Capítulo 110: Henrique morreu
Após o incidente, todos souberam que o jovem mestre dos Guimarães e a pequena herdeira dos Fontes eram um casal!
Os boatos corriam soltos: a Senhorita Alice se divorciou do Senhor Bernardo e logo em seguida o irmão dela começou a namorar a irmã dele... Essas duas famílias pretendem ficar unidas para sempre?
Somando isso aos rumores sobre o Grupo Fontes e os problemas de Bernardo, os Guimarães ainda não haviam se posicionado oficialmente, mas as palavras de Helena hoje à noite...
Não seriam elas o próprio posicionamento?
Se Fontes e Guimarães realmente se unissem, eles seriam os donos absolutos da elite de São Paulo.
Vitória e Alice procuraram um lugar para comer alguns doces. Alice comentou que se sentia velha, que não conseguia mais acompanhar o ritmo desses jovens.
— Com essa idade e já se sentindo velha?
Alice não podia contar à amiga que já vivera duas vidas.
— Você e o Henrique ainda não se acertaram? Ele não disse que vinha te buscar hoje?
— Quando ele disse isso? — Vitória ergueu a sobrancelha.
— Ele me disse, até perguntou que horas o jantar acabaria. — Alice fez um ar de mistério. — Talvez ele esteja preparando uma surpresa?
Vitória não ousava criar expectativas sobre surpresas vindo de Henrique, mas a ideia de que ele viria buscá-la diminuiu sua tristeza.
Ela gostava muito dele; mesmo sendo imaturo ou orgulhoso às vezes, ele ainda era o homem que ela amava.
— Alice, quando você se acertar com o Chefão, acho que eu finalmente conseguirei viver em paz com o Henrique.
— Heh, falando assim você me coloca uma pressão enorme.
— O Chefão realmente gosta de você, o problema é que antes... — Vitória balançou a cabeça. — Esquece, não vamos falar do passado.
O celular de Alice estava na sala. Enquanto conversavam sobre Leo e Paola, viram Leo correndo em direção a elas segurando o aparelho: — Mana, mana!
— Leo, vá devagar! Sua irmã está bem aqui, não vai fugir. Fale com calma, respire primeiro!
Leo olhou de forma estranha para Vitória por dois segundos, depois puxou a irmã para o lado.
Alice não entendeu: — O que você tem a dizer que a Vitória não pode ouvir? Ela te viu crescer.
— Mana, é uma ligação do Henrique. Ele disse... que tem as últimas palavras para te dizer.
Últimas palavras?
Ao ver o desespero de Leo, Alice percebeu que não era brincadeira. Em um dia como hoje, Henrique não faria uma piada tão macabra. Ou seja...
Ela pegou o celular bruscamente.
— Alô, Henrique? Sou eu.
Ao ouvir a voz de Alice, o espírito de Henrique pareceu se reanimar levemente. Ele estava caído em uma poça de sangue, sentindo cada osso do corpo prestes a estilhaçar. Sua mão direita, que apertava o celular, estava coberta de sangue.
Ele lutou para falar, tentando manter a voz o mais estável possível:
— Alice querida... me desculpe. Eu tentei seguir o seu conselho e viver bem com a Vitória. Ela é uma boa mulher... se eu tivesse tempo, eu aprenderia a amá-la.
Alice olhou involuntariamente para a Vitória, que ainda não sabia de nada.
Ela disse em tom grave: — Onde você está? O que aconteceu? Vou te encontrar agora mesmo.
— Não dá mais tempo. Fui atropelado... estou morrendo.
— ...Pare de brincar! Onde você está?
A voz de Alice tremia; ela rezava para que fosse uma piada.
— Henrique Yuri, onde você está?! — O tom de Alice subiu descontroladamente. Vitória, ao ouvir o nome de Henrique, aproximou-se.
Ela viu a amiga pálida, como se tivesse recebido uma notícia fúnebre...
Seu coração deu um solavanco: — O que aconteceu?
Alice disse alto: — Henrique, o que você tem a dizer para a Vitória, diga você mesmo.
Ela colocou no viva-voz.
Vitória prendeu a respiração, temendo perder qualquer sílaba, até mesmo um suspiro dele.
Henrique disse: — Vitória... você é maravilhosa. Se eu sobrevivesse, eu te amaria. Viva bem a sua vida, encontre um homem que te ame... seja feliz, não se anule por ninguém.
Suas palavras já estavam perdendo o nexo. Alice e Leo trocaram olhares. Alice ordenou: — Vá procurá-lo agora!
— Acabei de ver o Bernardo, ele já partiu com os homens.
Alice sentiu um alívio momentâneo.
Espero que ainda dê tempo.
— Henrique Yuri, escute bem: seja forte! Estamos chegando — Alice disse, e então tocou gentilmente o ombro de Vitória: — Eu vou com você atrás dele.
Vitória apertava o próprio celular: — Henrique, onde você está? Me diga, onde você está?!
Ela seguiu Alice sem desligar a chamada, chamando o nome de Henrique sem parar.
Henrique foi levado ao hospital, mas ao chegar, já quase não respirava.
Vitória estava agachada do lado de fora da emergência, segurando o celular de Henrique manchado de sangue já seco. No momento em que ele fora colocado na maca, ela beijara sua testa.
Ela dissera:
Quando você sair, tenho uma notícia maravilhosa para compartilhar.
Mas ele já estava inconsciente; não conseguiu ouvir a voz dela.
No telefone, a última coisa que Henrique dissera foi:
Eu errei.
Aquele pedido de desculpas foi a gota d'água para Vitória.
Ela se arrependia amargamente de ter brigado com ele e saído de casa.
Alice também estava desolada, com o olhar baixo, chorando sem parar.
Bernardo a amparava; ela recusava até água. Ele apenas ficou ao lado dela, rezando para que Henrique saísse vivo.
Leo já levara Paola de volta para a Mansão do Horizonte. Do lado de fora do centro cirúrgico, Bernardo e Alice acompanhavam Vitória. A família Yuri logo chegou também.
Os pais de Henrique estavam a caminho, vindos do Leste.
Apenas meia hora se passou e as luzes da sala se apagaram.
Bernardo sentiu um aperto no peito; sabia que era um mau sinal.
Se houvesse chance de salvá-lo, com a gravidade dos ferimentos, não terminariam em meia hora, a menos que...
Vitória levantou-se cambaleante. Ao ouvir o médico dizer a palavra "pêsames", sua visão escureceu e ela desabou.
— VITÓRIA! — O grito de Alice ecoou pelo corredor silencioso.
Alice também não conseguia aceitar a morte de Henrique. Bernardo, temendo pela saúde dela, cancelou todos os compromissos para ficar ao seu lado.
肖鋒 (Iago) liderou a investigação sobre a verdade do acidente. Clara, a pedido do Patriarca Yuri, também investigava.
A família Yuri levou o corpo de Henrique de volta para o Leste.
Como esposa, Vitória foi junto; seu irmão a acompanhou. Assim que Alice acordou, quis partir imediatamente para lá.
Bernardo estava esperando que ela acordasse; sabia que ela iria ao Leste e já deixara o jato particular pronto.
Durante o trajeto, Iago entregou o relatório da investigação a Bernardo.
— Vitória recusou um veterano da faculdade no passado. O sujeito era obcecado por ela; ao saber do casamento, ele teve um surto. Tentou sequestrá-la algumas vezes e, após sofrer um acidente a caminho do trabalho onde perdeu a mão, ele se declarou de novo. A Vitória o recusou de forma ainda mais definitiva.
— E ele, psicopata, resolveu matar o Henrique para se vingar? — Alice disse, cheia de indignação.
— Ele a seguia há muito tempo. Quando o Henrique começou a investigá-lo, o sujeito entrou em desespero. Aproveitou que o Henrique saiu sozinho para buscar flores e um lanche noturno e, em um cruzamento, jogou um caminhão de carga contra o carro dele.
Até Bernardo ficou consternado com a história.