Capítulo 40: O Prêmio Dela, o Desvario Dele
O homem parado à porta vestia uma camiseta camuflada folgada e calças casuais. Seus olhos estreitos carregavam um rastro de sono; ficava claro que acabara de acordar.
Alice sentiu um calafrio percorrer sua espinha, uma emoção diferente brotando em seu peito. Ela realmente não esperava que, por trás daquela aparência rústica e fria, houvesse um coração tão atencioso.
— Eu sou uma feiticeira faminta há séculos. O Capitão se entregando assim em plena madrugada... não tem medo que eu te devore?
O homem estreitou os olhos.
— Não disse que estava naqueles dias? Como vai me devorar?
Alice trocou um olhar com ele, estendeu a mão e o puxou para dentro do apartamento.
— Uma oportunidade dessas não se joga fora. Não vou deixar o banquete escapar.
Ela fechou a porta e o levou pelo pulso até o seu quarto. Ricardo olhou para os dedos finos e brancos que o guiavam; suas feições rígidas suavizaram-se levemente.
O quarto de Alice era o oposto absoluto do de Ricardo — que era cinza, frio e impessoal. O dela era decorado em tons pastéis, com um ar extremamente feminino e delicado. Criava um contraste enorme com sua aparência glamorosa e personalidade dominante.
O jogo de cama de Alice era cor-de-rosa. Ela mal podia esperar para ver o Capitão durão e rústico deitado ali. Estava ansiosa.
— Capitão Ricardo, deite logo. Quero tirar uma foto sua assim.
Ela estendeu a mão para pegar o celular, mas o aparelho foi pressionado pela mão grande do homem.
— Nem pensar. Se tirar foto, eu vou embora.
Alice fez um biquinho.
— Pão-duro de imagem.
Ela o empurrou para a cama. Com seus ombros largos, cintura estreita e pernas longas, ele parecia ocupar metade do espaço ao se deitar. As costas musculosas amassavam o lençol rosa de forma sugestiva; a renda do travesseiro roçava o braço firme dele. Era o encontro do aço com a seda, uma mistura de proibido e aconchegante.
Ricardo percebeu que Alice o observava com um brilho intenso nos olhos. Seu pomo de Adão moveu-se.
— Vai dormir ou não?
— Vou! — Alice assentiu rapidamente e deitou-se ao lado dele.
Apoiando o rosto na mão, ela o olhou de lado.
— Por que veio dormir comigo? Achei que me detestasse.
Ele lançou um olhar de soslaio para ela.
— Quando foi que eu disse que te detestava?
— Eu perguntei se gostava de mim e você disse que não.
Ricardo estendeu o braço longo e a puxou para o seu peito.
— Está tarde. Durma.
Alice: — ...
O quarto estava iluminado apenas por uma arandela de luz suave. Nos braços do homem, Alice olhou para cima. De sua posição, via apenas o pomo de Adão proeminente e a mandíbula severa dele. Ela não resistiu e tocou o pescoço dele com o dedo.
— Capitão, obrigada... ~
Ricardo segurou a mão dela que o provocava.
— Fique quieta e durma.
Alice subitamente perdeu o sono. Ela aproximou o rosto e sussurrou perto do ouvido dele:
— Já que veio dormir comigo, que tal eu te dar um prêmio?
Ricardo olhou para ela.
— Que prêmio?
Os dedos dela deslizaram do peito para o abdômen dele e ela sussurrou três palavras no ouvido do homem. O corpo de Ricardo tensionou-se bruscamente. Ele cerrou os lábios, em silêncio.
— Você quer o prêmio ou não? — Ela provocava, roçando o abdômen definido dele por cima da roupa.
A respiração de Ricardo tornou-se pesada.
— Alice, pare de me tentar...
— Só responda: quer ou não quer?
Mal terminou de falar, ele baixou o rosto e a beijou intensamente. Sua mão grande segurou a cintura dela, colando-a a ele. Alice fechou os olhos, retribuindo o beijo. Foi um momento de fogo e desejo, extremamente ambíguo.
Ao fim do beijo, ele enterrou o rosto no pescoço dela, a respiração ardente. Ele segurou a mão branca dela, acariciando a palma com o polegar áspero. Seu pomo de Adão moveu-se e ele soltou um "Sim" rouco.
Alice sentiu o coração falhar uma batida. Escondeu o rosto no peito largo dele.
— Eu não sei como fazer direito... você me ensina?
O homem deu um "hum" baixo e afirmativo.
...
O som da chuva lá fora foi diminuindo.
Quando Alice levantou a cabeça, viu que o homem a observava. Seu olhar era escuro e intenso, como o céu da meia-noite pronto para engoli-la. Ele fora um excelente professor, ensinando-a com paciência e foco em um território que ela nunca explorara.
Ricardo recostou a cabeça na cabeceira da cama, com o corpo tenso e o pomo de Adão movendo-se ritmicamente. Ao terminar, o canto de seus olhos estava com um brilho avermelhado e perigoso; o suor umedecia suas têmporas. A aura de feromônios masculinos e o charme rústico do homem estavam no ápice.
Alice aproximou-se e beijou os lábios dele, que ainda estavam entreabertos recuperando o fôlego. Ele a abraçou pela nuca, aprofundando o contato.
— Desse jeito, como seu ex-marido conseguiu te deixar? — perguntou ele, puxando-a para o peito.
— Por que estragar o momento falando daquele traste? — Alice cutucou a clavícula dele, irritada. — Além do mais, você é o primeiro homem que eu "premio" assim.
Ele olhou para ela. Os belos olhos dela transbordavam desejo e suas bochechas estavam coradas, deixando-a deslumbrante. Um sorriso surgiu nos lábios de Ricardo. Alice raramente o via sorrir assim; era um sorriso meio malicioso, meio cúmplice. Ficava muito bem nele. Os dentes eram brancos e perfeitos, e suas feições pareciam menos severas.
— Do que está rindo? Deveria se sentir honrado por ser o primeiro a ganhar esse prêmio de mim.
— Da próxima vez, eu te retribuo o presente — sussurrou ele.
Alice mergulhou no abraço dele e segurou sua mão grande.
— E como pretende retribuir?
— Como você quer que eu retribua?
Alice sussurrou duas palavras no ouvido dele.
O corpo do homem tensionou-se novamente.
— Alice... você é realmente... ousada.
— Se eu não fosse, como veria esse seu lado que ninguém conhece?
Ele a apertou no abraço, apagou a luz e disse com voz rouca:
— Chega de conversa. Vamos dormir.
O hálito dele em seu cabelo era quente. Alice envolveu a cintura firme dele com os braços, fechou os olhos e parou de provocá-lo, dormindo obedientemente.
Logo ela adormeceu.
O homem que a abraçava, no entanto, permanecia de olhos abertos, sem sono. Ele olhava para a mulher em seus braços; sabia que ela era perigosa e "tóxica", mas ela também era como uma papoula, com uma atração fatal que o fazia querer estar perto.
Ela quebrara suas defesas repetidas vezes. Ele permitia que ela tocasse em suas feridas mais profundas. Perdia a razão no olhar dela e entregava-se, descontroladamente, ao seu charme infinito.
Mesmo sabendo que, para ela, talvez fosse apenas um jogo de atração sem sentimentos.
Ele suspirou e apertou o abraço na cintura dela.
Alice, o que eu faço com você?