Capítulo 6: Incapaz de Procriar, Profundamente Apaixonado
No entanto, o ponto suspeito era que o marido de Helena, Alberto, não tinha nenhum registro de viagem ao exterior no último ano para visitar a esposa que estaria em tratamento.
Ricardo entregou os dados de Helena, obtidos com a assistência social, para Alice.
— Por favor, verifique se as características da arcada dentária e a morfologia da pelve da vítima coincidem com as de Helena.
Alice assentiu.
— Certo.
À tarde.
Alice entregou o resultado dos exames a Ricardo.
— Podemos confirmar que a vítima é, de fato, Helena.
Ao ouvirem o resultado, Ricardo e os investigadores da Delegacia de Homicídios soltaram um suspiro de alívio.
Identificar a vítima significava que a investigação agora tinha uma direção clara; não era mais apenas um caso de um cadáver decomposto sem nome.
— Reunião com todos agora! — ordenou Ricardo com voz grave.
Na sala de reuniões da Polícia Civil.
Alice também participou da sessão.
No telão, estava a foto da vítima, Helena.
Helena, mulher, quarenta e dois anos, era professora de artes na Universidade de Rio Verde.
Três anos atrás, ela e os pais sofreram um acidente de carro; os pais morreram na hora, e Helena perdeu a capacidade de pintar devido ao rompimento dos tendões do pulso.
Os registros de imigração mostravam que ela havia comprado passagens para o exterior há um ano e havia informações de check-in, mas, combinando com o tempo estimado de morte na necropsia, era muito provável que ela tivesse mudado de ideia no último minuto e não tivesse embarcado no avião.
O marido de Helena, Alberto, também é professor na mesma universidade. Helena não saiu do país e estava desaparecida há um ano, mas, como marido, Alberto não registrou queixa, e as redes sociais de Helena continuavam sendo atualizadas a cada poucos dias. Apenas o assassino poderia estar de posse do celular dela.
No momento, Alberto era o principal suspeito.
...
Alberto foi levado à delegacia para averiguação.
Ricardo entrou na sala de interrogatório; os dias seguidos sem dormir tornavam sua expressão ainda mais fria e intimidadora.
Alberto estava na meia-idade e muito bem conservado, sem barriga de chope ou calvície, exalando a aura refinada de um intelectual.
Diante do olhar de Ricardo, que parecia capaz de perfurá-lo, Alberto ajeitou os óculos e demonstrou uma leve confusão.
— Inspetor, o que está acontecendo? Por que me trouxeram à delegacia de repente?
Ricardo abriu a boca sem nenhum vestígio de calor na voz:
— Você sabe que sua esposa, Helena, foi assassinada há um ano?
Alberto arregalou os olhos, e o sangue sumiu de seu rosto.
— Como isso é possível? Ela não está no exterior se tratando? Ontem mesmo ela me mandou uma mensagem no WhatsApp.
— Você está mentindo! — Ricardo encarou Alberto fixamente, com a voz gélida. — Ao responder à pergunta, seus olhos se voltaram frequentemente para o canto superior esquerdo; essa é uma microrreação do cérebro ao construir imagens falsas. Além disso, quando você disse "como isso é possível", os músculos do canto da boca ficaram momentaneamente rígidos. Você está fingindo surpresa.
Alberto balançou a cabeça.
— Inspetor, não sei do que está falando. Eu realmente não sabia que algo tinha acontecido com a minha esposa. Você não pode me acusar injustamente.
Ricardo tirou uma pilha de documentos.
— Você diz que Helena entrou em contato por mensagem. Vocês chegaram a falar por áudio ou vídeo? Como pode ter certeza de que era ela? Se ela realmente foi para o exterior se tratar, por que você não tem nenhum registro de saída do país para visitá-la?
Uma expressão de dor surgiu no rosto de Alberto.
— Inspetor, desde que os pais dela morreram e o pulso dela foi ferido, ela vivia deprimida. Ela sentia irritação até com a minha presença. Ela me disse que queria ir para o exterior para ter um tempo sozinha. Como eu me atreveria a incomodá-la? No dia do embarque, eu mesmo a levei ao aeroporto. Eu realmente não sabia que ela não tinha partido no final das contas.
Ricardo, sem expressão, jogou as fotos da mala diante de Alberto.
— Esta mala foi um presente de casamento feito sob medida pelos pais de Helena. Deveria estar na casa de vocês. Por que ela continha o corpo de Helena? A mala desapareceu da sua casa e você diz que não sabia de nada?
Alberto balançou a cabeça em agonia.
— Eu e Helena mudamos de casa três vezes depois de casados. Aquela mala nunca foi levada para o nosso novo apartamento. Não sei onde ela a guardou. Inspetor, eu sempre achei que minha esposa estivesse viva. Vocês me dizem de repente que ela morreu... estou chocado e sofrendo muito. A vida dela era mais importante que a minha; eu jamais a machucaria!
Alberto manteve a afirmação de que não sabia de nada e, entre lágrimas, expressava seu profundo amor por Helena.
A atmosfera na sala de interrogatório ficou tensa ao extremo.
Um brilho de frieza passou pelos olhos profundos de Ricardo.
Sem evidências concretas, mesmo com autorização especial, eles só poderiam mantê-lo detido por 48 horas.
Ou seja, precisavam encontrar provas contundentes nesse período.
Ricardo e Lipe foram até a Universidade.
Encontraram os superiores de Helena e Alberto.
— O professor Alberto e a professora Helena eram um casal apaixonado, o modelo da nossa escola. Alberto vem de família pobre e contou com a ajuda da família de Helena para terminar a faculdade.
— Ele é grato. Casou-se com ela assim que estabilizou a carreira. Helena não podia ter filhos, e ele nunca reclamou; sempre a amou profundamente.
Ricardo também foi conversar com os vizinhos do casal.
Ao mencionarem Alberto, os vizinhos faziam sinal de positivo em aprovação.
— O professor Alberto é um homem de ouro. Depois que os pais da Helena morreram, ela ficou com um temperamento terrível e estranho, gritava muito com ele. Ele cuidava das coisas da universidade e ainda chegava em casa para cuidar dela. Um marido exemplar.
No caminho de volta para a delegacia, Lipe estava furioso.
— Esse Alberto se escondeu muito bem.
A imagem de "bom marido" facilitava o encobrimento do crime. Pois ninguém pensaria que um marido dedicado seria o assassino.
Ricardo pegou o celular e ligou para a perícia técnica.
— Descubram o mais rápido possível o endereço de IP exato de onde partiram as postagens nas redes sociais da Helena.
Provavelmente alguém usou um simulador de localização para forjar o IP no exterior, quando na verdade estava no país.
— Lipe, verifique se o Alberto fez alguma disciplina de computação ou informática na faculdade.
— Sim, senhor.
Ao chegar na delegacia, quando Ricardo estava prestes a entrar, notou pelo canto do olho uma jovem com os olhos vermelhos parada perto de um canteiro de flores.
Ricardo caminhou até ela e perguntou com voz calma:
— Olá, precisa de ajuda? Veio tratar de algum assunto na delegacia?
A garota levantou a cabeça, olhou para Ricardo uniformizado e perguntou com a voz embargada:
— Inspetor, eu sou aluna da Universidade. Ouvi dizer que a professora Helena foi assassinada há um ano... é... é verdade?
Ricardo a analisou com atenção.
— Você é aluna da professora Helena?
A garota assentiu.
— Meu nome é Estela. Sou aluna dela. Quando eu não tinha como pagar a mensalidade, foi a professora Helena quem me ajudou. Ela era uma pessoa maravilhosa.
Ricardo a levou para dentro da delegacia, deu-lhe um copo de água e, após ela se acalmar um pouco, continuou perguntando:
— Infelizmente, a professora Helena foi de fato assassinada. Quando foi a última vez que você a viu?
Estela começou a chorar convulsivamente.
— Há um ano, quando a professora Helena se desligou da universidade. Ela me recomendou para uma bolsa de intercâmbio no exterior. Eu já tinha sido selecionada, mas o professor Alberto recomendou uma aluna dele, a Letícia. Na última vez que vi a professora Helena, vi ela e o professor Alberto tendo uma briga terrível por causa dessa vaga de intercâmbio.