Capítulo 14: Força Total e o Rompimento Definitivo
— O filho que você carrega na barriga não é do Alberto. Ele sofre de azoospermia e jamais poderá engravidar uma mulher nesta vida!
O corpo de Letícia ficou rígido e suas pupilas se arregalaram. Ela olhou para Helena em choque.
Demorou muito para que ela conseguisse berrar de volta:
— Sua bruxa velha, você está mentindo! O Professor me disse que era você quem não conseguia chocar um ovo, que você era a estéril!
Helena olhou para a arrogante Letícia com uma tristeza profunda nos olhos, enquanto um sorriso irônico surgia em seus lábios.
— Quando o resultado do exame saiu, mostrou que ele era infértil. Eu o amava demais; sabia que ele era orgulhoso e tive medo de que não aguentasse a verdade, por isso alterei o relatório. Achei que, mesmo sem filhos, ele continuaria me amando, mas eu estava enganada—
Helena tirou do bolso um relatório médico amarelado. Letícia o pegou e, após ler, sentiu sua cabeça latejar.
— Por favor, deixe-o. — Mesmo naquele estado, Helena ainda fantasiava que, após a partida de Letícia, ela e Alberto poderiam se reconciliar. Ela planejava contar a verdade a ele depois.
No entanto, ela não previu que Letícia, ao saber da verdade, teria instintos assassinos. Letícia guardou o relatório na bolsa e olhou para a enfraquecida Helena. De repente, uma loucura assassina passou por seus olhos. Se Helena morresse, Alberto jamais saberia que o filho não era dele.
Letícia pegou o cinzeiro de cristal sobre a mesa de centro e golpeou a cabeça de Helena. Por estar apavorada, o golpe não foi forte o suficiente, e Helena tentou agarrá-la. Letícia sentiu as pernas fraquejarem, sem saber como reagir, quando seu namorado, Carlos, entrou na casa.
Carlos arrancou o cinzeiro das mãos dela e desferiu vários golpes violentos na cabeça de Helena. Depois, ele foi até o quarto e vasculhou tudo. Levou algumas joias de ouro de Helena e um frasco de perfume de rosas.
— Tome, querida. Seu perfume favorito.
Ao entregar o perfume, Letícia, nervosa, não conseguiu segurá-lo. O frasco caiu e quebrou, espalhando a fragrância por todo o chão e encharcando o corpo de Helena. No meio da confusão, quando se preparavam para fugir, ouviram passos do lado de fora.
Alberto havia voltado.
Letícia disse rapidamente a Carlos:
— Esconda-se! O Alberto se importa muito com esse bebê. Entre mim e a Helena, ele com certeza vai me escolher.
Após Carlos se esconder, Alberto entrou. Como esperado, ele escolheu Letícia. Talvez, no fundo de sua alma, ele já desejasse a morte de Helena há muito tempo.
Ricardo ordenou a captura de Carlos. Enquanto Letícia era escoltada para o centro de detenção, cruzaram com Alberto, que também estava sendo transferido.
Alberto, que estava de cabeça baixa, ao ver Letícia, transformou-se em uma fera enfurecida. Com os olhos injetados de sangue e o rosto contorcido, ele gritou:
— Piranha! Você me enganou! Você e seu amante mataram a Helena! Vocês me tiraram a minha esposa—
Os policiais contiveram Alberto antes que ele avançasse sobre Letícia. Letícia, olhando para o homem que agora a odiava mortalmente, respondeu com os olhos vermelhos:
— Você também não vale nada.
— Eu não valho nada? Foi você quem me seduziu! Se não fosse por você, eu jamais teria machucado a Helena! Você destruiu a mim e a ela!
Alice, que passava por ali, não conseguiu se conter ao ouvir as palavras de Alberto. Ela avançou com tudo:
— Alberto, a Letícia realmente não vale nada, mas que tipo de "homem de bem" você acha que é? Você é um homem medíocre e complexado na alma. A Helena e os pais dela fizeram noventa e nove coisas boas por você, mas bastou uma vontade sua não ser atendida para você achar que eles te desprezavam. Você é um egoísta, um lixo que só pensa no próprio benefício!
— Você não conseguiu controlar seus baixos instintos. Quando estava traindo, por que não pensou na bondade da Helena? Não se faz barulho com uma mão só; se você não tivesse cobiçado o corpo jovem da Letícia querendo um herdeiro, ela teria te forçado? Você quis ter tudo e acabou sendo pior que um verme de esgoto!
— A Helena, até a morte, quis preservar a sua dignidade, e você quis acabar com a vida dela. Você viveu às custas dela e ainda se acha no direito de ser arrogante. Espero que na próxima vida você nasça como um animal, para não estragar a vida de mais nenhum ser humano!
Após o desabafo de Alice, um silêncio absoluto tomou conta do corredor. Os policiais que escoltavam Alberto olharam para Ricardo, que segurava Letícia.
Ricardo fixou seus olhos negros em Alice. Ela ergueu o queixo:
— O que foi? Xingar homem traste não é crime, é?
Ricardo: — ...
Ela descarregou a raiva, mas o jeito que olhou para ele fez parecer que ele também era um traste. Alberto ficou paralisado pelas palavras de Alice e, ao recuperar os sentidos, não conseguiu balbuciar uma única defesa. Ele era, de fato, pior que um animal.
...
O caso do casal sem filhos foi encerrado. Alice prometeu à mãe que iria jantar em casa. Seu irmão também estaria de volta da faculdade. Para chegar mais rápido, Alice pegou uma rodovia recém-inaugurada.
No entanto, o carro morreu. Ela tentou dar a partida várias vezes, sem sucesso.
Alice desceu, abriu o capô, mas não conseguiu identificar o problema. Voltou para o carro para pegar o celular e ligar para o guincho. Por azar, o aparelho estava sem bateria e desligou.
Alice bateu a mão na testa. Que dia péssimo! Primeiro a briga com o "Cachorro Ricardo", agora o carro quebrado e o celular descarregado.
Naquela estrada nova, quase não passavam veículos. Quando ela já estava ficando preocupada, viu um utilitário preto se aproximar. Os olhos de Alice brilharam e ela acenou desesperadamente.
Conforme o carro chegava perto, ela viu quem estava ao volante pelo vidro abaixado.
Ricardo.
Ele usava óculos escuros, tinha o perfil rígido e o nariz imponente. Com uma mão no volante e a outra apoiada na janela segurando um cigarro. Ao vê-la acenar, ele apenas lançou um olhar indiferente e não demonstrou intenção de parar.
Alice, ao reconhecê-lo, parou de acenar na hora.
Cachorro insensível!
Esquece, não esperaria ajuda dele.
Alice ia olhar se vinha outro carro quando, de repente, o utilitário que havia passado voltou de ré. A porta se abriu e o homem alto e frio desceu. Ele pendurou os óculos na gola da camiseta e olhou para ela com seus olhos negros profundos:
— O carro quebrou?
Alice continuou olhando para o horizonte, fingindo que ele não existia. Ricardo a observou por alguns segundos antes de caminhar até o carro dela, abrir o capô e analisar:
— Eu posso consertar.
Alice: — ...
Tudo bem, tudo bem.
Pelo bem do seu carro, ela faria uma trégua temporária.
— Eu te pago pelo conserto.
Ricardo estreitou os olhos e pressionou a língua contra os dentes molares:
— Você parece gostar muito de dar dinheiro para as pessoas.
Alice paralisou. Ela entendeu a indireta sobre a noite casual, quando também tentou pagá-lo.
— Com certeza. Não gosto de dever nada a ninguém.
Ricardo não disse mais nada. Abriu o porta-malas do seu carro e pegou uma caixa de ferramentas. Colocou o cigarro no canto da boca e inclinou-se sobre o motor. Alice aproximou-se e ficou ao lado dele. Seus olhos, involuntariamente, focaram no corpo dele.
Ele vestia uma camiseta preta que, ao se inclinar, colava no corpo, revelando os músculos perfeitos dos ombros e braços. O peito era firme e a cintura estreita e poderosa; ele transbordava uma masculinidade bruta e atraente.
O olhar de Alice desceu para o bumbum do homem. Era, de fato, bem firme. Ela sentiu a palma da mão coçar; deu vontade de dar um tapa.
Ricardo percebeu o olhar invasivo dela. Ele apagou o cigarro e lançou um olhar de soslaio:
— O que você está olhando?
— Eu olho o que eu quiser.
Ricardo cerrou os lábios. O olhar de Alice agora estava nas mãos dele, sujas de graxa. Eram mãos bonitas, longas e que demonstravam força. Dizem que se as mãos do homem são grandes, "aquilo" também é... e, pelo que ela lembrava, o ditado estava certo.
— Doutora Alice, controle o seu olhar. Tenho medo de que você não resista e pule em cima de mim.
Alice sentiu a garganta secar. Ela arqueou as sobrancelhas:
— Acredite se quiser: se eu pular, o seu "amiguinho" vai me prestar continência na hora.
A mandíbula de Ricardo tensionou-se:
— Você ainda se considera uma mulher, droga?
Alice: — Se eu não fosse mulher, você teria me procurado várias vezes naquela noite?
Ricardo: — ...
Esquece. O quanto a língua dessa mulher era afiada, ele já tinha comprovado hoje quando ela destruiu o Alberto.