Capítulo 44: Incidente Abrupto, Crime na Piscina
Os convidados já haviam partido; na mansão restavam apenas Alice e os membros da família Mateus. O grito agudo da empregada assustou a todos. A mais calma, por hábito profissional, era Alice.
— Vamos ver o que houve! — disse ela, correndo em direção ao jardim.
Ao chegarem à beira da piscina, viram a empregada caída no chão, tremendo e apontando para a água.
— Alguém... alguém morreu!
Alice aproximou-se rapidamente. A água da piscina estava manchada de um vermelho escuro. Camila boiava na superfície, seus longos cabelos negros espalhados como tinta na água, e seu vestido de gala estava encharcado de sangue.
Mateus, ao ver a cena, sentiu as pernas falharem e quase caiu. Regina e os outros entraram em pânico, sem saber o que fazer.
Alice olhou para Camila. Naquele momento, não a via como a amante, mas como uma vítima. Ela rapidamente calçou luvas descartáveis que trazia na bolsa e deu ordens precisas:
— Tragam toalhas grossas e uma tábua de madeira larga agora! Chamem a ambulância e a polícia imediatamente!
Ela isolou a área, impedindo que os outros se aproximassem e contaminassem a cena. Quando a tábua chegou, ela e dois empregados conseguiram retirar Camila da água com cuidado. Alice colocou toalhas sob ela e, com as luvas, checou a artéria carótida.
Pressionou por um momento, ouviu os batimentos e limpou a espuma de sangue da boca e do nariz da vítima para evitar obstrução respiratória.
— Ela ainda respira, mas o pulso está muito fraco — Alice olhou para o Mateus em choque. — Já chamaram o resgate? Digam para trazerem equipamentos de obstetrícia e gastroenterologia. Ela vai perder o bebê com certeza!
Mateus sentiu a cabeça girar. Perder o bebê? Como aquilo aconteceu?
— Alice! Foi você que envenenou a Camila, não foi? — gritou Regina, furiosa.
Alice levantou o olhar gélido para ela:
— Com esse seu raciocínio, não me admira que seu marido tenha um filho fora do casamento. Eu não saí de perto de vocês por um segundo; como eu a envenenaria? Além do mais, seu filho é um traste que não vale o risco de eu manchar a minha ética profissional.
Regina ficou sem palavras, alternando entre o pálido e o vermelho de raiva. Mateus interveio:
— Mãe, cale a boca. A Alice jamais faria algo assim.
Ele sabia que, se Alice quisesse se vingar, já o teria feito há muito tempo.
A ambulância chegou e levou Camila. Pouco depois, Ricardo e sua equipe chegaram ao local. Fazia quase uma semana que não se viam. Alice levantou os olhos e encontrou o olhar dele.
Ele vestia o uniforme impecável da Polícia Civil, com as insígnias brilhando e o cinto tático ajustado. Ricardo exalava uma autoridade austera e imponente.
Mateus sentiu-se desconfortável ao ver Ricardo — ele sabia que aquele era o ex-noivo de Camila.
Ricardo trazia consigo uma aura de "não se aproxime". Conforme ele avançava, o ambiente ficava em silêncio. Alice conteve suas emoções e assumiu o tom profissional:
— Capitão, a vítima não apresenta sinais óbvios de violência física externa. Há espuma de sangue amarronzada nos cantos da boca. O diagnóstico preliminar é intoxicação por colchicina.
Ela mostrou a Ricardo as fotos que tirou da cena. Ricardo manteve o rosto impessoal, apenas assentiu e ordenou que Lipe isolasse a área com fita zebrada. Vic trouxe a maleta de Alice. Ela recolheu a taça de sopa que estava caída e colocou em um saco de evidências.
— Vou levar para análise no laboratório agora.
Ricardo assentiu: — Bom trabalho.
Alice olhou para ele por um segundo e acrescentou:
— Se o socorro foi rápido o suficiente, ela deve sobreviver.
Afinal, era a ex-noiva dele; Alice sabia que ele poderia estar abalado por dentro.
Ricardo apenas respondeu com um tom indecifrável: — Entendido.
Após a saída de Alice, Ricardo ordenou que Lipe buscasse as imagens das câmeras e que Biel iniciasse a perícia de campo. Ele aproximou-se da empregada que ainda estava no chão.
— Fique calma e conte tudo. Como encontrou a senhorita Camila? Qual era o estado dela? Viu mais alguém por aqui?
Diante da presença intimidadora de Ricardo, a empregada gaguejava:
— Eu... eu vim recolher as bandejas e taças. Antes de chegar à piscina, ouvi um grito. Corri para cá e vi a senhorita caindo na água... havia muito sangue... Chamei por ela, mas ela não respondia. Achei que estivesse morta e comecei a gritar!
— Viu mais alguém por perto? — perguntou Ricardo.
— Ninguém, senhor.
Ricardo conferiu as câmeras.
— Chefe, a câmera da piscina está voltada para o leste. Só pegou metade do corpo da Camila na cadeira. A mesa onde estava a sopa ficou em um ponto cego.
No vídeo, Camila aparecia de lado, fazendo o movimento de tomar a sopa. Pouco depois, ela tentava se levantar, cambaleava e caía na piscina.
— Tragam a empregada que serviu a sopa — ordenou Ricardo.
A mulher chegou apavorada: — Inspetor, trabalho aqui há dez anos! Jamais faria isso. Só segui as ordens do patrão e levei a sopa para a moça. Depois voltei para a cozinha.
Ricardo verificou as câmeras da cozinha e do trajeto; a empregada agira sozinha e sem desvios. Ele pegou a lista de convidados e seguiu com a equipe para o hospital.
Camila estava em cirurgia. Sara, a amiga de Camila, apareceu no hospital e, ao ver Ricardo, gritou:
— Com certeza foi a Alice! Ricardo, você era noivo dela, não seja frouxo! Prenda a Alice agora e faça ela apodrecer na cadeia!
Ricardo franziu o cenho, o olhar cortante:
— Por que você afirma que foi a Alice?