Capítulo 42: Uma Cena Chocante
— Camila, você ouviu? A Alice está lá em cima com outro homem! — Sara puxava Camila escada acima. — Eu sabia que ela não prestava com aquele jeito de piranha de luxo!
O coração de Camila batia forte. Mateus prometera que ninguém a veria como "a outra". Ela se perguntava o que ele faria; teria ele armado tudo isso?
Ela não imaginava que ele chegaria a esse extremo por ela.
Alice pode ser linda, mas não conseguiu segurar o coração do Mateus.
Ver um homem entregar a própria ex-esposa para outro mostrava o quão pouco ela significava para ele. Camila fervia de ansiedade para ver Alice desonrada diante de todos.
Regina, o Vovô Mateus e a multidão de convidados pararam diante de uma das suítes de hóspedes. A porta estava entreaberta.
Lá de dentro, ouviam-se sons nítidos de respiração ofegante e movimentos carnais.
Regina olhou para o sogro, cujo rosto estava transtornado, e destilou seu veneno:
— Pai, o senhor ouviu? Quanta audácia da Alice fazer uma pouca vergonha dessas no seu aniversário!
Os convidados começaram a cochichar:
— Ela não é legista? Deve ter ficado perturbada de tanto mexer com defuntos. Que falta de pudor!
— Os Mateus foram tão bons para ela. Mesmo após a ruína da família dela, mantiveram o casamento. Quanta ingratidão!
— Que sem-vergonha! Envergonhando a família desse jeito. É uma vagabunda nata.
— O Mateus tem que se divorciar dessa mulher agora mesmo!
Ao ouvir os insultos, Regina sorriu. Alice estava acabada!
— Por que estão me xingando? Aconteceu alguma coisa? — Uma voz feminina melodiosa soou atrás da multidão.
Todos se viraram e ficaram boquiabertos ao ver Alice saindo da sala vizinha, impecável.
A multidão abriu caminho. Regina empalideceu bruscamente.
O Vovô Mateus suspirou de alívio e segurou a mão de Alice: — Minha filha, eu sabia que você não faria isso.
Alice assentiu: — Vovô, obrigada por confiar em mim.
Regina estava em choque. Pelo plano, Alice deveria estar lá dentro com o Seu Vanderlei. Se ela estava ali, quem estava na cama?
Os sons vindos do quarto ficaram ainda mais altos.
— Nossa, quem teria a coragem de fazer isso aqui? — Alice aproveitou o torpor de Regina, avançou e acendeu a luz do quarto bruscamente.
Sob a luz forte, o Seu Vanderlei, em cima da cama, paralisou.
— O quê? Mas é um homem? — gritou ele, perdendo o efeito do álcool.
A pessoa sob ele, ainda zonza pelo entorpecente, tentava abrir o cinto de Vanderlei com as mãos trêmulas.
A multidão ficou em choque ao reconhecer a pessoa sob o empresário.
Regina quase desmaiou; seu rosto ficou branco como papel.
Aquele era seu filho,
Mateus!
Ficava claro que Mateus não estava em si. Provavelmente, ele acabara bebendo a taça "batizada" que era para Alice.
O Vovô Mateus, ao ver aquela cena degradante, explodiu de fúria:
— Alguém jogue água nesse infeliz agora!
O mordomo correu ao banheiro, trouxe um balde e despejou no rosto de Mateus. O choque térmico o fez recuperar parte da consciência. Ao perceber o que estava fazendo e com quem, o sangue subiu ao seu rosto.
Embora não tivessem chegado ao ato final, ambos estavam sem camisa e se atracando há um bom tempo. Mateus sentiu um enjoo mortal; a náusea quase o fez vomitar ali mesmo.
— Pai, isso é uma armação! Alguém armou para o Mateus e o Seu Vanderlei! — Regina lançou um olhar assassino para Alice.
Mateus, tentando se vestir às pressas entre a humilhação e a fúria, gritou: — Foi ela! Ela me empurrou para dentro do quarto!
Regina levantou a mão para esbofetear Alice.
Mas antes que a atingisse, Alice agarrou o pulso dela com força e, num movimento rápido, desferiu um tapa certeiro no rosto da ex-sogra.
TAP!
O silêncio foi absoluto. Os convidados olhavam incrédulos. Regina era uma autoridade na família; como Alice ousava agredi-la em público? Até o avô franziu a testa.
Alice deu um passo à frente, encarando Regina com olhos de gelo:
— Fui eu que empurrei seu filho para dentro. E saiba que estou sendo muito gentil em te dar apenas um tapa!
Regina gritava, transtornada: — Você confessa que armou para ele? E ainda bate na sua sogra? Alice, você nunca mais terá lugar nesta cidade!
Alice curvou os lábios em um sorriso frio.
— Se vocês dois não têm vergonha de agir de forma tão sórdida, por que eu, que sou íntegra, teria medo de vocês?
A multidão começou a murmurar contra a arrogância de Alice. Sara e Camila se aproximaram.
— Destruir a reputação do marido, bater na sogra... que mulher víbora! Antigamente você seria jogada no rio amarrada em uma gaiola! — exclamou Sara com desprezo.
Alice olhou para Sara e riu: — Você deve ser a "melhor amiga" da amante, não é? Ótimo, vou cuidar de vocês uma por uma.
Alice nunca fora de levar desaforo para casa. No divórcio, aceitou os cem milhões e não quis destruir Mateus totalmente, mas agora, ela não teria piedade.
Ela encarou Regina: — Você sabe muito bem por que fiz isso com você e seu filho.
Alice era alta e estava de saltos, dominando Regina fisicamente com sua aura implacável. Regina tentou manter a pose:
— Seu pai e sua irmã morreram cedo, sua mãe criou um filho autista e não teve tempo de te dar educação. Hoje eu vou te ensinar o que é respeito—
Ela levantou a mão novamente.
Alice, como legista, não tinha o treino de Ricardo, mas contra uma mulher frágil como Regina, era mais que suficiente. Ela travou o braço da ex-sogra e a empurrou com força. Regina caiu de forma patética no chão.
— Alice! Como ousa empurrar minha mãe? — rugiu Mateus.
Alice ignorou o ex-marido. Ela simplesmente pegou o celular e deu play em uma gravação.