Capítulo 29: Exibindo o Abdômen e o Comportamento de Pavão
Ricardo disse com uma voz sombria e fria:
— Não há saída.
Após saírem da passagem estreita, depararam-se com uma gruta relativamente grande. As paredes de pedra ao redor eram escarpadas e cheias de ângulos agudos. A única saída era o corredor pelo qual acabaram de vir, mas era impossível voltar, pois a abertura por onde escorregaram fora bloqueada pela areia movediça.
Yan cruzou os braços sobre o peito, com um brilho de inquietação em seus olhos fênix.
— Droga! Nós três vamos morrer aqui?
Ricardo e Alice permaneceram em silêncio, analisando e observando cada detalhe ao redor.
— Vamos descansar um pouco — ordenou Ricardo com voz grave.
O vento gelado soprava dentro da caverna. Alice, que vestia apenas uma blusa de malha fina sem casaco, não conteve um calafrio. Simultaneamente, Ricardo e Yan tiraram suas jaquetas táticas para entregar a ela.
Alice olhou para Ricardo e depois para Yan.
— Segundo irmão, não tente competir comigo. Deixe-me causar uma boa impressão diante da Alice — disse Yan.
Ricardo ignorou Yan e fixou seu olhar profundo em Alice.
— Use a minha.
Alice pegou a jaqueta de Ricardo e disse a Yan:
— Ele é mais forte que você, deve aguentar melhor o frio.
— É verdade que não tenho tantos músculos quanto ele, mas... — Yan levantou a blusa, exibindo o abdômen. — Eu também tenho uma camada fina de gomos...
Antes que terminasse a frase, levou um chute no bumbum. Sem tempo de reagir, caiu de cara no chão.
— Caramba, por que me chutou, irmão? — Yan massageava o local, com uma expressão de dor.
Alice correu para ajudar Yan a se levantar e lançou um olhar de reproche a Ricardo.
— A perna dele já está ferida e você ainda o chuta?
Ricardo manteve o rosto rígido.
— Que tipo de hora é essa para ficar agindo como um pavão exibido?
Yan sentou-se perto da parede de pedra com a ajuda de Alice. Sem coragem de revidar, resmungou baixinho:
— Não admira que ninguém o ame. Quem aguentaria esse temperamento horrível?
Alice, que estava perto, ouviu o comentário.
— Pelo contrário. O Capitão é muito popular na delegacia. Tem desde a "musa" da polícia apaixonada por ele até empresárias ricas querendo sustentá-lo.
Ricardo pressionou a língua contra os dentes molares.
— É verdade. Teve até uma mulher que teve uma noite casual comigo.
Alice: — ...
Yan ficou instantaneamente interessado e perguntou com tom de fofoca:
— Sério? Você realmente dormiu com alguém? Nossa, eu daria tudo para saber quem foi a mulher corajosa o suficiente para te procurar e se você aceitou de primeira!
— Assunto pessoal. Sem comentários — respondeu Ricardo.
Yan cerrou os punhos de frustração. Ele odiava não ter as habilidades de luta do irmão, senão o forçaria a confessar. Sua curiosidade estava no ápice: que tipo de mulher ousaria ter um caso com seu "segundo irmão"? Ela era, definitivamente, uma divindade que ele precisava adorar.
Yan sussurrou para Alice:
— Alice, você trabalha com ele. Sabe quem é a mulher que quis dormir com ele?
Alice quase engasgou com a própria saliva.
Essa mulher, provavelmente, sou eu.
— O seu irmão sempre foi assim... "animado"? — perguntou ela, também em voz baixa.
— Animado? Ele nunca teve nem um mosquito fêmea por perto. Já passou dos vinte e cinco e ainda era um "novato" total.
Embora a caverna fosse ampla, era silenciosa. Ricardo, com sua audição aguçada, ouviu cada palavra.
— Vocês dois não param mais? — Ricardo lançou um olhar de advertência.
— Tudo bem, vamos parar de falar dele. Se ele ficar furioso de verdade, não seremos páreo — disse Alice.
Yan assentiu freneticamente: — A Alice tem razão.
O frio estava ficando insuportável. Alice disse a Yan:
— Descanse um pouco. Vou procurar alguns gravetos para acender um fogo.
Embora não houvesse saída, o chão estava repleto de galhos secos e folhas mortas. Alice levantou-se e começou a recolhê-los.
Ricardo aproximou-se dela e disse em voz baixa e fria:
— Não tente nada com o Yan. Ele é simples demais e se magoa fácil em relacionamentos.
Ao ouvir aquilo, Alice irritou-se. Ela o encarou com desdém.
— Está sugerindo que eu não sou simples? Que sou o tipo de mulher fatal que brinca com os sentimentos dos homens?
Os olhos negros de Ricardo eram profundos e sombrios.
— Você sabe muito bem o que é.
Alice quase riu de indignação. Largou os gravetos e colocou a mão na cintura.
— Eu sei o quê? Está sugerindo que eu te enganei? Explique-se!
— O corpo — soltou o homem com os lábios finos.
Alice: — !!!
Esse canalha ousava dizer que ela o enganou para conseguir o corpo dele? Naquela noite, ela o obrigou a ficar excitado por acaso?
Alice, furiosa, deu um chute forte na canela dele. Com as habilidades dele, ele poderia ter desviado facilmente. Ela achou que ele faria isso, mas ele permaneceu imóvel.
A canela é um dos pontos mais sensíveis; o chute deve ter doído muito. No entanto, ele nem sequer franziu a testa, como se fosse feito de aço.
Alice ficou surpresa e mordeu o lábio.
— Por que não desviou?
— Para você descarregar sua raiva.
Alice não sabia mais o que dizer. Ora ele parecia um bloco de madeira, ora demonstrava que sabia exatamente como mexer com os sentimentos dela.
— Ricardo, você acha que eu não presto, mas você não é diferente. Bastou eu provocar um pouco e você já caiu na minha cama. Você é um falso puritano, um reprimido.
A mandíbula de Ricardo tensionou-se.
— Alice, não será tão fácil me provocar da próxima vez.
Alice deu um sorriso irônico.
— E quem disse que eu só tenho você como opção? O seu amigo Yan tem medidas que não ficam atrás das suas. Ele está interessado em mim; o que me impede de dar uma chance a ele?
As veias na têmpora de Ricardo saltaram.
— Alice, você não se atreveria.
— Eu sou uma mulher faminta há muito tempo. Não há nada que eu não me atreva a fazer.
Ricardo: — ...
— Segundo irmão, Alice, o que vocês estão cochichando aí? — gritou Yan.
Alice pegou os galhos e voltou para perto dele.
— Nada, apenas planejando como sair daqui.
Ela arrumou a lenha e tirou um isqueiro da bolsa para acender o fogo. Ricardo a observou por alguns segundos antes de voltar a procurar uma saída. Ele analisou as paredes de pedra minuciosamente, batendo nelas de vez em quando. Ao tocar em uma parte específica, ele parou bruscamente.
Parecia haver um som vindo de trás daquela parede. Ele encostou o ouvido, estreitando os olhos negros. Ao longe, ouvia-se o som de água corrente.
Ricardo apoiou as mãos e empurrou a parede com força. A pedra moveu-se levemente. Vendo isso, Alice e Yan correram para ajudar. Apesar do atrito anterior com Ricardo, Alice sabia priorizar o que era importante: sair dali.
Com o esforço dos três, uma fenda se abriu, larga o suficiente para uma pessoa passar de lado.
Ricardo olhou para eles.
— Esperem aqui. Vou descer para verificar.
Abaixo da fenda havia um declive que levava a uma piscina termal natural. Alice olhou para baixo; era um caminho desconhecido e perigoso.
— Tome cuidado — alertou ela.
— Irmão, por favor, seja cauteloso — disse Yan, preocupado.
Ricardo assentiu e, sob os olhares ansiosos dos dois, saltou sem hesitar. O tempo passou lentamente enquanto Alice e Yan vigiavam a abertura em silêncio absoluto. Quando a ansiedade de Alice estava no limite e ela se preparava para pular também, de repente...