Capítulo 30: Emoção Profunda, Finalmente a Reunião
De repente, ouviu-se o som de passos rápidos.
Ricardo voltou. Sua mandíbula estava rígida e sua expressão era de extrema seriedade. Ele olhou para Alice e disse com voz grave:
— Pegue sua mochila e pule.
Alice olhou para a mão estendida do homem e assentiu:
— Tudo bem.
O salto tinha pouco mais de um metro. Abaixo, as pedras da terma eram escorregadias. Alice pulou confiando na força de Ricardo. Ela quase escorregou, mas ele agiu rápido, envolvendo a cintura dela com o outro braço.
Alice apoiou as mãos no peito dele. Mesmo através do tecido, sentia a textura dos músculos firmes e robustos. Ela aproveitou o contato para apertar levemente o peitoral dele.
Ricardo percebeu o gesto e seu corpo tensionou instantaneamente.
— O que você está fazendo? — perguntou ele, com o olhar indecifrável.
Alice não demonstrou nenhuma vergonha.
— Você segurou minha cintura, eu toquei seu peito. Estamos quites.
Ricardo: — ...
Ele só a segurara para evitar que ela caísse. Essa mulher conseguia ser atrevida e lógica ao mesmo tempo.
Após a descida de Alice, Yan espremeu-se pela fenda. Ao ver os dois se afastando, gritou apavorado:
— Irmão! Alice! Vocês estão me esquecendo?
— Fique parado aí — respondeu Ricardo, voltando-se para ele.
— Nem pensar! Eu tenho medo de fantasmas! — Yan estava pálido.
— Fantasmas não existem.
— Mas eu tenho medo! Eu quero ir com vocês!
Vendo Yan quase chorando, Alice assentiu: — Pode pular, nós te pegamos.
Ela ia estender as mãos, mas Ricardo deu um passo à frente e ofereceu sua mão grande a Yan. Após saltar, Yan agarrou o braço de Ricardo.
— Irmão, você achou a saída?
Ricardo não respondeu; apenas começou a guiá-los. Após caminharem um pouco, a caverna se abriu em um espaço vasto. Ricardo fez sinal para que parassem e apontou a lanterna para um canto.
Alice e Yan paralisaram. Yan, ao ver uma ossada encolhida ali, sentiu as pernas falharem e desabou no chão.
— Caramba... tem um morto aqui dentro?
Yan estava tremendo, com o rosto branco como papel. Ricardo lançou um olhar de desprezo:
— Eu disse para você não vir.
Yan rastejou até Alice e agarrou sua perna.
— Alice, você vai me proteger, não vai?
Alice deu um tapinha no ombro dele.
— Não tenha medo.
Ricardo, vendo aquela cena patética, deu um chute leve em Yan para afastá-lo.
— Não atrapalhe o trabalho da legista.
Alice tirou o kit da bolsa, colocou a máscara e as luvas e aproximou-se dos restos mortais. Era um esqueleto completo, coberto por terra marrom-escura. Os ossos estavam acinzentados e levemente desarticulados; apenas o crânio permanecia unido à coluna. Na região da pelve, havia fibras de algodão enegrecidas, restos de roupas apodrecidas.
Ricardo segurava a lanterna enquanto Alice iniciava o exame minucioso.
— É um esqueleto feminino. Pelo desgaste da sínfise púbica, a idade está entre 23 e 25 anos. A medida do fêmur indica uma altura acima de 1,68m. O tempo de morte é de pelo menos quatro anos.
Alice usou uma pinça para analisar o osso hioide e franziu o cenho.
— Há uma fratura no grande corno do hioide, uma lesão fatal feita em vida. A causa provável da morte é asfixia por esganadura. Também há uma fratura no ramo do púbis causada por força bruta externa; a vítima provavelmente sofreu violência sexual e resistiu violentamente.
Ricardo estreitou os olhos, pensativo.
— Pelo seu laudo preliminar, é muito provável que estes sejam os restos mortais da Professora Estela.
— Eu também acho — concordou Alice.
Ricardo começou a vasculhar a área em busca de provas. Perto da ossada, encontrou um botão preto de estilo antigo, compatível com as roupas que Jota Ce usava na época em que morava na vila.
— Capitão, encontrei fibras e resíduos de pele entre as falanges dos dedos. Ela deve ter arranhado o assassino enquanto lutava.
Yan observava Alice trabalhar; ela parecia tão corajosa e profissional que ele estava fascinado. Ele não ousava se aproximar e encostou-se na parede, onde sua mão tocou em algo duro. Ele pegou o objeto: era uma caneta-tinteiro.
— Irmão, achei uma caneta aqui.
Ricardo pegou o objeto com as luvas. Havia dois nomes gravados:
Estela
.
Era a caneta dela.
Após coletarem as evidências e terminarem a perícia no local, encontraram a saída bloqueada por rochas imensas. Com o esforço combinado dos três, conseguiram abrir uma brecha. Ao saírem, Ricardo olhou para a entrada oculta com frieza. Jota Ce achou que o local selado jamais seria descoberto; se não fosse pelo acidente de Yan, Estela continuaria desaparecida para sempre. Sem sinal nas montanhas, Ricardo disparou um sinalizador. A luz vermelha cortou o céu, alertando as equipes de resgate.
...
Ao retornarem a Rio Verde, Ricardo recebeu o aviso do outro distrito: a mãe de Estela estava morrendo. Ela tivera a filha tarde e agora beirava os setenta anos. O desaparecimento da filha e a morte do marido aceleraram seu fim. Enrugada, de olhos vazios e mãos cadavéricas, ela sentia que sua vida se apagava sem ter notícias de Estela.
Estela, minha filha, será que te verei de novo? Me perdoe, a mamãe não consegue mais esperar...
Justo quando suas pálpebras se fechavam, passos rápidos ecoaram no hospital.
— Senhora, nós encontramos a Estela.
O capitão do novo distrito entrou acompanhado de Ricardo e Alice. Os olhos da idosa tremeram. Ela tentou falar, com a voz quase imperceptível:
— Estela... minha Estela...
Alice, com o coração apertado, aproximou-se e tirou a caneta e o retalho de roupa do saco de evidências.
— Senhora, estas são as roupas da Professora Estela e a caneta que ela usava.
A idosa arregalou os olhos. Ela reconheceu a caneta; fora o presente que ela e o marido deram à filha antes da viagem voluntária. Tinha o nome gravado pelo próprio pai.
— Minha filha... posso tocar na caneta?
Alice olhou para Ricardo, que assentiu. A idosa pegou o objeto e acariciou o nome gravado com seus dedos trêmulos. Ela não perguntou por que trouxeram apenas objetos. No fundo, ela sabia.
Ela pressionou a caneta contra o peito, e lágrimas pesadas escorreram por seu rosto marcado pelo tempo. Fechou os olhos e sussurrou:
— Estela... que bom que você voltou... que bom.
Alice não conteve as lágrimas. A idosa abriu os olhos uma última vez e olhou para ela.
— Vocês... farão justiça pela minha filha, não é?
— Nós já prendemos o culpado — respondeu Alice, assentindo com firmeza.
— Obrigada... Eu acredito na justiça. Quando tudo acabar, entreguem os restos dela para os parentes... para que ela seja enterrada comigo e com o pai dela.
Um sorriso fraco surgiu no rosto pálido da senhora.
— Finalmente, nós três estaremos juntos de novo.
— Estela... meu velho... estou indo encontrar vocês.
Dito isso, ela fechou os olhos para sempre.