Capítulo 47: Ciúme Discreto, Agradando-a
Alice era, de fato, audaciosa na vida privada.
No entanto, dentro da delegacia, ela não ousava agir de forma desenfreada. Afinal, ambos eram funcionários públicos e precisavam zelar pela imagem institucional.
Com a cintura pressionada pela mão grande do homem, ela estava imobilizada, sentada no colo dele com o coração disparado.
Ela olhou para ele com os cílios tremendo levemente.
— Você não tem medo?
Ricardo recostou o corpo imponente na poltrona de couro. As linhas de seu rosto eram rígidas e marcantes, exalando uma aura de "proibido" e virilidade rústica.
Alice notou o pomo de Adão dele mover-se sutilmente.
Ela teve a nítida sensação de que ele a estava provocando, mesmo sem dizer nada. Para ser honesta, naquele estado, ela sentia uma vontade imensa de beijá-lo.
Os olhos dele, estreitos e profundos, eram como redemoinhos capazes de sugar qualquer um para dentro.
Alice sentiu as orelhas esquentarem sob aquele olhar.
— Por que você não diz nada?
Ricardo franziu levemente a sobrancelha.
— No banquete do vovô hoje... você foi injustiçada?
Alice paralisou por um segundo, mas logo reagiu. Ergueu o queixo como um pavão orgulhoso.
— Injustiçada? Eu dei um show hoje à noite!
Ela não resistiu e começou a contar como deu o troco em Mateus e o fez passar vergonha diante de todos. Enquanto falava empolgada, sentiu algo frio tocar seu pulso.
Ao olhar para baixo, viu que havia uma pulseira em seu braço.
Era um lançamento de uma marca de luxo, cujo valor certamente ultrapassava os cinco dígitos. Os pequenos diamantes brilhavam intensamente sob a luz do escritório.
Alice piscou, surpresa.
— Por que está me dando isso?
Aquela joia devia custar vários meses do salário dele!
Ricardo manteve o olhar fixo nela, com as emoções ocultas.
— Comprei durante a viagem de trabalho.
Alice analisou a pulseira, franzindo a testa.
— Isso é muito caro. Não, sério... por que me dar um presente desses?
O rosto austero de Ricardo mostrou um leve desconforto.
— Você me "ajudou" antes de eu viajar.
Alice olhou para os próprios dedos finos e entendeu imediatamente o que ele quis dizer com "ajuda". Seu olhar vacilou e sua expressão tornou-se sem jeito. Sem coragem de encará-lo, ela resmungou:
— Não precisava de um presente tão caro por causa disso!
Ela tentou tirar a pulseira para devolver, mas a mão dele a impediu com firmeza. Sua voz soou grave e autoritária:
— Use. Não tire.
Alice comprimiu os lábios e levantou o olhar brilhante para ele.
— Por que não dá para a Camila? Ela está frágil e precisando de carinho agora. Se você der para ela, talvez...
Antes que terminasse, ele a interrompeu com o rosto sombrio e a voz gélida:
— Alice, por que você sempre tem que mencionar a Camila?
Alice ia responder, mas ele continuou, cortante:
— Você se importa tanto com ela? Está com ciúmes?
— Ciúmes de quê? Não seja convencido — rebateu ela com irritação. — Só acho que, como ela sofreu um acidente e você é o ex-noivo, deve estar sentindo um aperto no peito.
Os músculos do rosto de Ricardo tensionaram-se.
— Eu já não disse que não sinto nada por ela? — Ele fez uma pausa e acrescentou em voz baixa: — Você foi a minha primeira mulher.
Alice arregalou os olhos, incrédula, e um sorriso surgiu em seus lábios.
— Não brinca! Você tem vinte e oito anos e ainda era um "novato"? Nunca tinha ido para a cama com a Camila?
Antes que terminasse a frase, a mão dele cobriu sua boca. Ele a encarou com as orelhas vermelhas.
— Quer falar mais alto para a delegacia inteira ouvir?
Alice estava realmente chocada. Jamais imaginou que aquela noite casual fora a primeira dele.
— Mas sua performance na cama não parecia nada com a de alguém sem experiência — comentou ela entre risos, com um brilho radiante no olhar. — Você tem um talento natural, aprendeu sozinho?
Ricardo parecia pronto para explodir de vergonha.
— Alice, experimente rir de mim mais uma vez para ver o que acontece.
Ele conta algo tão íntimo e ela ainda zomba dele.
Alice riu ainda mais.
— E se eu rir, o que você vai fa... hum!
As palavras foram silenciadas pelos lábios firmes e potentes de Ricardo. Alice arregalou os olhos; o beijo foi impetuoso, roubando-lhe o fôlego e os sentidos instantaneamente. Após uma semana longe, o contato dos lábios parecia disparar descargas elétricas por todo o corpo. O hálito dele era ardente, como se quisesse fundi-la a ele.
Ele segurava sua cintura com uma mão e a nuca com a outra, mantendo-a presa em seu abraço possessivo.
A porta do escritório estava apenas encostada; qualquer um poderia entrar a qualquer momento. O coração de Alice batia como um tambor, uma mistura de medo e excitação. Aquela sensação de segredo proibido era perigosamente estimulante. Ele forçou a passagem entre os dentes dela, invadindo-a completamente com seu aroma masculino.
— Chefe...
De repente, a voz de Lipe ecoou do lado de fora.
Alice estremeceu de susto e tentou pular do colo de Ricardo na hora. No entanto, ele não a soltou. Ele a encarou de perto, com os olhos negros e a respiração quente.
— Vai rir de novo?
Alice, em pânico, rendeu-se imediatamente:
— Não rio mais, prometo!
Ele ainda demorou a soltá-la, acariciando sua cintura por cima da roupa.
— Vai mencionar a Camila de novo?
Alice estava rendida. Suportando o formigamento na cintura, sibilou:
— Nunca mais!
Os passos de Lipe aproximavam-se. No exato segundo em que a porta foi empurrada, Ricardo a soltou. Alice agachou-se rapidamente, fingindo que um documento havia caído, enquanto ajeitava o cabelo e a roupa. Levantou-se com o papel na mão, evitando o olhar de Lipe por puro constrangimento.
Lipe entrou surpreso: — Alice! Você também está aqui?
Ele notou algo estranho.
— Alice, por que sua boca está inchada? É alergia?
Alice agradeceu internamente pelo fato de Lipe e os outros serem homens práticos e sem malícia para essas coisas.
— Foi um mosquito — disse ela, lançando um olhar de soslaio para o homem sentado na poltrona, que mantinha uma calma impecável. Ricardo era um mestre na arte de fingir: um oficial exemplar na frente de todos, um predador entre quatro paredes.
Lipe riu: — Mosquitos têm bom gosto, só picam mulheres bonitas. Alguém rústico como eu eles nem chegam perto; no máximo me picam o braço, jamais a boca.
Alice deu um sorriso sem jeito.
Ricardo cortou o assunto: — Chega. Vamos ao que interessa.
Lipe pegou o celular e mostrou um vídeo.
— Encontramos uma figura suspeita nas câmeras externas da mansão dos Mateus. Ele apareceu no mesmo horário, entre 19h e 20h, totalmente camuflado por vários dias seguidos.
Ricardo estreitou os olhos.
— Identificaram quem é?
Lipe assentiu: — Sim. É o...