Capítulo 25: Uma Onda Após a Outra
Após a reprodução do áudio, Jota Ce exclamou agitado:
— É falso! Vocês falsificaram isso, eu jamais disse essas palavras!
— Falsificado? — Ricardo soltou um riso de escárnio e jogou um laudo pericial diante de Jota Ce. — A perícia técnica já realizou a comparação de voz. A voz gravada neste aparelho é, 100%, a sua!
O corpo de Jota Ce balançou, como se uma agulha gigante tivesse drenado todas as suas forças. Ele desabou na cadeira, com o olhar perdido e complexo.
Ricardo levantou-se, apoiando as palmas das mãos sobre a mesa, e varreu Jota Ce com um olhar afiado como uma lâmina.
— Lúcia Barros foi mantida em cativeiro por vocês naquele porão. Além de ser forçada a compor para você, ela sofria abusos sexuais constantes e acabou morrendo de fome. Você é o assassino de Lúcia Barros!
— Não fui eu! — Jota Ce encarou Ricardo com os olhos injetados de sangue, o peito arfando e a voz subitamente elevada. — Quem matou a Lúcia foi o meu tio! E o meu tio morreu atropelado há dois anos. Se são tão competentes, vão cobrar dele no inferno!
— Mesmo que o executor final tenha sido seu tio, você é autor de múltiplos crimes graves. Primeiro: Lesão Corporal Gravíssima; para controlar Lúcia e usurpar seu talento, você instigou seu tio a destruir a voz dela. Segundo: Cárcere Privado e Exploração; você entregou Lúcia como um "brinquedo" ao seu tio para mantê-la cativa. Terceiro: Homicídio Qualificado por Omissão e Instigação; você sabia que o confinamento e os abusos colocavam a vida dela em risco, mas permitiu que isso ocorresse para garantir seu lucro, o que o torna coautor do crime. Quarto: Extorsão; você ameaçou demolir o orfanato dela para forçá-la a compor e ainda fez denúncias maliciosas contra a instituição.
Jota Ce empalideceu, com os lábios trêmulos:
— Eu quero ver meu advogado.
O olhar de Ricardo caiu sobre o rosto de Jota Ce como uma navalha, sua voz era gélida e autoritária:
— Diga: por que fez aquilo com a Lúcia?
A aura de Ricardo era tão esmagadora e aterrorizante que, sob seu olhar inquisidor, a linha de defesa no coração de Jota Ce começou a desmoronar gradualmente.
Quatro anos atrás, ele acabara de sair das montanhas. Não tinha escolaridade, nem habilidades, e estava sempre sujo; era difícil conseguir até um emprego de garçom. Uma noite, faminto ao ponto de não aguentar mais, ele se encolheu na porta de um bar. Achou que morreria ali, até que uma garota de vestido branco saiu do bar, entregou-lhe um pote de macarrão instantâneo e duzentos reais.
Mais tarde, descobriu que ela era cantora no bar. A voz dela era linda, como um rouxinol. Para sobreviver e atrair a atenção dela, ele usou os duzentos reais para contratar dois delinquentes e encenar um teatro. Certa noite, quando ela passava por um beco, os delinquentes a cercaram para assediá-la. Ele avançou, lutando ferozmente contra os dois. Protegeu-a sob seu corpo e, mesmo tendo ossos quebrados pelos chutes, não soltou um gemido.
Aquele ato de "proteção heróica" a comoveu profundamente. Ela alugou um quarto para ele e, sempre que tinha tempo, ia visitá-lo. Dividia metade do salário com ele. Comprou roupas novas e o levou para cortar o cabelo. Como ele era alto e magro, após se arrumar, parecia um jovem solar e atraente. Ele fingia ser vulnerável e miserável para despertar a compaixão dela. Aos poucos, ela se apaixonou. Eles começaram a namorar.
Um dia, ela contou animada que um caça-talentos a notara e queria transformá-la em estrela. Dizia que, quando ficassem ricos, comprariam uma casa e fincariam raízes na cidade. Naquele momento, os olhos dela brilhavam de esperança, mas ele não estava feliz. Se ela ficasse famosa, ainda se lembraria dele? Ele não queria apostar na natureza humana; seria melhor se o famoso fosse ele. Ele teria o controle e tudo o que desejava. Achava que sua aparência e voz não eram inferiores; se Lúcia compusesse para ele, ele também alcançaria a fama.
Naquele instante, a inveja cresceu como erva daninha em seu peito. Ele lembrou-se do tio, Juca Silveira, e pediu que ele viesse do interior. Ordenou que o tio colocasse substâncias na água de Lúcia. Juca era mestre em atos sórdidos. Como esperado, a voz de Lúcia foi destruída. Ele cortou as asas dela para que ela nunca mais pudesse voar.
Aproveitou para consolá-la e sugeriu, de forma sutil, que ele poderia realizar o sonho dela no palco. Prometeu que, quando ficasse famoso, jamais a abandonaria; compartilharia o sucesso e formariam uma família. Lúcia acreditou. Ensinou-o a cantar, a tocar piano e o recomendou ao caça-talentos. No primeiro álbum, ele ganhou o título de "Príncipe das Baladas". Sob os holofotes, recebeu aplausos e flores que nunca imaginara nas montanhas.
Seu mundo, que antes era apenas mato, agora era puro luxo. Seus fãs saltaram de zero para cem mil, quinhentos mil, um milhão... Todas eram garotas jovens e bonitas que o chamavam de "oppá" e "marido". As mulheres que surgiam ao seu redor eram mais bonitas e interessantes que Lúcia. O que Lúcia tinha, além de talento?
Aos poucos, ele passou a desprezá-la. Tornou-se frio. Naquele período, as músicas que Lúcia compunha ficaram melancólicas, mas, por ironia, o público amava canções tristes. Ele acumulou prêmios. Vendo o sucesso dele, Lúcia tentou forçá-lo a tornar o relacionamento público. Como um ídolo no auge poderia assumir uma namorada? Ele a acalmava com mentiras e, se ela não causasse problemas, ele não pretendia machucá-la.
Mas quem diria que ela o seguiria secretamente até a vila de Juca Silveira e ouviria a conversa dos dois? Ela descobriu toda a verdade. Como ele poderia deixá-la livre depois disso? Se não fosse pelo talento dela, ele já teria mandado o tio matá-la há muito tempo.
...
Quando Ricardo saiu da sala de interrogatório, Alice foi ao encontro dele.
— Capitão, tenho uma descoberta. — Alice entregou o celular a Ricardo. — Encontrei na internet a foto da filha daquele casal de professores. Veja, na foto ela usa um grampo de cabelo de strass lilás.
Ricardo assentiu: — E então?
Alice abriu o vídeo de Lúcia Barros cantando e deu zoom.
— Veja o cabelo da Lúcia. Ela está usando o mesmo grampo. Acho que não é coincidência. Será que o Jota Ce roubou o acessório da professora voluntária e deu de presente para a Lúcia?
Ricardo analisou cuidadosamente. Realmente parecia o mesmo objeto.
...
Ricardo voltou para a sala de interrogatório. Avançou até Jota Ce e mostrou as fotos do grampo no cabelo de Lúcia e no da professora desaparecida.
— Diga: o desaparecimento da professora Estela (瑤) tem a ver com você?
O rosto de Jota Ce já não mostrava o pânico anterior; em vez disso, um sorriso provocante surgiu em seus lábios.
— Inspetor, não tente jogar qualquer sujeira em cima de mim. Um grampo igual não prova nada. Eu nem conheço essa tal professora.
Sem esperar a resposta de Ricardo, a arrogância de Jota Ce transbordou:
— Além do mais, se forem capazes, achem o corpo dela. Com apenas um grampo vocês não conseguem me incriminar por nada, seus idiotas!
As veias na têmpora de Ricardo saltaram. Ele agarrou Jota Ce pelo colarinho:
— Com essa frase, você acaba de se entregar. Eu nunca disse que a Estela estava morta. Como você pode estar tão certo de que teremos que procurar por um corpo?
Jota Ce arqueou as sobrancelhas, com um ar de total descaso:
— Eu disse por dizer. Se forem bons, tragam evidências. Se não têm provas, parem de fazer cena na minha frente! Sabem quanto eu pago de imposto por ano? O suficiente para sustentar policiais como vocês por anos. E agora vocês pegam o meu dinheiro e tentam me morder? Que nojo!
Do lado de fora, Lipe e Alice estavam furiosos com a prepotência de Jota Ce.
— Eu realmente queria entrar lá e dar um soco nele — disse Lipe, cerrando os punhos.
Lá dentro, Ricardo recuperou a calma. Encarou Jota Ce fixamente e disse pausadamente:
— Nós recebemos o salário do Estado e protegemos as leis e a ordem do país, não a esmola de lixos como você.
Alice bateu palmas silenciosamente para Ricardo. Embora ele fosse de poucas palavras, sempre atingia o ponto crucial. Ele era magnético.
Ricardo estava convencido: a professora desaparecida fora assassinada por Jota Ce. Ele foi até sua sala e ligou para o distrito responsável pelo caso antigo. Ao desligar, sua expressão mudou drasticamente.