia; as duas tornaram-se inseparáveis.

— Não tenho coragem de perguntar o motivo do término, tenho medo de fazê-la chorar — disse Vitória, triste. — Estava tudo tão bem, por que terminaram?

Alice comprimiu os lábios.

— Eu soube que a pequena já viajou para a Europa com o Pedro para o concurso. Agora é que o Leo não tem chance nenhuma mesmo.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia