Capítulo 39: Noite de Tempestade, Ele Toma a Iniciativa de Acompanhá-la
Ricardo olhou para as pernas de Alice, moldadas pelos shorts jeans.
Elas eram alvas, finas, longas e retas, com uma linha estética extremamente bonita.
Alice notou seu olhar sombrio e profundo e lançou-lhe um olhar de reproche.
— O que foi? É normal se vestir assim, não é?
Ela tinha um corpo escultural: busto farto, cintura fina, curvas nos lugares certos. O ponto principal era sua pele; era tão branca, lisa e radiante quanto um ovo descascado, sem a menor imperfeição.
Ricardo segurou os pulsos de Alice e, girando o corpo, a pressionou contra o sofá, ficando sobre ela.
Seus braços apoiavam-se ao lado do corpo dela, com os músculos definidos e firmes exalando uma poderosa tensão masculina.
Sendo pressionada daquela forma, o coração de Alice saltou involuntariamente.
— Por que ficou irritada de repente no dia em que fomos comprar os biquínis? — perguntou ele.
Sua voz era grave e rouca; o hálito quente atingia o rosto dela ao falar. Era como o toque de uma pluma, causando um formigamento arrepiante.
Os corpos estavam colados; as pernas delicadas dela sentiam o vigor das pernas musculosas dele.
Alice olhou para o rosto bonito e de traços rígidos, com os cílios tremendo levemente.
— Eu ouvi sua conversa com a Camila. Você deu a ela um apartamento que comprou com todo o seu esforço, deve se importar muito com ela. De repente, senti que não fazia sentido continuar te provocando. A Camila foi a pivô da minha separação, não quero mais me envolver com ninguém ligado a ela.
Ou, sendo mais direta, ela não aceitava perder sempre para aquela mulher.
Antes que se apaixonasse perdidamente por Ricardo, ela preferia traçar um limite. Com a convivência, ela percebera o charme dele tanto no trabalho quanto na vida pessoal, e não podia garantir que sua relação continuaria sendo apenas física, sem envolver sentimentos.
— Há coisas que não posso explicar agora, mas minha relação com a Camila não é o que você pensa. Eu nunca cheguei a gostar dela.
Alice piscou, surpresa.
— Você não gosta dela?
Ricardo soltou um "hum" baixo em confirmação.
Alice deixou seu olhar mais sedutor.
— Então de quem você gosta?
As orelhas de Ricardo avermelharam-se, e seu rosto endureceu.
— De ninguém.
Eles estavam muito próximos. Alice o encarava sem desviar o olhar; os cílios dele eram densos e longos, e suas pupilas negras tinham uma profundidade hipnotizante.
Ela tocou o peito rígido dele com o dedo.
— De ninguém? Então por que está me pressionando assim agora?
Ricardo não respondeu. Seus olhos negros fixaram-se nela.
— E você? Ainda pensa no seu ex-marido?
Ao ouvir o nome de Mateus, Alice revirou os olhos internamente.
— Quer a verdade? — Ela o encarou fixamente.
Ricardo comprimiu os lábios e assentiu: — Sim.
— Eu só espero que o futuro dele seja um fracasso, que nada do que ele faça dê certo e que as mulheres ao redor dele o traiam sem parar. Que todo o mal que ele me causou volte para ele em dobro.
— Que ele seja infértil, mas cercado de filhos de outros, e que nunca mais tenha a cara de pau de me pedir para voltar.
Ao terminar, ela não conteve algumas risadas de satisfação. Ao perceber que o homem a observava com um olhar intenso, ela cobriu a boca rapidamente.
— Eu fui muito cruel?
Embora não sentisse mais nada por Mateus, a ferida da traição ainda deixava cicatrizes.
— Perdoar o passado e terminar bem são conversas fiadas. Eu sou rancorosa; não desejo nada de bom para o traste que me machucou.
Ricardo levantou um dedo e afastou uma mecha de cabelo do rosto de Alice.
— E você? Me seduz e depois não se responsabiliza... isso não te torna uma mulher cruel também?
Alice o encarou irritada.
— Nossa situação é diferente. Entre adultos, é atração física, não sentimental. Além disso, você dormiu comigo, não saiu perdendo, saiu?
— Saí perdendo sim — retrucou Ricardo.
Alice sentiu um aperto no peito de tanta raiva.
— Onde foi que você perdeu?
Os lábios do homem formaram uma linha rígida; ele permaneceu em silêncio.
— Quer que eu compense você então?
Ela ergueu o rosto, tentando beijá-lo. Mas, no segundo seguinte, Ricardo desviou, e os lábios dela atingiram a lateral do rosto dele.
Alice franziu a testa, sem entendê-lo.
— Ricardo, fala alguma coisa!
Sem dizer nada, ele baixou a cabeça bruscamente e a beijou.
Foi um beijo feroz e impetuoso.
Alice sentiu os lábios formigarem; tentou se esquivar, mas ele segurou sua nuca, impedindo qualquer movimento. Ela nem sequer tinha chance de respirar.
O rosto radiante de Alice ficou vermelho. Sem conseguir empurrá-lo nem respirar, ela apenas arregalava os olhos, encarando-o. As emoções no fundo dos olhos dele eram tão sombrias que ela não conseguia decifrar seus pensamentos.
Alice era orgulhosa e competitiva; como o beijo estava sendo desconfortável, ela resolveu revidar. Mordeu o lábio inferior dele com força, até sentir o gosto metálico de sangue entre os dois.
Ele finalmente a soltou, limpando o canto da boca com o dedo, a voz rouca:
— Você é um cão de guarda, por acaso?
Ele estava queimando de desejo e tentou se levantar, mas, no instante seguinte, as pernas brancas de Alice envolveram sua cintura. Ricardo colou-se novamente ao corpo dela. Quando seu peito atingiu as curvas dela, ele soltou um palavrão:
— Droga! Não te dói?
— Quer massagear para mim?
Ela pegou a mão grande dele e a colocou sobre seu seio.
A voz dele saiu extremamente rouca:
— Alice, não me subestime. Eu não sou de ferro.
Ele pressionou a cintura dela e a puxou para mais perto. Alice, sentindo algo, arregalou os olhos e tentou recuar instintivamente. Ricardo beijava o rosto dela, com o hálito ardente. Sua mão deslizou da cintura para o botão do short jeans.
Justo quando o botão ia ser aberto, Alice sentiu um calor súbito no baixo ventre.
Que azar!
A menstruação resolvera chegar mais cedo.
Alice usou as duas mãos para empurrá-lo com força.
— Ricardo, pare. Minha regra desceu.
Ele abaixou a cabeça, encarou-a por alguns segundos e a soltou.
Alice levantou-se rapidamente do sofá e, vendo que não havia manchado nada, disse a ele:
— Vou para o meu apartamento. Descanse bem, já que seu estômago está ruim.
...
No meio da noite.
Relâmpagos e trovões cortavam o céu em uma chuva torrencial.
Alice acordou assustada de um sonho. Acendeu a luz, sentindo-se perdida. Talvez por ter dormido tão bem nos braços de Ricardo na última tempestade, agora ele era a primeira pessoa em quem ela pensava.
Ela pegou o travesseiro, levantou-se e foi até a porta do apartamento.
Estava indecisa: deveria ir procurá-lo? Ele já não estava bem do estômago; aparecer lá de madrugada só o incomodaria mais.
"Melhor não", pensou ela, virando-se para voltar ao quarto.
Nesse momento, o celular em sua mão tocou. Ela olhou o identificador e seu coração deu um salto. Era Ricardo.
Antes que pudesse atender, ouviu a voz grave e magnética do homem vinda do corredor:
— Abra a porta.
Ele estava do lado de fora?
Alice abriu a porta imediatamente. O homem alto e austero estava ali, parado. Ele a encarava com seus olhos negros profundos.
— Está trovejando. Precisa que eu te acompanhe?