Capítulo 31: A Verdade Revelada, Confessando Tudo
No caminho de volta para a delegacia, Alice permaneceu em absoluto silêncio. Seus olhos estavam vermelhos e ela sentia um aperto insuportável no peito. Pensar em tudo o que a família da Professora Estela havia passado era como carregar uma pedra sobre o coração. Estava sufocada.
Ricardo, percebendo o abatimento e o olhar marejado dela, disse com a voz grave e rouca:
— Fazer o Jota Ce confessar e levá-lo à justiça é o melhor consolo que podemos dar à Professora Estela.
Alice assentiu, comprimindo os lábios. Ao chegar à sala forense, ela reprimiu sua tristeza e focou totalmente na análise das evidências coletadas. Após horas de verificações e comparações, ela imprimiu o laudo pericial e o entregou a Ricardo.
Ricardo analisou o relatório e seguiu imediatamente para a sala de interrogatório. Ao encarar Ricardo novamente, Jota Ce não demonstrou pânico; pelo contrário, mantinha um sorriso sarcástico no canto da boca. Para ele, ver aqueles policiais correndo de um lado para o outro enquanto ele os manipulava era divertido.
— Inspetor, seus olhos estão cheios de sangue. Não me diga que foi até o Monte das Bordas, não encontrou nada e está sem dormir há dias?
Diante da provocação, o rosto de Ricardo permaneceu gélido, sem qualquer oscilação emocional. Ele fixou o olhar afiado em Jota Ce e disse com voz de gelo:
— Nós encontramos os restos mortais da Estela. Estavam exatamente na gruta onde você os escondeu.
A expressão de Jota Ce congelou por um instante. Ele desfez o sorriso e endireitou o corpo. Um brilho de pânico passou por seus olhos, mas ele logo tentou recuperar a compostura, soltando um deboche:
— Inspetor, você realmente se acha o Sherlock Holmes, não é? Nos últimos quatro anos, quantos policiais tentaram encontrar a Estela e falharam? Você quer que eu acredite que achou em dois dias? Francamente, pare de tentar me enganar.
— Eu não preciso te enganar. — Ricardo jogou o laudo e o saco de evidências com o botão sobre a mesa. — Entre as falanges da Estela, encontramos resíduos de pele que batem 100% com o seu DNA. Além disso, extraímos suas impressões digitais deste botão.
O rosto de Jota Ce empalideceu instantaneamente. Ele ficou encarando as provas sobre a mesa, e toda a sua arrogância evaporou. O silêncio se prolongou. Ele jamais imaginou que aquele policial teria tamanha competência.
— Fale! Por que você matou a Professora Estela? — Ricardo apoiou as mãos na mesa, inclinando-se com um olhar cortante e intimidador.
Sentindo a pressão esmagadora de Ricardo, Jota Ce, com o rosto acinzentado, baixou a cabeça lentamente. Seus pais morreram cedo e ele cresceu com o tio, Juca Silveira. Juca era viciado em jogo e bebida; toda vez que perdia ou bebia demais, batia nele. Jota Ce não teve infância; viveu em um inferno sombrio que moldou sua alma obscura.
Para parar de apanhar, ele treinava todos os dias para ficar forte. No ensino médio, ficou mais alto que o tio e passou a revidar os golpes com ferocidade. Juca parou de agredi-lo fisicamente, mas passou a controlá-lo de outras formas, impedindo-o de continuar os estudos. O diretor da escola, com pena, deu-lhe um emprego na cantina.
Aos dezesseis anos, ele conheceu Estela, que viera como voluntária. Ela chegou com malas, roupas esportivas coloridas e um rabo de cavalo alto; o sorriso dela era radiante. Ela incentivava os alunos a estudarem para sair das montanhas. Às vezes, ele a ouvia descrevendo o mundo lá fora, as luzes da cidade grande, os prédios altos e a comida boa. Era um mundo que ele nunca vira. Pela primeira vez, ele sentiu o desejo ardente de partir.
Mas como? Ele não tinha dinheiro e o tio não o deixaria ir. Então, ele começou a se fazer de vítima diante de Estela, deixando marcas de ferimentos à mostra "sem querer". Estela, comovida, perguntou o que era, e ele mentiu dizendo que o tio o espancava. Contou sua história triste e seu sonho de estudar. Vendo o suposto esforço dele, ela prometeu pagar seus estudos e ajudá-lo.
Naquela época, ele não pensava em feri-la. Só queria sair dali. Mas alguém contou a Estela que ele mesmo causava seus ferimentos para enganá-la. Para tirar a prova, Estela aproveitou uma bebedeira de Juca e perguntou se ele batia no sobrinho. Juca confessou que já não conseguia mais enfrentá-lo fisicamente.
Ao descobrir a farsa, Estela ficou furiosa e disse que não o ajudaria mais. Ao ver seu sonho de liberdade desmoronar, Jota Ce sentiu um ódio profundo. Para ele, ela o havia provocado com a esperança e agora o traía. Achava que, por ser da cidade, ela se sentia no direito de brincar com ele.
Sabendo que ela faria uma visita domiciliar, ele mapeou a rota. No caminho de volta, ele fingiu um encontro casual. Ajoelhou-se, pediu perdão, mas ela o ignorou. Então, ele fingiu um desmaio no campo de espirradeiras. Ele sabia que as flores eram venenosas e prendeu a respiração. Estela, de bom coração, correu para ajudá-lo.
Ela não conhecia a planta e logo começou a sentir tonturas. Ele aproveitou o momento e a arrastou para a gruta secreta que só ele conhecia. Lá, aproveitando que ela estava debilitada, ele a violentou. Antes que ele terminasse, ela recuperou a consciência. Estela lutou como louca, mas a tontura a impedia de vencer. Ela arrancou um botão da roupa dele e o arranhou brutalmente. Gritou que chamaria a polícia, chamou-o de ingrato e animal.
— Se ela tivesse ficado calada, se não tivesse me insultado, eu não teria a enforcado! — Jota Ce cerrou os punhos, com os olhos injetados de sangue. — Eu cheguei a gostar da Professora Estela, mas se ela não colaborava, o fim só podia ser esse.
Ricardo deu um soco na mesa, as veias do pescoço saltadas.
— Até agora você não sente remorso! Estela tinha razão: você é um ingrato. Ela te deu esperança e você devolveu com a morte. Você é pior que um animal!
Jota Ce deu um sorriso cínico.
— Foi o destino dela, fazer o quê?
Ricardo continuou, implacável:
— E o seu tio, Juca? Por que você o mandou matar?
Jota Ce estreitou os olhos.
— Inspetor, eu confesso a Estela. Mas a morte do meu tio foi um acidente causado por um motorista revoltado.
Ricardo jogou um registro de transferência bancária.
— O motorista tinha um filho ilegítimo. Há dois anos, você transferiu uma fortuna para uma conta no exterior em nome dessa criança.
O rosto de Jota Ce mudou de cor. Ele não esperava que a investigação chegasse tão longe. Sem saída, ele confessou tudo. Sim, ele encomendara a morte do tio. Juca era ganancioso; sabia que Jota Ce roubara o dinheiro e as joias de Estela para fugir das montanhas, sabia do caso com Lúcia Barros e que ela era sua escritora fantasma. Juca usava isso para extorquir dinheiro constantemente.
Para resolver o problema, Jota Ce incentivou o vício do tio em jogo. Juca passou cinco dias seguidos em um cassino clandestino e, quando voltou para a vila, Lúcia Barros já havia morrido de fome no cativeiro. Juca ficou apavorado e a emparedou no banheiro. Assim que a parede secou, Jota Ce mandou o tio entregar a casa. Quando Juca estava pronto para fugir, o motorista terminal o atropelou. Todos os problemas de Jota Ce haviam sido "enterrados".