Capítulo 117: O buquê da noiva
— Ninguém acha que somos irmãos. Se alguém for sem noção o suficiente para dizer isso, eu mesma faço questão de explicar.
Cissa tem agora vinte e dois anos; tornou-se uma bela mulher, bem diferente daquela "caudinha" que vivia atrás dele na infância.
Rafael adorava implicar com ela quando eram crianças, mas também a protegia; eram como cão e gato.
Contudo, desde "aquele incidente", Rafael soube que, entre ele e Cissa, as coisas tornaram-se impossíveis.
Nos sete anos em que ela foi mandada para o exterior, muita coisa mudou.
— Cissa, você pode ser racional? Eu sou o seu irmão!
Os olhos de Cissa ficaram marejados.
Bernardo logo chamou Rafael para uma conversa e lhe deu uma bronca; ele voltou, cabisbaixo, para consolar a garota.
— Falamos de nós depois. Hoje é o grande dia do Bernardo e da Alice, não comece a chorar agora.
Cissa imediatamente aproveitou a brecha: — Então me ajude a pegar o buquê da noiva.
Rafael ia recusar, mas ao ver os olhos vermelhos dela prestes a transbordar, cedeu na hora: — Eu pego!
Rafael não decepcionou e capturou o buquê.
Cissa ficou radiante.
Devido à gravidez de Alice, Bernardo cortou vários protocolos, mas a cerimônia ainda foi exaustiva. Alice precisou de um tempo para dormir um pouco antes de descer para os brindes.
Cissa fez questão de acompanhá-la.
Como madrinha, ela tinha esse privilégio.
Jade (Ming Yun), por outro lado, foi mais discreta; exceto quando sua presença era exigida, permanecia quietinha na sala de descanso.
— Irmã Alice, eu sei que você está cansada. Só vou fazer algumas perguntas e já saio, pode ser?
— Quer perguntar sobre o Rafael?
— Sim, sim!
Olhando para o rosto puro e iluminado da jovem, Alice não pôde deixar de recordar como ela mesma era quando se apaixonou por Bernardo.
Aquela mesma entrega sincera.
— O Rafael teve muitas namoradas nesses anos — disse Alice calmamente.
Uma sombra de tristeza passou pelos olhos de Cissa, mas ela a ocultou rapidamente, dizendo com seriedade: — Ele deve ter sofrido muito nestes anos.
— Hã?
— Não, o que eu quis dizer é: o Rafael amou de verdade alguma mulher nesses anos? Ou melhor, o temperamento e os gostos dele mudaram muito?
Alice encostou-se nas almofadas macias, e seu olhar tornou-se mais suave: — Quer mesmo conquistar o Rafael?
— Com certeza. Gosto dele desde pequena, é o homem com quem jurei me casar.
— Você é muito pura, fala o que vem à mente. Saiba que, na elite, o casamento raramente é livre.
— Meus pais não me forçariam a casar com quem não gosto.
— Então por que eles foram tão cruéis a ponto de te mandar para o exterior naquela época?
Ao ouvir isso, o rosto de Cissa empalideceu instantaneamente; ela ficou sem fala.
Alice, compreendendo sua dor, disse gentilmente: — Escute sua irmã: você e o Rafael são tipos de pessoas diferentes. Pelo bem do futuro e da paz de ambos, não force as coisas.
Desde que Cissa voltara ao país para estagiar no Hospital Central e passara a perseguir Rafael para casar, Alice ouvira inúmeras reclamações dele na Mansão do Horizonte.
Ela gostava daquela garota doce e chegara a aconselhar Rafael a parar de galantear e encontrar uma boa mulher para casar.
Rafael apenas desconversava e, desde então, parara de mencionar Cissa na frente dela.
Alice achou que ele guardava rancor, mas ao perguntar a Bernardo, descobriu que o exílio de sete anos de Cissa tivera a ver com Rafael.
Rafael não conseguia superar o próprio bloqueio mental.
Da mesma forma, ele não se permitia arriscar novamente mantendo Cissa por perto.
Alice quis saber o motivo real, mas Bernardo mudou de assunto.
Na verdade, ela também queria perguntar à Cissa o que causara sua partida, mas não teve coragem de abrir a cicatriz da jovem.
Para fazer pais tão amorosos mandarem a filha para longe por sete anos, o motivo deve ter sido grave.
— Irmã Alice, eu entendi o que quis dizer, mas quero persistir. Descanse bem, eu já vou indo.
Ao sair, Cissa não esqueceu de abraçar o buquê da noiva com todo o cuidado.
Fora Rafael quem pegara para ela.
A próxima noiva, com certeza, seria ela.
Alice piscou, sentindo uma pontada de tristeza inexplicável. Ela era assim: não suportava ver amores não correspondidos ou jovens puras sofrendo por amor.
Subitamente, perdeu o sono.
Bernardo entrou trazendo uma tigela de ninho de andorinha (sopa tônica). Ao vê-la acordada e com os olhos bem abertos, estranhou: — Não estava exausta? Por que não dorme?
Ele ajudou Alice a se sentar, deixando-a encostada em seu peito, e começou a alimentá-la.
Alice aceitou uma colherada e olhou curiosa para ele.
— O Rafael pegou o buquê. A Cissa veio falar comigo agora pouco segurando as flores.
Bernardo, inteligente como sempre, entendeu o recado.
— Quer interceder pela Cissa? Quer que o Rafael dê uma chance a ela?
— Eu apenas não quero que duas pessoas que se gostam se percam. — No olhar ardente de Alice refletia-se o rosto atraente de Bernardo. Ao vê-la tão focada nele, o coração dele finalmente pareceu se abrir.
— Soube que os pais da Cissa tiveram problemas com um negócio e ofenderam gente poderosa. Eu pretendia ajudar.
Alice perguntou: — E então...
— Não vou mais interferir. Deixarei que o Rafael resolva.
— Ah?
— Você não disse que o Iago anda entediado? Vou dar algo para ele fazer também.
Com poucas palavras, Bernardo resolveu as preocupações de Alice. Ela encostou-se nele, feliz: — Bernardo, você é incrível.
— Agora, pode dormir?
— Só se você ficar comigo.
— Tudo bem.
Bernardo terminou de alimentá-la com paciência, encostou-se na cabeceira e serviu de travesseiro para ela com o próprio braço, dando tapinhas leves em seu ombro para niná-la.
Quem visse a cena diria:
A Senhora Fontes tem muita sorte.
Sobre Rafael e Cissa, embora Bernardo tivesse um plano geral, tudo dependia de haver sentimento real entre os dois.
Após o casamento, Bernardo organizou o trabalho para levar Alice em lua de mel para o litoral.
Ao voltarem, estariam próximos da data do parto.
Sendo o primeiro filho — e possivelmente o único —, ambos não queriam riscos. Alice já não era mais responsável pelo dia a dia dos Guimarães e Bernardo deixara tudo engatilhado no Grupo Fontes; partiriam em jato particular em três dias.
Vendo a irmã prestes a viajar, Leo sentia um misto de empolgação e ansiedade.
Antônio o despachou para a Mansão do Horizonte para "visitar a irmã grávida".
Alice, após o aviso do pai, ficou à espera de Leo, mas ele não aparecia. Ela estranhou; será que o garoto desviara o caminho com a canja que a mãe preparara?
Tentou ligar, mas o celular dele dava apenas fora de área.
Aos poucos, Alice começou a entrar em pânico. Contatou Bernardo imediatamente, que pediu calma e mandou Zeca procurá-lo.
Para sua surpresa, quando o encontraram, já era noite, e Leo estava em uma delegacia de bairro.
Alice ficou indignada.
Pediu que o motorista a levasse até lá para buscá-lo.
Zeca surpreendeu-se ao vê-la chegar pessoalmente: — Senhora, o que faz aqui? Nesse estado, este lugar...
— Não tem problema — disse Alice. — Onde está aquele moleque?
— Lá dentro. O caso foi o seguinte...