Capítulo 119: Amigo da onça
Leo terminou o namoro.
Ele ficou tão deprimido que passou dias sem ir à empresa.
Antônio não teve escolha a não ser assumir o posto novamente junto com Helena.
Originalmente, Alice queria assumir as rédeas, mas levou uma bronca dos pais, que pediram que ela priorizasse as coisas; nesta fase crítica, o bebê em seu ventre era o mais importante.
— A futura nora de vocês está escapando — retrucou Alice.
Antônio ergueu a sobrancelha: — Se essa se foi, virá outra.
Helena assentiu: — Talvez esse destino simplesmente não fosse o certo; o próximo será melhor.
Alice ficou sem palavras.
Bernardo Fontes procurou Paola em particular, mas ela se recusou a dizer qualquer coisa e já havia comprado a passagem de ida.
Bernardo sempre sentiu que devia muito a Paola e, não querendo pressioná-la, apenas expressou seu respeito pela decisão dela.
Alice agiu de forma ainda mais indiferente; todos achavam que, por ter uma boa relação com Paola, ela tentaria convencê-la, mas a única que não deu um pio foi ela.
Por fora estava calma, mas por dentro estava muito preocupada; chegou a contratar investigadores para analisar o relacionamento de Paola e Leo nos últimos tempos, tentando encontrar qualquer pista.
A lua de mel do casal também foi adiada devido ao término dos dois jovens.
Vitória convidou Alice para um chá da tarde, e ela aceitou.
Ao ver Jade (Ming Yun) lá, Alice entendeu na hora o plano de Vitória.
— Tinha que ser você para me entender — comentou Alice. Ao sentar, perguntou diretamente a Jade: — O seu irmão gosta da fofura de verdade?
— Com certeza. Para acompanhá-la no concurso na Europa, ele entregou o controle da empresa para a família e aceitou que o primo assumisse o cargo dele no futuro.
Alice ficou chocada.
Um homem que desiste da carreira por uma mulher era algo raro.
Vitória comentou: — Chamei a Jade apenas para você saber que, independentemente de quem a Paola escolher, ela não sairá perdendo; ela sempre será a amada.
— Eu a trato como irmã, claro que não quero que ela sofra — Alice suspirou. — Meu irmãozinho é quem está com o coração partido desta vez. Espero que ele supere logo.
— Ele vai superar, o Leo sempre foi um garoto forte. — Vitória pensou um pouco e perguntou a Jade: — Você sabe quando o seu irmão e a Paola começaram a se aproximar?
— Bem... não tenho certeza. Só sei que ele viajava muito para visitá-la no exterior. Depois da cirurgia dela no Brasil, eles se viram em particular algumas vezes. Eu percebo que ele se preocupa muito com a saúde dela e quer estar sempre por perto.
Alice sentiu que estava prestes a pescar alguma pista, mas os acontecimentos dos últimos dias foram tão complexos que a sensação passou como um flash de luz; ela não conseguiu captar o cerne da questão.
Jade disse baixinho: — Na verdade, eu tenho um interesse pessoal: se meu irmão ficar com a Paola, o Leo volta a ficar solteiro.
Alice e Vitória olharam simultaneamente para Jade.
Essa garotinha realmente não tinha filtros.
Olhando para Jade, Alice lembrou-se de outra jovem direta e sincera.
Naquela noite, enquanto Bernardo lia histórias para o bebê, Rafael (Qin Zheng) começou a esmurrar a porta do quarto; o sujeito quase botou a porta abaixo.
Alice piscou: — Educação pré-natal é importante, mas os amigos também são. Vá lá.
Na verdade, não era nada "grave": Cissa (Qin Xi) fora sequestrada por inimigos da família, que exigiam cem milhões para o resgate, caso contrário, matariam a refém.
Rafael tinha algum dinheiro, mas estava todo investido; ele não tinha liquidez.
A família de Cissa, enfrentando uma reestruturação, também não conseguia reunir cem milhões em espécie tão rápido.
Rafael queria pedir emprestado a Bernardo.
Ele não ousava arriscar chamar a polícia, temendo pela vida de Cissa.
Mas Bernardo recusou o empréstimo.
O motivo era simples:
— A Cissa é apenas sua amiga, não tenho nenhuma ligação com ela. Não vou desembolsar cem milhões em dinheiro por ela. Além disso, se a família dela não tem o dinheiro, chamem a polícia; a chance de resgate com as autoridades envolvidas é alta.
As palavras de Bernardo foram rebatidas furiosamente por Rafael.
— Quando você levou um fora da sua mulher e ficou na fossa, bebendo o dia inteiro, quem ficou do seu lado fui eu! Quando você foi atrás dela de novo, quem te deu as melhores dicas fui eu! Eu te trato como irmão e você me vem com esse descaso?
Alice estava encostada no batente da porta, assistindo à cena com desleixo.
Bernardo continuava com aquela postura irritante de superioridade: — Se VOCÊ fosse o sequestrado, eu pagaria o resgate.
Ele sentou-se calmamente e acrescentou: — Pagaria até bilhões.
Rafael: ......
Ele explodiu de raiva. Cerrou os punhos.
— Bernardo, vou perguntar pela última vez: vai emprestar ou não?
— Posso chamar a polícia para você de graça.
Rafael desmoronou.
Acertou um soco no rosto de Bernardo, gritou que a amizade deles acabara ali e saiu furioso.
Alice comentou: — Ele pegou pesado. Não sabe que esse seu rosto é a coisa mais valiosa que você tem?
Bernardo massageou a bochecha dolorida e disse com um tom enigmático: — Tem certeza de que, em todo o meu corpo, o rosto é a parte mais valiosa?
Alice captou o olhar ardente do homem, desviou o rosto e disse: — Se você não emprestar, ele vai acabar conseguindo com outra pessoa.
— Faz sentido.
Bernardo pegou o celular e, na frente de Alice, ordenou calmamente que todos os contatos de Rafael que tivessem liquidez não emprestassem um centavo a ele.
— Se o Rafael descobrir que você deu esse aviso, ele volta aqui para te dar mais dois socos.
Alice cruzou os braços, indo buscar a maleta de primeiros socos com um sorriso no rosto.
Bernardo a seguiu: — Por que sinto que você está ansiosa para que ele me bata de novo?
— Impressão sua.
— Senhora Fontes, você gosta de ver seu marido apanhar, não é?
Alice tentava conter o riso.
Quem mandou ele ser tão arrogante e posar de "deus intocável"? Bem feito.
Alice tirou a pomada para passar no rosto dele, quando Rafael entrou correndo de novo.
Ao ver a barriga enorme e redonda de Alice, Rafael recolheu o punho imediatamente para evitar um acidente.
Ele esbravejou: — Você é cruel demais! Além de não emprestar, proibiu os outros de emprestarem! Bernardo Fontes, eu cultivei um amigo ou uma cobra?
Alice cobriu a boca para não rir alto.
Bernardo assentiu sem mudar a expressão: — Uma cobra.
Rafael: ......
Quase caiu para trás.
A cara de pau desse amigo não tinha limites.
— Condições! — Rafael sabia que o tempo estava correndo; se não conseguisse o dinheiro, a garota vivaz seria morta amanhã. Ele não podia permitir.
Bernardo ponderou por um instante, acariciou o rosto da esposa com ternura e disse: — Minha esposa quer ouvir uma história.
Alice ficou cheia de pontos de interrogação: — ??
— Tem a ver comigo de novo?
— O que quer dizer?
— A história de você e da Cissa — disse Bernardo calmamente. — Você interrompeu a história que eu lia para o meu filho; agora peço que conte uma para a minha esposa. Justo, não?
Rafael:
Justo o cacete.
Contudo, Alice correu para o sofá, sentou-se com um prato de sementes de girassol e assumiu a postura mais atenta da sua vida para ouvir a fofoca...
Bernardo sentou-se relaxado ao lado dela, descascando as sementes e colocando-as na boca da esposa: — Pode começar. Não temos pressa.
Rafael xingou o "amigo da onça" mentalmente, mas pelo bem do dinheiro, teve que abrir sua ferida para entreter o casal de "vilões".