Capítulo 48: Encontrando o Culpado, Ele Implora para Voltar
— É o Beto, namorado da Sara. Ele trabalhou como treinador de aves no zoológico municipal.
O olhar de Ricardo tornou-se gélido.
— Já localizaram o Beto?
— Ainda não...
Antes que Lipe terminasse, o celular de Ricardo tocou. Era o comando da Polícia Civil. Após desligar, Ricardo estava com o semblante sombrio.
— O Mateus desapareceu.
Ele olhou para Alice. Ela permaneceu indiferente.
— A família Mateus deve estar pressionando o comando para encontrá-lo logo, não é?
Ricardo assentiu. O sumiço de Mateus neste momento provavelmente tinha ligação com Beto.
— A família diz que o Mateus foi afogar as mágoas em um bar. O motorista foi buscá-lo, mas no caminho foi agredido, desmaiou e foi deixado na rua. O carro foi levado e o Mateus sumiu com ele.
Ricardo ordenou a Lipe: — Verifique as câmeras do bar. Alice, venha comigo até o local onde o motorista foi atacado.
O local era um beco estreito. O motorista estava com a cabeça enfaixada e relatou:
— Eu estava dirigindo quando um homem curvado, usando uma bengala, surgiu na frente do carro. Eu desci para ajudar e ele me golpeou com a bengala. Depois usou um lenço com éter no meu nariz.
— Onde exatamente o carro foi atingido?
O motorista apontou e Ricardo agachou-se para analisar o chão minuciosamente. Alice observava o foco dele com admiração silenciosa. Ricardo notou algo e calçou as luvas, pegando uma amostra de terra com os dedos. Ele cheirou e analisou a textura.
— Capitão, o que encontrou? — perguntou Alice.
— Veja esta terra. É argila vermelha.
Alice observou: — É verdade.
— Aqui o solo é arenoso e amarelado. Somente na região da Gruta dos Morcegos, na zona oeste, existe essa terra vermelha de alta viscosidade. Como choveu lá nos últimos dois dias, essa lama gruda no sapato e só sai com lavagem pesada. Além disso... sinto cheiro de guano (fezes de morcego) misturado.
Alice fez um sinal de positivo.
— Vocês da investigação têm olhos de microscópio e narizes de cães farejadores.
Ricardo sentiu um leve rubor na nuca com o elogio.
— Vamos para a Gruta dos Morcegos agora. — Ele avisou a equipe pelo rádio.
...
Diante da Gruta dos Morcegos, havia uma árvore centenária. Mateus estava pendurado nela, amarrado por cordas. Já sóbrio e apavorado, ele encarava o homem mascarado à sua frente.
— Você sabe quem eu sou? Solte-me agora ou você não terá onde se esconder!
O homem retirou a máscara e soprou um apito. Imediatamente, uma nuvem negra de morcegos saiu da gruta, cercando Mateus. O pânico de Mateus era visível; ele empalideceu ao extremo.
— Quem é você? O que quer? Eu te dou dinheiro...
— Vocês capitalistas só pensam em dinheiro! — gritou o homem furioso. — Vocês estragaram a cabeça da minha namorada!
Mateus franziu a testa: — Eu nem conheço sua namorada!
— O nome dela é Sara! Você a contratou para levar a clientes e apresentá-la a ricaços. Você e aquela amante, Camila, merecem morrer!
Mateus arregalou os olhos: — Foi você que envenenou a Camila?
— Foi! Ela ficava dizendo para a Sara que eu não era homem para ela, incentivando a Sara a procurar um "partido melhor". Ela a transformou em uma mulher fútil e ambiciosa!
Mateus percebeu o mal-entendido. Sara era a melhor amiga de Camila; ele dera oportunidades na empresa apenas por consideração à Camila, para que ela ganhasse experiência no departamento de Relações Públicas. Mas, para o namorado ciumento, aquilo parecia outra coisa.
— Se eu apitar de novo, esses morcegos vão dilacerar seu rosto e rasgar sua pele — ameaçou Beto. — Posso não ter dinheiro, mas vou te fazer sentir o que é o inferno.
Mateus tremia. No momento em que Beto ia apitar, uma pedra pequena voou pelo ar, atingindo o pulso do agressor com precisão. O apito caiu no chão.
— Polícia! Parado!
Ricardo e sua equipe surgiram da mata. De arma em punho, Ricardo mirou Beto: — Mãos na cabeça! No chão, agora!
Sem o apito, Beto perdeu o controle dos animais e foi algemado.
Lipe e Biel soltaram Mateus da árvore. Assim que tocou o chão, Mateus viu Alice e correu em sua direção como se ela fosse sua salvação.
— Alice... meu amor... — Ele tentou abraçá-la com os olhos marejados.
Alice agiu como se visse algo asqueroso. Antes que ele se aproximasse, ela desferiu um chute certeiro no peito do ex-marido. Mateus caiu de costas.
Ele não se irritou. Olhou para ela com uma expressão de súplica:
— Alice, eu errei. Eu prometo que nunca mais vou te trair e nunca mais vou reclamar do seu trabalho. Vamos esquecer tudo e casar de novo, por favor?