Capítulo 5: Confirmando a Arma do Crime e Descobrindo Pontos Suspeitos
— Ela foi primeiro estrangulada até perder a consciência e depois golpeada na cabeça com um objeto contundente, o que causou o traumatismo cranioencefálico e a morte.
As pontas dos dedos de Alice pararam sobre o osso hioide da vítima.
— Lesões no hioide e na cartilagem tireoide indicam que ela sofreu violência por esganadura enquanto ainda estava viva, mas o grau da fratura não foi suficiente para causar uma morte por asfixia.
Ela pegou uma lupa e se aproximou das fissuras no crânio.
— Olhe aqui, fragmentos ósseos foram empurrados para dentro da cavidade craniana. Isso mostra que, antes de morrer, ela foi golpeada repetidamente.
As sobrancelhas de Ricardo se franziram em um tom sombrio.
— Primeiro a esganadura, depois o golpe fatal com objeto contundente. Isso indica que o assassino tinha uma intenção clara de matar, não foi um crime impulsivo de momento.
Alice assentiu.
— Ainda preciso fazer uma reconstrução 3D do crânio para determinar o formato aproximado do objeto e extrair vestígios microscópicos dos ossos para tentar identificar o tipo de arma usada.
Ricardo lançou um olhar para ela.
— Bom trabalho. Você se esforçou.
— É a minha obrigação.
Quando Alice ia continuar os exames, seu estômago soltou um ronco alto e claro.
Desde a descoberta do caso pela manhã, já haviam se passado quase sete horas, e ela não tinha comido absolutamente nada.
— Pare agora. Vá comer alguma coisa.
Alice não deu importância.
— Não tem problema...
Antes que terminasse de falar, a lupa em sua mão foi retirada pelo homem.
Ricardo olhou para ela com uma expressão gélida.
— Vá comer.
Alice tirou as luvas e, enquanto caminhava para fora, perguntou em voz alta:
— Em que qualidade o Capitão Ricardo está me dando ordens? Como parceiro casual, colega, ou ex-noivo da amante do meu ex?
— Como colega. — Dito isso, ele se virou e saiu sem olhar para trás.
Observando as costas rígidas e frias do homem, Alice fechou o punho e deu um soco no ar na direção dele. No segundo seguinte, como se tivesse olhos na nuca, ele se virou de repente.
Ele a pegou exatamente no meio do gesto de desferir o soco.
— A Doutora Alice parece ter algum preconceito contra mim?
Alice caminhou até o lado dele.
— Depois de termos tido uma "interação tão profunda", o Capitão finge ser um estranho? É do tipo que veste as calças e esquece quem o acompanhou?
Ricardo estreitou os olhos profundos.
— A Doutora não disse que jamais me procuraria?
Alice deu um sorriso provocante.
— Por que? O Capitão está com medo de que eu fique viciada e comece a persegui-lo?
— O jeito que a Doutora me olha não é nada inocente.
O sorriso nos lábios de Alice se tornou ainda mais malicioso.
— Esse seu jeito frio me dá muita vontade de te beijar até você perder o controle e chorar.
Ao ouvir aquelas palavras desavergonhadas, a linha dos lábios do homem se tensionou.
— Eu não volto a ter noites casuais com colegas, nem serei seu parceiro fixo de cama.
A mensagem era clara: exceto por questões de trabalho, era melhor agirem como estranhos.
Olhando para aquele rosto resoluto e impessoal, Alice passou a língua levemente pelos lábios.
O que ela podia fazer? Tinha um espírito rebelde por natureza.
Quanto mais ele agia assim, mais ela queria provocá-lo.
— Capitão Ricardo, vamos ver o que acontece.
Um dia, ela o faria implorar para entrar na cama dela.
...
Alice e Ricardo chegaram ao refeitório um após o outro.
Lipe, Biel e os outros, ao vê-los, acenaram imediatamente.
— Chefe! Doutora Alice!
Alice assentiu, pegou sua bandeja e sentou-se de frente para Ricardo.
Conversaram um pouco sobre o caso, até que, para descontrair, Lipe mudou de assunto:
— Doutora Alice, você tem namorado?
Alice lançou um olhar para o homem implacável sentado à sua frente.
— Não, não tenho.
Os olhos de Lipe brilharam.
— O nosso chefe também está solteiro, sabia?
Mal Lipe terminou a frase e levou um chute forte na perna por baixo da mesa.
Lipe soltou um gemido de dor.
— Quem me chutou?
Ricardo lançou um olhar de aviso para Lipe.
— Não tente bancar o cupido onde não deve.
Lipe coçou a nuca.
— Chefe, não me diga que você ainda gosta daquela sua ex-noiva? Ela parece ser muito fútil, não está à sua altura.
— Cale a boca e coma!
Lipe não se atreveu a dizer mais nada e apenas resmungou um "está bem".
Alice olhou para o homem rabugento e, de repente, esticou a perna por baixo da mesa, dando um chute nele.
Ricardo: — ...
Alice deu outro chute.
O canto do olho de Ricardo tremeu levemente. Ele a avisou com o olhar:
tente me chutar mais uma vez para ver o que acontece.
O resultado? A mulher o chutou de novo.
Ricardo largou os talheres.
— Estou satisfeito.
Ele se levantou e saiu do refeitório.
Lipe observou a saída abrupta do chefe e coçou o nariz, confuso.
— O que deu nele? Será que está naqueles dias?
Após o almoço, Alice recebeu uma ligação de sua melhor amiga, Bárbara.
— Estou furiosa, Alice! Acabei de ver o post daquela piranha no Instagram. Ela postou uma foto do anel de diamante enorme que o Mateus deu para ela. Quando você casou com aquele lixo, ele não te deu um diamante desse tamanho! Ela está realmente se aproveitando dessa gravidez!
Para monitorar os passos da amante, Bárbara usava uma conta secundária para seguir Camila nas redes sociais.
Qualquer coisa que Camila postasse, ela contava para Alice.
Se fosse antigamente, Alice certamente se sentiria mal. Mas agora, ela aprendera a manter a calma.
— Babi, exclua a Camila. Eu não tenho mais nada com o Mateus. O que ela ostenta não me diz mais respeito.
Bárbara estava indignada.
— Aquele traste é cego. Ter terminado com você é algo de que ele vai se arrepender amargamente.
Depois de conversar com a amiga, Alice voltou para a sala forense.
Após trabalhar a noite toda, ela pegou os resultados dos exames e foi procurar Ricardo.
Ele também não havia dormido; estava na sala de evidências analisando a mala.
— A espessura e o material da estrutura sugerem que é um item de artesanato antigo, de décadas atrás. Esse tipo de técnica de soldagem e rebite já caiu em desuso há muito tempo...
Ricardo estava analisando as evidências com um colega da perícia e não percebeu Alice na porta.
— Júnior, verifique quais ferragens antigas produziam esse tipo de mala no passado.
— Sim, Capitão.
Ao sair, o colega viu Alice e a cumprimentou rapidamente: "Doutora Alice".
Ela assentiu.
Ricardo se virou para ela, e Alice deu um passo à frente, entregando-lhe o relatório.
— O DNA da vítima não encontrou correspondência no banco de dados. A lesão craniana foi causada por um objeto contundente circular de aproximadamente 10 cm de diâmetro, compatível com um cinzeiro de cristal comum. Além disso, extraí vestígios de um perfume de rosas nos ossos. É uma fragrância de nicho, de uma série específica da marca XX.
Ricardo pegou o relatório e o analisou, depois olhou para Alice.
— As informações que você trouxe são muito úteis.
Ele reconheceu indiretamente a competência profissional dela.
Alice bocejou.
— O restante da investigação fica com a sua equipe. Eu vou para casa descansar.
Ricardo deu um breve "hum" de concordância.
Enquanto Alice dirigia de volta, viu Ricardo saindo com a equipe para investigar.
Para ser sincera, os policiais da linha de frente tinham uma vida exaustiva.
...
Através de diligências, Ricardo conseguiu os registros de compra do perfume de nicho dos últimos dois anos e filtrou as consumidoras entre quarenta e quarenta e cinco anos.
Os policiais que visitaram as oficinas de ferragens antigas também encontraram a lista de quem encomendou malas personalizadas naquela época. Cruzando os dados, chegaram ao nome de uma mulher chamada Helena.
Helena teria ido para o exterior tratar de uma doença há um ano. Suas redes sociais continuavam sendo atualizadas normalmente, com o endereço de IP mostrando localização fora do país.
Mas o ponto suspeito era —