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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 38

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Capítulo 38: Me Provocando, Acha Isso Divertido?

Ao entrar em casa e saber que Gustavo havia intimidado Guilherme, o rosto de Alice tornou-se sombrio na hora.

— Que audácia! Vou lá agora mesmo tirar satisfação!

Guilherme segurou a irmã e explicou toda a história pelo celular. Contou que Ricardo o ajudou e forçou Gustavo e os outros a pedirem desculpas formalmente.

「O irmão disse que se eles voltarem a incomodar, eu posso chamá-lo. Eu até adicionei o WhatsApp dele.」

Alice sentiu um tique no canto da boca.

Seu irmão conseguira o contato de Ricardo com tamanha facilidade? Quando ela tentou, ele agiu com total desdém e frieza. Enfim, pelo bem que ele fizera ao irmão, ela deixaria isso de lado.

「Alice, o irmão é realmente uma pessoa muito boa.」

Alice assentiu em silêncio.

Deixando as picuinhas de lado, Ricardo era realmente uma exceção. Involuntariamente, a imagem dele fardado surgiu em sua mente: austero, autoritário, íntegro. Ele carregava esses valores no sangue. Alice percebeu que talvez tivesse errado ao provocá-lo daquela forma. O fato de ele ser bom para Camila apenas provava que ele era um homem leal. Por que ela sentira necessidade de zombar dele?

Helena, ao saber da ajuda, disse a Alice:

— Alice, você disse que o Capitão mora na frente do seu apartamento, não é? A mamãe fez pastéis hoje; leve duas caixas para ele quando voltar. E pergunte quando ele pode vir jantar aqui em casa para eu agradecer pessoalmente.

— Mãe, os pastéis já bastam. Ele com certeza não viria jantar aqui...

Antes que terminasse, Guilherme mostrou o celular. Ele acabara de enviar uma mensagem para Ricardo convidando-o; Ricardo respondera que iria em uma próxima oportunidade.

Alice: — ...

O que ele tinha na cabeça? Vir jantar na casa dela não seria constrangedor?

Após o jantar, Helena embalou os pastéis e apressou Alice para ir embora.

— Não esqueça de comprar umas frutas para levar para ele também.

Alice franziu o cenho.

— Mãe, vocês passaram o jantar todo falando bem dele. Estou começando a achar que eu é que sou a vizinha aqui.

— Ele foi gentil com o seu irmão. Vocês trabalham juntos, precisam se dar bem.

— Tá bom, tá bom, eu já entendi.

De volta ao apartamento, Alice guardou suas coisas e, segurando os pastéis e as frutas, foi até a porta em frente. Respirou fundo e apertou a campainha. Tocou por um bom tempo, mas ninguém atendia. O coração de Alice começou a vacilar.

Será que ele viu que era eu e resolveu nem abrir?

Ela tocou novamente. Se ele não abrisse desta vez, ela desistiria e comeria os pastéis sozinha. Finalmente, a porta se abriu. Alice virou-se e viu o homem diante dela. Ele estava levemente pálido e com o cabelo bagunçado. Parecia indisposto.

— O que você tem? — perguntou ela.

Ricardo baixou o olhar, focando nas pernas brancas de Alice, que usava shorts jeans. As pernas dela eram alvas, retas e com uma musculatura sutil e elegante.

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— O que você quer? — perguntou ele com voz rouca.

Alice levantou as sacolas.

— Minha mãe soube que você ajudou meu irmão hoje e mandou esses pastéis de presente.

Ela tentou entregar os pacotes, mas ele deu passagem, indicando para ela entrar.

Alice tirou os sapatos e entrou. Guardou os pastéis na geladeira e as frutas na mesa. Ao voltar para a sala, viu o homem recostado no sofá, com a mão pressionando o estômago e um ar de abatimento.

Após hesitar, Alice aproximou-se.

— Seu estômago está doendo?

Ricardo mantinha o olhar baixo, ainda fixo naquelas pernas que pareciam brilhar.

— Não é nada — respondeu, cerrando os lábios.

— Você tem remédio para estômago aqui?

— Não.

— Eu tenho lá em casa, espere um segundo.

Esse homem era rústico demais; nem o básico ele tinha em casa. Pessoas daquela profissão, que vivem sob estresse e má alimentação, deveriam ser mais cuidadosas. Alice buscou seu kit de primeiros socorros, serviu um copo de água morna e voltou para perto dele.

— Tome dois desses.

Ela entregou o comprimido e a água. Ricardo sentou-se um pouco mais ereto, tomou o remédio e bebeu a água. Ao inclinar a cabeça para engolir, seu pomo de Adão moveu-se de forma extremamente sexy. Alice observou por alguns segundos antes de desviar o olhar. Ela foi até o quarto dele, pegou uma manta fina e a entregou.

— Vou indo agora.

Ela se virou para sair, mas seu pulso foi agarrado pela mão grande de Ricardo. A palma dele era quente e forte. O contato com a pele dela pareceu disparar uma pequena carga elétrica. O coração de Alice deu um salto. Ela olhou para ele, mas Ricardo estava com os olhos semicerrados e ela não conseguia ler sua expressão.

Alice tentou puxar o braço, mas quanto mais ela puxava, mais ele apertava. O osso do seu pulso começou a doer. No silêncio do apartamento, parecia haver um confronto mudo entre os dois.

— Capitão, o que o senhor está fazendo?

Mesmo indisposto, a força dele era impressionante. Como ela tinha a pele muito clara, a marca dos dedos dele já começava a ficar vermelha. Ele afrouxou um pouco o aperto, mas não soltou.

— Ricardo, o que você quer, afinal... ah!

Antes que terminasse a frase, ela foi puxada com força para frente. Alice caiu bruscamente no colo do homem, apoiando as mãos no peito dele. Preocupada com o mal-estar dele, teve medo de tê-lo machucado com o impacto.

— O que deu em você?

Ela tentou se levantar, mas Ricardo fechou as pernas, prendendo os pés dela e impedindo que ela saísse de seu colo. Alice sentiu seus cílios tremerem violentamente. Sem saída, ela permaneceu sobre o peito dele, encarando seu rosto. Ele também baixou o olhar para ela. As respirações se misturavam, ambas quentes. O olhar dele era como um mar profundo no meio da noite.

— Alice.

Ele chamou o nome dela por inteiro. Sempre que ele fazia isso, ela sentia como se tivesse cometido um crime e estivesse sendo interrogada.

Alice comprimiu os lábios.

— Você não vai achar que, só porque eu trouxe comida e remédio, estou tentando te seduzir de novo, não é? Eu já disse ontem que não ia mais—

Antes que ela terminasse, ele pegou a mão dela e a pressionou contra o próprio peito.

— Me provocar desse jeito... você acha divertido?

Alice: — ...

Pelo amor de Deus!

Ela estava sendo injustiçada. Ela realmente só viera entregar as coisas; jamais imaginou que ele reagiria assim!

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