Capítulo 12: A Reviravolta, o Estéril era Ele
Lipe entrou no escritório de Ricardo segurando um café.
— A Alice é realmente linda e generosa, além de ser riquíssima. O café que ela nos pagou é de marca premium.
Ele olhou para a mesa de Ricardo e, vendo que não havia café ali, aproximou-se com um olhar sugestivo.
— Chefe, por que só você não ganhou? Hoje no elevador eu já senti que o clima entre você e a Alice estava estranho. Vocês brigaram?
Ricardo lançou um olhar gélido para Lipe.
— Eu não tenho dinheiro para comprar meu próprio café? Tenho que esperar que ela compre para mim?
Lipe observou o homem, cuja mandíbula estava tão rígida e o rosto tão frio que parecia coberto por uma camada de gelo.
— Chefe, não foi isso que eu quis dizer. Só fiquei curioso. A Alice acabou de chegar na unidade, como vocês já conseguiram ter um conflito?
— Pare de criar teorias. — A voz grave de Ricardo transbordava uma autoridade inquestionável.
Lipe deu um gole no café.
— Realmente delicioso.
Vendo que a expressão do chefe ficava cada vez mais sombria, Lipe não ousou mais cutucar a onça com vara curta. Ele pousou o café e recuperou a seriedade.
— Chefe, já podemos encerrar o caso da Helena?
Ricardo baixou o olhar, analisando novamente o depoimento de Alberto.
— Ainda existem dois pontos duvidosos que não foram esclarecidos.
Lipe seguiu a direção do dedo de Ricardo.
Ricardo disse com voz fria e sombria:
— Primeiro: Alberto disse no depoimento que estrangulou Helena e depois bateu na cabeça dela com o cinzeiro. O relatório necroscópico da Alice mostra que, quando foi esganada, Helena não morreu. Por que Alberto achou que já a tinha matado apenas com as mãos?
Lipe assentiu, pensativo.
— Verdade. Se ele achava que ela já estava morta, por que ainda bateria nela com um cinzeiro?
Ricardo apontou para outra parte do registro.
— Segundo: Alberto revelou que, no dia do crime, Helena estava no sofá assistindo aos vídeos da traição dele com Letícia. Naquele momento, ela estaria em um estado de colapso emocional extremo. Nessas condições, ela teria disposição para passar perfume de rosas?
Durante a necropsia, Alice detectou perfume de rosas nos ossos de Helena. Apenas uma aplicação maciça de perfume antes da morte faria com que a fragrância penetrasse nos tecidos subcutâneos e nas frestas ósseas junto com os fluidos corporais.
Lipe franziu o cenho.
— Chefe, sua análise faz todo o sentido. Realmente não bate. Uma mulher mergulhada na tristeza não sairia borrifando perfume em si mesma.
— A menos que... — Ricardo estreitou seus olhos negros e profundos, levantando-se bruscamente da cadeira de couro. — Venha comigo até a sala forense.
Lipe ficou surpreso.
— Você precisa que eu vá junto?
— Se eu mandei seguir, siga.
— Sim, senhor!
Lipe estava cada vez mais convencido de que o chefe e a Alice tinham tido algum desentendimento.
……
Sala Forense.
Alice analisava os documentos e dizia à sua assistente, Vic:
— O caso da Helena ainda tem pontos suspeitos. O uso normal de perfume não penetraria até o osso...
Alice levava o dedo ao queixo, escrevendo as observações no relatório.
— Vic, leve isso para o Capitão Ricardo.
Mal terminou de falar, viu Ricardo e Lipe se aproximando. Os olhares de Alice e Ricardo se cruzaram de forma inesperada.
— Chefe, Lipe! — Vic cumprimentou, entregando o relatório a Ricardo.
— Alice, você e o nosso chefe têm uma sintonia incrível. Os pontos suspeitos que vocês encontraram são idênticos — disse Lipe, sorrindo.
Alice olhou novamente para Ricardo. Ele estava com uma expressão solene e impessoal.
— Doutora Alice, quando você fez a necropsia, notou alguma anomalia no útero da vítima?
Alice entregou uma pasta a Ricardo.
— A morfologia do útero estava preservada, as trompas de Falópio estavam pérvias e os ovários tinham tamanho normal.
Os lábios finos de Ricardo formaram uma linha reta. Parecendo ter chegado a uma conclusão, ele imediatamente ordenou que verificassem em qual hospital Alberto e Helena haviam feito seus exames de rotina anos atrás.
Após descobrirem, Ricardo, Lipe e Alice foram juntos ao Hospital Municipal. Lipe dirigia, Ricardo ia no banco do passageiro e Alice atrás. Ninguém falava; o clima estava pesado.
Lipe tentou quebrar o gelo:
— Alice, você sabia que eu e o Biel éramos inimigos mortais antigamente?
Alice balançou a cabeça.
— Não sabia.
— No ensino fundamental, em uma aula de educação física, o Biel não me deixava usar a barra fixa. Eu fiquei furioso e tentei puxá-lo, mas acabei puxando a calça dele para baixo. Ele estava sem cueca e ficou totalmente exposto.
— Na hora, nós dois ficamos paralisados. Alguns colegas começaram a zombar. Eu tentei ajudar o Biel a vestir a calça, mas ele ficou tão nervoso que acabou fazendo xixi em mim.
— Eu fiquei todo ensopado. Depois disso, a gente não podia se ver. Ficamos traumatizados um com o outro.
Alice não aguentou e riu.
— E como foi que vocês fizeram as pazes?
— Acabamos entrando na mesma academia de polícia. E, por coincidência, começamos a namorar virtualmente a mesma garota. A voz dela era linda, mas quando fomos conhecer... a aparência não ajudava em nada.
Alice estreitou os olhos.
— Não me diga que era um homem fingindo?
— Pior que um homem, era um senhor de idade. Quando descobrimos a verdade, nos abraçamos e choramos juntos. Depois disso, nossa relação melhorou.
Alice deu uma risadinha.
— Vocês são verdadeiros companheiros de infortúnio.
— E você? O que aconteceu com o nosso chefe? Vocês discutiram?
— Quem discutiu com ele—
Antes que Alice terminasse, o homem no banco da frente soltou uma tosse seca. Alice parou de falar imediatamente. Ela olhou para Ricardo e depois para Lipe.
— Lipe, você está ficando esperto demais, tentando tirar informações de mim. Eu nem conheço bem o chefe de vocês, como poderíamos discutir?
Lipe deu uma risadinha.
— Na verdade, o nosso chefe é uma ótima pessoa. Ele é meio frio por fora, mas tem um coração caloroso.
Alice pensou consigo mesma:
Onde que ele é caloroso? Só sabe me irritar.
— E que tipo de homem você gosta, doutora? — perguntou Lipe.
— Gosto de homens asseados, refinados, intelectuais e que tenham bom humor.
Em todo caso, o oposto absoluto do Ricardo!
……
Ao chegarem ao hospital, os três foram ao escritório do diretor. Após explicarem o motivo da visita, o diretor enviou alguém ao arquivo para buscar os dados de Alberto e Helena.
Uma hora depois.
O diretor entregou os prontuários a Ricardo. Ricardo calçou as luvas e folheou os documentos rapidamente. Após ver os dados de Helena, passou para os de Alberto.
Ao ler as palavras
"Azoospermia"
, seus olhos se estreitaram bruscamente.
Era exatamente como ele suspeitava. O estéril, na verdade, não era Helena, mas Alberto.
Após tirarem cópias dos documentos, o grupo retornou à delegacia. Alberto foi levado novamente à sala de interrogatório.
Ele estava com os olhos injetados de sangue e parecia exausto.
— Inspetor, eu já confessei. Podem me dar a sentença que for, não precisa mais de interrogatório... Eu assumo tudo.
Ricardo, com o rosto sombrio, jogou os dois relatórios médicos sobre a mesa. Sua voz era fria como gelo:
— Quem matou a Helena não foi apenas uma pessoa. Você vai continuar escondendo a verdade?
Alberto hesitou por um momento. Seu olhar caiu sobre os relatórios que Ricardo jogara. Ao perceber do que se tratava, suas pupilas se contraíram violentamente.
— Co... como isso é possível?