Capítulo 21: Chame-o de "Oppá"~
Alice voltou para o seu apartamento. A garoa transformou-se em chuva e o vento começou a soprar forte lá fora. Assim que entrou, sua primeira reação foi correr para a varanda para recolher as roupas. Ela planejava ir nadar com uma amiga no fim de semana, então lavara seu biquíni e o deixara secando.
No entanto, ela só encontrou a saia de banho; o top de renda com alças finas havia sumido. Alice procurou por todos os cantos, mas não o encontrou. Seus belos olhos mostraram confusão. Como poderia ter desaparecido? Ela olhou para a varanda ao lado. Teria voado para a varanda do "Cachorro Ricardo"?
Minutos antes.
Ricardo chegara em casa e fora recolher suas roupas um passo à frente de Alice. Enquanto recolhia as peças, notou um pequeno pedaço de tecido caído no canto. Ele se aproximou e o pegou. Alças finas, bordas de renda, um tecido minúsculo e extremamente sexy. No meio do seu desajeito, a ponta de seu dedo enganchou em um fio da renda. Ao aplicar um pouco de força, acabou rasgando uma parte do tecido.
As sobrancelhas de Ricardo se franziram instantaneamente. Aquela peça de roupa mínima era da Alice? E ele acabara de estragá-la por acidente? Ricardo guardou suas roupas no quarto e voltou para a sala segurando o pedaço de tecido. Sua mandíbula estava rígida e seus lábios formavam uma linha fria. Ele olhava para aquele retalho minúsculo com uma expressão mais solene do que se estivesse diante de um caso de assassinato em série.
O tecido em sua mão parecia uma batata quente, fazendo as pontas de seus dedos formigarem. Enquanto ele estava ali, paralisado, a campainha tocou. Ricardo, por instinto, jogou o biquíni para longe. Respirou fundo, caminhou até a porta e a abriu.
Era Alice. Ela acabara de tomar banho e vestia uma camisola de cetim cor champanhe. O cabelo entreaberto caía sobre os ombros; ela estava radiante e encantadora. Por um instante, Ricardo quase não teve coragem de encará-la.
— Capitão, uma peça de roupa minha deve ter voado para a sua varanda. Posso dar uma olhada?
O corpo alto de Ricardo bloqueou a entrada.
— Vá para casa. Se eu encontrar, eu te entrego.
Alice percebeu o comportamento estranho do homem. Normalmente, ele era rígido e implacável na frente dela, mas agora parecia culpado. Alice arqueou as sobrancelhas:
— O Capitão já encontrou, não foi?
Ricardo desviou o olhar e disse com a voz rouca:
— Não.
Alice obviamente não acreditou. Aproveitando um momento de distração dele, ela esquivou-se e entrou no apartamento. Ao vê-la caminhar em direção à sala, Ricardo levou a mão à testa e fechou os olhos, tentando formular uma explicação rapidamente.
Ao chegar na sala, Alice viu seu top de renda jogado no tapete, perto do sofá. Ela o pegou e sentiu o sangue subir à cabeça. Maldito! Ele ainda por cima rasgara a renda. O que ele tinha feito com o seu biquíni? Uma renda tão bonita estragada daquela forma... ele era um animal!
Alice caminhou furiosa até o homem e estendeu a peça:
— Capitão Ricardo, você não me deve uma explicação?
Ricardo comprimiu os lábios, com uma expressão de total embaraço. Suas orelhas esquentaram visivelmente.
— Eu rasguei sem querer. Eu te pago o valor.
Alice rangeu os dentes e aproximou o rosto do dele, perguntando palavra por palavra:
— Me diga, como você rasgou? Não me diga que você pegou meu biquíni para fazer alguma coisa perversa?
A mandíbula de Ricardo tensionou-se bruscamente, e seus olhos negros escureceram:
— Alice, que tipo de absurdo você está dizendo?
— Os fatos estão aqui. Como é absurdo? Você finge ser esse cara frio e puritano, mas faz coisas pervertidas com a minha roupa... Ricardo, você é um hipócrita—
Antes que ela terminasse, ele cobriu a boca dela com sua mão grande.
— Eu não sou tão baixo assim!
Com a boca coberta, Alice sentiu falta de ar e, com seu temperamento explosivo, deu uma mordida forte na base do polegar dele. Ela não teve piedade. Ele chegou a sangrar.
Ricardo travou o maxilar, segurou-a pelos ombros e a prensou com força contra o batente da porta. Ele colocou uma mão acima da cabeça dela e, com a outra mão ferida, segurou o queixo dela.
— O que você quer? Vai me enforcar agora também... hum!
As palavras foram silenciadas pelos lábios finos do homem. Alice não esperava que ele fosse beijá-la de repente; sua mente ficou em branco por um segundo. No momento em que os lábios se tocaram, foi como se uma corrente elétrica a atravessasse. Uma aura masculina dominadora a envolveu completamente. Ele parecia furioso, e sua respiração estava pesada.
Foi um beijo feroz e caótico. Os lábios de Alice doíam sob a pressão dele. A mão que segurava seu queixo subiu para a sua nuca. Não foi um beijo profundo; ele deu uma mordida forte no lábio dela antes de soltá-la.
— Se eu quisesse fazer algo perverso, eu faria diretamente com você. Por que eu perderia tempo com um pedaço de pano?
Antes que Alice pudesse reagir, ele a empurrou para fora e fechou a porta com força. Alice ficou olhando para a porta fechada, tocando os lábios. Se não estivessem formigando, ela acharia que fora uma alucinação.
Droga! O Cachorro Ricardo acabou de me beijar à força?
Ela começou a esmurrar a porta.
— Tem coragem de beijar, mas não tem coragem de me encarar? Abre essa porta e vamos conversar direito!
Assim que terminou de falar, recebeu uma notificação no celular. Ricardo fizera um Pix de dez mil reais para ela. Alice quase riu de tanto ódio. Quer dizer que ele pagou dez mil pelo beijo de agora? Ele não era pobre? De onde tirou tanta generosidade?
Ela diminuiu a força das batidas.
— E a minha roupa que você rasgou? Eu não quero o seu dinheiro!
O homem não abriu a porta, mas mandou uma mensagem:
「O que você quer que eu faça?」
「Quando tiver tempo, você vai comigo ao shopping comprar outro.」
Ele demorou a responder.
「Se não responder, eu posto a foto da minha roupa rasgada no grupo de trabalho.」
Atrás da porta, as veias na testa de Ricardo saltaram. Conhecendo o jeito dela, ele sabia que ela era perfeitamente capaz de fazer isso.
「Combinado.」
Alice sorriu vitoriosa. Sabendo que ele ainda estava atrás da porta, ela encostou o rosto na madeira e disse com voz sedutora:
— Oppá... não vá sonhar comigo hoje à noite, hein? ~
Dito isso, voltou rindo para o seu apartamento.
Ricardo encostou-se na porta, com os olhos vermelhos, e olhou para baixo.
Maldita! Ela conseguira provocá-lo de novo.
...
Dona Helena deixou que Flávia ficasse no quarto de Alice. Flávia trouxera seu laptop da vila. Ela passava o tempo todo sentada na cama atualizando os dados de Jota Ce. Ela queria muito entrar no grupo VIP Diamante do cantor, o que exigia um ano de dedicação, gastos consideráveis e aprovação em três rodadas de auditoria rigorosa. Inúmeras fãs disputavam as vagas.
Após muito esforço, Flávia finalmente passou pela terceira rodada.
— Aaaaaah!
Ela pulou na cama, gritando de alegria.
— Finalmente entrei no grupo Diamante! Que felicidade!
Ela abraçou o travesseiro e começou a rolar pela cama. O grupo tinha apenas cem pessoas e, para alguém entrar, outra pessoa era expulsa. O chat era silenciado, apenas administradores falavam. O administrador deu as boas-vindas a Flávia e mandou uma mensagem privada dizendo que, amanhã à noite, após o show, ela teria um encontro particular com Jota Ce.
Flávia gritou novamente. Helena abriu a porta para ver o que era.
— Flávia, o que houve?
— Tia, amanhã à noite eu vou conhecer meu ídolo pessoalmente, só eu e ele!
— Ele é homem ou mulher? Tome cuidado, minha filha.
Flávia não gostou do comentário. Seu ídolo era um homem maravilhoso e bondoso. Conhecê-lo era uma benção, não um perigo.
— Tia, você não entende essas coisas de jovens.
Helena não insistiu, mas, preocupada, ligou para Alice na sala. Ao saber que Flávia iria sozinha encontrar Jota Ce, Alice sentiu um pressentimento ruim. O caso de Lúcia Barros ainda não fora resolvido e a relação dela com Jota Ce era incerta. Um encontro particular poderia ser perigoso.
— Mãe, amanhã cedo eu passo aí em casa.
Na manhã seguinte, Alice entregou uma caixa para Flávia. Ao abrir, a jovem arregalou os olhos.