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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 20

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Capítulo 20: Amor Secreto, a Declaração no Post-it

Ricardo apertou o volante, seus olhos negros brilhando com um desejo reprimido:

— Alice, se você continuar me provocando, juro que eu...

Alice o interrompeu, aproximando o rosto:

— Vai me beijar até eu perder o fôlego?

Ricardo soltou um palavrão e empurrou o rosto dela para longe.

— Pare com isso, estou dirigindo.

Alice notou no GPS que faltavam vinte minutos para o bar.

— Vá para o banco do passageiro, eu dirijo.

— Não precisa.

— Se não quer ser provocado, faça o que eu digo.

Ricardo cedeu. Encostou o carro e trocaram de lugar.

— Descanse um pouco, eu te acordo — disse Alice. — E fique tranquilo, não vou pular em cima de você enquanto dorme.

Ricardo resmungou:

— Não era você que só gostava dos "intelectuais e refinados"?

Alice sorriu de forma sedutora:

— Aqueles são para casar. Alguém como você é para a cama. Não há conflito.

Ricardo não respondeu mais. Essa mulher tinha o dom de deixá-lo sem palavras. Alice colocou uma música suave e, logo, Ricardo pegou no sono.

Quando ele acordou, estavam na porta do bar. Alice olhava o celular usando fones de ouvido. Ricardo espiou a tela: ela assistia a um vídeo de um show do Jota Ce.

Ele se espreguiçou e Alice percebeu que ele acordara, tirando os fones.

— Acordou?

— Sim. O que acha das músicas do Jota Ce?

— Para ser sincera, as primeiras eram ótimas, muito delicadas. Ouvi dizer que ele mesmo compunha. Mas as músicas dos últimos dois anos... o estilo mudou muito, não gosto tanto.

Ricardo assentiu:

— Me mande a lista de músicas depois, quero ouvir.

Alice fez um sinal de "OK".

...

Paula, que registrara o desaparecimento de Lúcia dois anos atrás, era agora gerente no Bar Noturno. Ao saber da visita da polícia, levou-os até seu escritório.

— Inspetor, encontraram a Lúcia?

Ricardo perguntou com tom profissional:

— Viemos saber sobre o período em que Lúcia trabalhou aqui e suas relações pessoais.

— Lúcia era órfã. Veio trabalhar aqui logo após o ensino médio. Começou como garçonete, mas nosso patrão descobriu o talento dela para compor e cantar. Ela tinha uma voz linda.

— Lúcia era uma pessoa doce. Quando cheguei e fui maltratada por clientes, ela me defendeu. O sonho dela era juntar dinheiro para reformar o orfanato onde cresceu. Mas, infelizmente...

Ricardo parou de escrever e olhou para ela:

— Infelizmente o quê?

— Infelizmente, há quatro anos, a voz dela foi destruída. Alguém colocou algo na água dela por inveja. A voz dela, que era cristalina, ficou rouca e quebradiça. Mal conseguia falar.

— Chamamos a polícia, mas as câmeras estavam estragadas e ninguém foi pego. Depois disso, ela se demitiu. Mantínhamos contato por WhatsApp, mas há dois anos ela parou de responder e o celular foi desligado. Fui ao orfanato e a diretora disse que ela não aparecia há tempos. Então eu fiz o boletim.

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— No período em que ela cantava aqui, ela tinha proximidade com alguém especial? — perguntou Ricardo.

— Ela morava no alojamento e vivia para a música. Mas — Paula hesitou — no mês antes de perder a voz, ela saía todas as noites e só voltava de madrugada. Dizia que ia para um lugar calmo compor. Mas eu notei que ela estava sempre sorrindo, parecia apaixonada. As músicas mudaram: deixaram de ser tristes e ficaram extremamente românticas.

Paula tirou um celular antigo da gaveta.

— Uma noite, eu gravei um vídeo dela cantando uma música nova.

Ricardo assistiu ao vídeo. Lúcia estava no palco de vestido amarelo, cantando com uma voz doce e feliz. Enquanto a câmera passava pelo público, Ricardo notou uma figura familiar. Ele pausou e deu zoom.

Alice aproximou-se:

— Aquele no canto é o Juca Silveira?

— Sim — disse Ricardo, sério. — E olhe quem está logo atrás dele, embora a imagem esteja borrada.

O registro era antigo, mas a conexão estava ali. Juca Silveira, um homem simples do interior, não estaria em um bar daqueles por vontade própria. Alguém o levara.

Alice olhou para Ricardo:

— Você está dizendo que...

Ricardo assentiu, confirmando a suspeita dela.

Ao saírem do escritório, passaram por um mural cheio de papéis coloridos.

— O que é isso? — perguntou Ricardo.

— É um mural de memórias para clientes e funcionários. É romântico e cheio de vida — explicou Paula.

— Será que a Lúcia deixou algo escrito aqui? — sugeriu Alice.

Ricardo olhou para ela com admiração:

— Você é muito perspicaz.

Alice fingiu desdém:

— Eu sempre fui.

— Perspicaz a ponto de ser traída? — provocou ele.

Alice deu um pisão no pé dele:

— Não comece.

Eles procuraram por meia hora. Alice viu um post-it laranja com as pontas soltas. Ela o retirou com cuidado.

— Capitão, veja isto.

A caligrafia era delicada e alegre:

“Que sorte ter te encontrado. Espero que fiquemos juntos para sempre. — Lúcia.”

...

Ao fim do expediente, uma chuva fina caía. Flávia ligou para Alice:

— Alice, vi que as fãs do Jota Ce estão atacando o site da polícia. Ele está em apuros?

— Flávia, segredo de justiça.

— Ah... O show dele é logo, e minhas faixas e bastões de luz ficaram na vila alugada. Posso ir buscar?

— Não até o caso ser resolvido.

Alice lembrou-se subitamente: os itens de Flávia — bastões, faixas, chaveiros — eram todos

laranjas

.

— Flávia, o Jota Ce gosta de laranja?

— É a cor oficial do fã-clube dele!

Alice desligou e correu para contar a Ricardo o que descobrira.

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