Capítulo 50: Coração de Serpente, Eliminando Obstáculos
As emoções de Beto atingiram um nível alarmante.
Seu peito subia e descia violentamente, os olhos estavam injetados de sangue e as veias de sua testa saltavam.
— O remédio... está no meu bolso... rápido...
Ricardo, usando luvas descartáveis, retirou rapidamente um frasco do bolso de Beto.
— Dois comprimidos...
Ricardo colocou a dose na mão dele. Beto engoliu a seco, mas, após alguns instantes, o efeito não veio. Ele parecia uma fera enlouquecida, suando frio e encarando a todos como se fosse atacar a qualquer segundo.
Ricardo o segurou com firmeza.
— Beto, o que está acontecendo?
— Eu tenho transtorno de impulsividade... o remédio sempre controla... por que não está funcionando? Está doendo...
Alice aproximou-se e pegou o frasco. Ao cheirar o conteúdo, suas sobrancelhas se franziram.
— Isso não é remédio controlado. São apenas vitaminas comuns.
Ela tirou uma toalha da maleta e cobriu levemente o nariz e a boca de Beto. Não para sufocá-lo, mas para quebrar o ritmo da hiperventilação.
— Lipe, consiga uma contenção agora!
Seguindo as instruções de Alice, Ricardo e Lipe imobilizaram os membros de Beto.
— Beto, siga o meu ritmo. Respire fundo... — A voz de Alice era suave e calmante. — Inspira... expira... isso, muito bem.
Aos poucos, a fúria de Beto diminuiu. O brilho selvagem nos olhos deu lugar a uma névoa de exaustão.
Ricardo agachou-se diante dele, com um olhar inquisidor:
— Beto, você sabia que seu remédio foi trocado?
Beto balançou a cabeça. Ele mesmo buscava a medicação no hospital e a mantinha sempre consigo. Como poderia ter sido trocada?
— Só alguém com muita intimidade poderia fazer isso sem você notar — continuou Ricardo. — Pense: quem ganharia com você perdendo o controle e cometendo um crime sem volta?
As pupilas de Beto se contraíram. A única pessoa seria a Sara. Mas por que ela faria isso? Ela dizia que o amava.
Ricardo percebeu a dúvida dele.
— Você diz que a Camila te desprezava e que o Mateus usava a Sara, mas essas foram histórias que a Sara te contou. Você já confirmou esses fatos?
Mateus, que estava por perto ainda trêmulo, interveio:
— Eu nunca forcei a Sara a nada! Ela sempre se voluntariava para os eventos com clientes. Ela é extremamente ambiciosa e gananciosa. Eu só a contratei por causa da Camila!
Beto negava com a cabeça: — Não... a Sara é boa... ela foi corrompida por vocês...
Ricardo estreitou os olhos:
— Se a Sara trocou seu remédio, o objetivo era te induzir a um surto para que você fizesse o "trabalho sujo" por ela. Sabe qual seria o seu fim? A cadeia perpétua. Se ela te amasse, faria isso com você?
Beto tremia: — Talvez... talvez o hospital tenha errado...
— Pare de se enganar. Ligue para ela agora, conforme minhas instruções.
Ricardo discou o número de Sara no celular de Beto e colocou no viva-voz.
— Beto? Onde você está? — atendeu Sara.
Beto, respirando fundo, seguiu o roteiro de Ricardo: — Sara... eu matei o Mateus.
Houve um silêncio longo do outro lado.
— O quê? Você matou ele?
— Sim.
— Beto... como pôde ser tão impulsivo? A Camila e o Mateus te tratavam como lixo e queriam nos separar, mas eu não achei que você chegaria a tanto. Se a Camila descobrir, ela vai te denunciar...
— Sara, os obstáculos acabaram. Volta para mim, por favor.
— Eu queria muito, Beto... mas se a Camila souber que voltamos, ela vai suspeitar de você. Se ela tivesse morrido naquela noite no banquete, tudo seria mais fácil. Sem ela, ninguém mais nos impediria.
O silêncio tomou conta da clareira. Alice sentiu arrepios. Aquela Sara era uma verdadeira víbora; suas palavras incentivavam Beto a terminar o serviço com Camila.
— Sara, você tem tempo? Quero te ver.
— Agora não dá, Beto. Se a Camila desconfiar, eu perco tudo...
— Aquela piranha... eu vou dar um jeito nela.
— Beto, embora ela te ache um "zé ninguém", eu acho você incrível. Só não faça nada sem pensar, está bem?
— Matar um ou dois não faz diferença agora.
— Beto, a Camila está me ligando agora. Ela deve estar com medo que eu fale com você. Preciso desligar.
Sara encerrou a chamada. Beto olhou para Ricardo com os olhos vermelhos:
— Viu, inspetor? É a Camila que impede tudo! Ela é o demônio da nossa vida!
Ricardo pegou o próprio celular.
— Eu deixei policiais de guarda na porta da Camila. Vou perguntar se ela ligou para alguém.
O policial no hospital confirmou: Camila estava dormindo sob efeito de sedativos e não fizera nenhuma ligação.
Beto empalideceu: — A Sara não mentiria para mim...
— Quer saber o que ela está fazendo agora?
— Eu sei o que ela faz. Ela é uma mulher de casa, nunca sai para se aventurar.
Ricardo deu um sorriso frio:
— Quando vim te prender, deixei uma equipe vigiando o prédio dela.
O rádio de Ricardo chiou. Era o policial da vigilância:
— Capitão, a Sara acabou de sair de casa. Ela está entrando em um beco escuro agora.
— Sigam-na. Não deixem que ela perceba — ordenou Ricardo.