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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 8

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Capítulo 8: Caso Encerrado e uma Admiradora Secreta

Três anos atrás, a mãe de Alberto trouxe parentes da aldeia para visitá-lo na cidade.

Naquele dia, Helena tinha compromissos na universidade e não pôde recebê-los pessoalmente. A mãe de Alberto comprou os mantimentos e preparou o jantar em casa para os convidados.

Helena tinha um cachorro de rua que havia resgatado sete anos antes. O animal era dócil, mas naquele dia, não parava de latir para um dos parentes. Irritado, o convidado deu um chute violento no cachorro.

Após o cão desmaiar, o parente instigou a mãe de Alberto a matar o animal e cozinhá-lo em um ensopado.

Quando Helena chegou em casa e não encontrou o cachorro, a sogra mentiu, dizendo que o animal havia fugido. Helena não acreditou e verificou as câmeras de segurança da sala.

Ao descobrir a verdade — que seu companheiro de sete anos havia sido devorado por eles —, ela explodiu. Gritou, exigiu satisfações e chamou sua própria família, obrigando a sogra e os parentes a pedirem desculpas. Não apenas isso: ela os expulsou de casa imediatamente.

Esse incidente feriu profundamente o orgulho de Alberto. De volta à aldeia, ele passou a ser alvo de fofocas.

Ao relatar isso, Alberto ficou extremamente agitado:

— Ela vivia dizendo que me amava, mas por causa de uma bobagem daquelas, não me deu um pingo de consideração! Minha mãe ficou doente de tanto desgosto e ela nem sequer foi visitá-la. Ela e os pais dela sempre me desprezaram do fundo do coração! Eu não era um genro "comprado", mas era tratado como se fosse inferior a um!

— Um cachorro era tão importante assim? Ela não podia ter filhos e eu nunca a culpei por isso! Além do mais, se o cachorro que ela criava não tivesse tentado morder meu parente primeiro, minha mãe o teria cozinhado?

Ricardo franziu as sobrancelhas, seus traços faciais tornando-se rígidos e severos.

— Helena cuidou daquele cachorro por sete anos, o que prova que ela era uma pessoa muito amorosa. Talvez a maior alegria dela ao chegar do trabalho fosse ver o cão trazendo seus chinelos até a porta, ou passear com ele após o jantar. Sua mãe e seus parentes cozinharam o cachorro dela e provavelmente riram enquanto comiam. Você já parou para pensar na dor que ela sentiu?

— Eu sabia que ela estava mal, e eu disse que se ela quisesse outro, eu compraria um de raça para compensar. Ela é que não quis mais.

O olhar de Ricardo era gélido.

— Até os animais entendem a natureza humana, mas você não. Você é realmente inferior a um animal.

Alberto não achava que estava errado. Há quem goste de animais e quem não goste; ele simplesmente fazia parte do segundo grupo. Sempre que Helena dizia que, por não terem filhos, o cachorro era como um bebê para eles, ele sentia uma repulsa imensa.

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— Se eu sou um animal, por que Deus não me levou em vez de levar os pais da Helena? Talvez até o céu estivesse cansado deles! Eles diziam que me tratavam como um filho, mas no fundo me olhavam por cima, desprezando meus pais humildes da roça!

Após a morte dos pais e a lesão no pulso que a impediu de pintar, Helena tornou-se instável emocionalmente. Qualquer detalhe era motivo para estresse e brigas.

Ele chegou ao seu limite. Naquele ano, ela se recusou a passar o Natal na aldeia com ele, e ele foi sozinho. Durante as visitas aos parentes, as tias e vizinhos voltaram a tocar no assunto da falta de herdeiros. Sua mãe lhe deu um ultimato: se não tivesse um neto para segurar nos braços, não morreria em paz.

Nesse período, Letícia também havia voltado para a aldeia. Como ele estava deprimido, ela ia visitá-lo com frequência para lhe fazer companhia. Letícia era doce, sabia consolar e falava com suavidade toda vez que ele estava triste.

Alberto pressionou as têmporas, com um olhar carregado de uma complexidade difícil de decifrar.

— Naquela noite, eu bebi demais. Sob o efeito do álcool, ultrapassei a linha com a Letícia.

Depois, Letícia chorou em seus braços, dizendo para ele não se culpar e que ela não destruiria sua família. Ela o admirava há muito tempo e, para estar com ele, aceitava ser "a outra".

Quem não gostaria de uma mulher jovem, bonita, gentil e que o tratasse como um ídolo? Além disso, Letícia sabia como agradá-lo na cama.

A primeira vez levou à segunda, à terceira. Ele e Letícia escondiam a relação de todos; ela nunca fazia exigências absurdas, apenas o acompanhava em silêncio. Alberto não pensava em divórcio, afinal, a imagem de "casal modelo" dele e Helena era sólida. Se ele a abandonasse após as tragédias familiares dela, seria rotulado como um canalha oportunista.

Ele queria manter a esposa legítima em casa e a amante fora. Como Letícia era sua aluna, ninguém suspeitava.

Dois anos se passaram assim, até que a dócil Letícia tornou-se audaciosa. Aproveitando uma viagem de trabalho de Helena, ela foi secretamente até a casa deles. Vestiu a camisola de Helena, usou o perfume de Helena e deitou-se na cama que Helena havia comprado para seduzi-lo. Ela dizia que o perigo de serem descobertos era o que tornava tudo mais excitante.

E era verdade. O prazer da traição o viciou. Sempre que Helena viajava, ele chamava Letícia. Helena tinha câmeras na sala, mas como ele entendia de computação, alterava o sistema para que ela não visse nada.

Mas a mentira tem pernas curtas.

Helena colecionava perfumes de nicho. Em uma das visitas, Letícia levou um dos frascos. Helena procurou por muito tempo e não achou. Mais tarde, quando Letícia foi ao escritório dele na universidade, Helena sentiu a fragrância nela.

Helena não fez a acusação na hora. Agiu discretamente e fingiu que viajaria novamente. Ele acreditou e levou Letícia para casa naquela noite.

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O que ele não esperava era que, enquanto estava na cama com Letícia, Helena aparecesse de surpresa. Ela os pegou em flagrante.

Helena deu várias bofetadas nele e em Letícia. Ele se ajoelhou, implorando por uma chance. Helena o obrigou a escrever uma carta de confissão e compromisso. Naquele momento, ele ainda não pensava em matá-la.

Porém, por ironia do destino, Letícia descobriu que estava grávida. Ao saber disso, a mãe de Alberto ameaçou se matar caso ele não desse um jeito de manter o bebê. Sem saída, ele usou sua influência para conseguir a vaga de intercâmbio para Letícia dar à luz no exterior.

Isso gerou uma briga violenta com Helena. Ela ameaçou arruinar a reputação dele. Helena passou a morar na casa antiga da família. Temendo que ela cumprisse a promessa, ele foi até lá implorar mais uma vez.

Mas, ao abrir a porta, viu-a sentada diante da TV. Na tela, passavam as imagens dele e Letícia juntos na cama.

Com o rosto transtornado pelo ódio, ela disse:

— Alberto, se eu colocar esse vídeo no telão durante a festa de aniversário da universidade, o que vai acontecer? Sua imagem de bom marido e professor exemplar, construída por décadas, vai virar pó, não vai?

— Você enlouqueceu! — Alberto avançou e arrancou o celular da mão dela. — Helena, apague esse vídeo!

Ao ver o pânico nos olhos dele, ela riu com desprezo.

— Agora você tem medo? Quando a Letícia vestia minha roupa e usava meu perfume para se deitar com você, por que não teve medo? Alberto, você não tem alma. Se não fosse por mim e pelos meus pais, você teria chegado onde chegou? Como teve coragem de me trair?

As palavras dela perfuraram seu orgulho frágil. Com os olhos injetados de sangue e o rosto contorcido, ele a agarrou pelo pescoço.

— Helena, foi você quem ignorou nossos anos de casamento! Se quer me destruir, não me culpe pelo que vou fazer!

Ela lutou desesperadamente, mas as mãos dele eram como algemas de aço.

Alberto enterrou as mãos nos cabelos, e uma lágrima quente escorreu.

— Se ela não tivesse me encurralado, eu não a teria estrangulado...

Ricardo olhou para ele com frieza.

— Continue!

— Depois, tomado pela raiva, peguei o cinzeiro e bati na cabeça dela algumas vezes. Quando me acalmei, fiquei apavorado. Coloquei o corpo na mala e a descartei.

Após confessar, Alberto desabou em prantos. Um choro que misturava arrependimento por ter matado quem o tirou da escuridão, medo da prisão e a frustração de ver sua imagem arruinada.

...

Alice assistiu a todo o interrogatório. Ela sentia um misto de emoções.

Mulheres não deveriam tentar "salvar" homens da pobreza com sacrifício próprio; muitas vezes, o que recebem não é gratidão, mas rancor. Especialmente homens com complexo de inferioridade como Alberto, que, ao subirem na vida, esquecem quem os ajudou.

Alberto e Helena eram o exemplo clássico. Ela era mais brilhante e de família melhor; ele acumulava ressentimento por viver à sombra dela. A mãe dele, com uma confiança cega no filho, via Helena como alguém que "teve sorte" de casar com ele, apesar da infertilidade dela.

Normalmente, após a confissão, o caso estaria encerrado. Mas Ricardo sentia um incômodo, algo que não se encaixava.

Ele saiu da sala e dispensou a equipe:

— Bom trabalho, pessoal. Hoje não haverá hora extra. Vão para casa descansar.

Alice estava saindo quando viu uma figura alta e delicada se aproximar de Ricardo.

— Capitão Ricardo.

A moça usava uniforme policial, tinha traços serenos e seus olhos brilhavam ao olhar para ele.

Alice percebeu imediatamente: aquela garota gostava do Ricardo.

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