Capítulo 115: Que tipo de amor
— Eu gostei dessa descrição.
Rafael (Qin Zheng) observava Alice Guimarães pelo retrovisor, percebendo que o sorriso dela estava ainda mais cativante que antes. Naquela época, Alice já era a maior beldade do círculo social; agora, mesmo grávida, ela emanava um brilho glorioso. Onde estava aquela "serva apaixonada"?
Ela era, claramente, uma rainha.
Alice não deu importância ao fato de Tina estar perseguindo Bernardo Fontes, mas Rafael parecia ter levado a sério; ele chegou a mostrar várias fotos para Alice para provar a "inocência" de Bernardo.
Ela achou a atitude de Rafael cômica, mas no fundo ficou satisfeita.
Com a data do casamento se aproximando, Isadora Matos já havia se divorciado de Samuel. Com a ajuda de Bernardo, um renomado advogado de divórcios conseguiu para ela uma partilha de bens de trinta milhões. Além disso, ao chegar ao exterior, ela deu entrada na imigração; pelo visto, não pretendia voltar.
Para Alice, essa era, de fato, uma ótima notícia.
Mas a melhor notícia foi que Vitória (Wen Rou) finalmente superou o trauma.
Originalmente, Alice e Bernardo ainda não haviam colocado o plano em prática, quando Vitória foi diagnosticada com pequenos nódulos mamários — uma doença que geralmente surge de mágoas e sentimentos reprimidos.
Pela saúde do bebê, Vitória esforçou-se para sair do luto. Após sentir o primeiro chute do filho, ela ganhou uma nova compreensão sobre a vida; começou a se ocupar com diversas atividades e até abriu uma floricultura junto com Paola.
Ao ver as pessoas ao seu redor cada vez melhor, o coração de Alice finalmente se acalmou.
Claro, quem ainda não sossegara era o Real (Huangfu Chuan).
Ele estava sentado em um camarote da boate
Êxtase
, rodeado de garrafas vazias, com Lina sentada ao seu lado.
Ele repetia sem parar: — "Eu gostei de tantas mulheres, mas ela é a minha favorita, e logo ela nem liga para mim. Por que sou tão azarado?".
A expressão de Lina era sombria. Desde que seu pai, Heitor, partira junto com sua mãe, Lin Hua, ela carregava sozinha o peso da família Dai.
Seus tios estavam ansiosos para dividir suas ações e patrimônio; ela segurava tudo com unhas e dentes, mas enquanto a aliança com a família Real não se concretizasse, aqueles parentes gananciosos não lhe dariam trégua.
Real era sua última tábua de salvação e o caminho mais curto para o sucesso.
Custe o que custar, ela não podia desistir dele.
Se Alice Guimarães pôde ser uma "serva apaixonada" no passado, ela, Lina, também poderia.
Vendo que já era hora, Lina deu a desculpa de ir ao toalete e saiu.
Real ainda estava mergulhado na dor do grandioso casamento de reconciliação entre Alice e Bernardo. Entre a tontura da embriaguez, ele subitamente viu um rosto familiar e encantador.
Ele quis estender a mão para beliscar o rosto e ver se não era um sonho, mas antes que pudesse tocar, seu pulso foi agarrado com força.
Inclinando a cabeça para ver quem o segurava, deparou-se com Bernardo Fontes.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ele, com os olhos pesados de sono e fúria.
— Vim com a minha esposa ver um bêbado.
Real estancou. A pessoa que ele vira... era realmente a Alice?
Não era um sonho?
Alice já estava sentada no sofá mais distante de Real. Não tinha jeito; aquele cheiro de álcool impregnado no quarto quase a fez vomitar, sem falar no cheiro do próprio Real.
— Quem é bêbado? Eu estou aqui num clima romântico com a Lina. Ei, cadê a Lina?
Real procurou ao redor e não a encontrou.
Ultimamente ele tratava Lina como sua assistente pessoal; se não estivesse com ela, sua família nem o deixava sair de Hong Kong.
Desta vez, fora Lina quem convencera os velhos a liberá-lo sob o pretexto de irem ao casamento de Bernardo e Alice, caso contrário, ele jamais teria voado para São Paulo.
— Lina? Lina?
— Pare de gritar — disse Bernardo. — Ela já saiu.
— Humpf. — Real desviou o rosto, não querendo encarar a expressão vitoriosa de Bernardo.
Alice, vendo aquele comportamento infantil, não conteve o riso: — A Lina me chamou aqui. Ela disse que você não parava de falar de mim.
Real parou de esconder suas intenções e foi direto: — Eu não quero que você case com o Bernardo Fontes. Você já errou uma vez ao casar com ele, vai errar de novo?
Alice ergueu a sobrancelha: — Qual dos seus olhos viu que eu errei?
— Se não tivesse errado, teria se divorciado?
Alice: ……
Bernardo cerrou o punho; esse moleque estava pedindo para apanhar.
— Eu sei que aceitou reatar por causa do bebê. Eu aceito ser o pai do seu filho! Se você casar comigo, eu o tratarei como se fosse meu! Juro! Posso dar a ele toda a herança da família Real no futuro! É sério! Eu juro!
Real estava bêbado, falando com a língua enrolada.
Mas sua atitude era firme; mesmo embriagado, sabia o que queria.
Alice sentiu o peso da frustração.
Esse feto em seu ventre, antes de nascer, já recebera promessas de fortunas imensas: primeiro o Leo quis dar os Guimarães para ele, depois o Bernardo resolveu transformá-lo no herdeiro dos Fontes, e agora o herdeiro de Hong Kong jurava entregar o Império Real.
O que esse bebê se tornaria no futuro?
Alice tossiu secamente: — Primeiro, não vou casar de novo por causa do bebê. Posso criá-lo sozinha. Vou me casar com o Bernardo porque eu ainda gosto dele.
Quando Alice disse "eu ainda gosto dele", o olhar de Bernardo brilhou intensamente.
Um sorriso de triunfo e alegria pura surgiu em seu rosto magnífico.
Fazia muito tempo que Alice não o via demonstrar uma emoção de forma tão transparente.
Ela ficou observando aquele sorriso por alguns instantes.
Real estava inconsolável: — Você veio aqui para me consolar ou para trocar olhares com seu ex na minha frente e me humilhar?
Alice sentiu-se sem graça: — Na verdade, eu quis te consolar, mas sinto que o que você sente por mim não é aquele "gostar" entre homem e mulher. Não sei como te consolar.
— Se não gosta de mim, diga logo, mas não fale assim! O que quer dizer com "não é entre homem e mulher"? Por acaso eu, que já tive tantas mulheres, não sei reconhecer o amor verdadeiro? — Real explodiu em um palavrão de frustração.
Bernardo lançou-lhe um olhar sombrio, e ele imediatamente se encolheu no sofá para não apanhar.
Não tinha jeito; ele crescera apanhando do Bernardo e o trauma era real.
Se não estivesse apaixonado por Alice, jamais ousaria disputar algo com ele.
— Então me diga: do que você gosta em mim?
— Você é linda.
— A Lina também é.
— Você é ousada, independente.
— A Lina entrou na empresa aos quinze anos; ela é muito mais ousada e independente que eu.
Real pensou um pouco: — Você é a mulher que o Bernardo Fontes ama. Você tem um charme único.
Alice entendeu tudo.
Ela lançou um olhar enigmático para Bernardo e depois para Real. Seu olhar era tão estranho que parecia uma criatura mística observando presas.
— O que... o que você está olhando? Eu sou "limpo" com ele, tá?!