Capítulo 107: Posicionamento sobre o novo casamento
Bernardo Fontes a conduziu para dentro: — Estive bastante ocupado ultimamente, então deixarei a Vânia com você. Ela tem uma personalidade vibrante, você não ficará entediada.
Alice Guimarães não se sentia entediada.
Ela estava apenas curiosa: — Você me trouxe de volta para me manter sob vigilância?
— Eu quero que você sinta novamente o que sinto por você. — Quando Bernardo disse isso, Alice notou claramente que a palma da mão do homem se fechou em um punho e a base de suas orelhas ficou levemente avermelhada.
Entre a nobreza e o desleixo, havia um toque de pureza.
Alice quase riu.
Vânia foi a mais exagerada: — Uau, patrão, o senhor está com vergonha?
Ela até sacou o celular, entrando novamente naquele grupo de fofocas.
Um olhar gélido como uma faca foi lançado em sua direção; Vânia ficou estática, como se tivesse tido seus pontos vitais imobilizados.
Alice ergueu a sobrancelha: — Só por curiosidade, Vânia... quanto você ganha para fazer relatórios sobre mim para o outro lado?
— Pouco... quase nada. — Apenas alguns milhões?
— Delete.
— ......
— Grupo, dissolvido.
Vânia queria chorar.
Alice deu um tapinha na cabeça dela, com uma doçura surreal: — Se não obedecer, até suas economias serão congeladas, viu?
Vânia desabou em choro.
A Senhora ficou má, buáaa.
Com a interrupção de Vânia, o leve constrangimento e a insegurança que Alice sentira ao voltar foram dissipados.
O assunto da timidez de Bernardo foi deixado de lado, embora ele tenha inventado uma desculpa para evitar o olhar ardente de Alice logo em seguida.
Ao voltar para a suíte principal, Alice observou cada detalhe; estava exatamente como antes do divórcio.
O quarto estava impecável e, exceto pelo aroma único de cedro frio que emanava do homem, não havia mais nada.
Ela fechou os olhos.
Sentiu uma paz inexplicável.
Talvez fosse essa a sensação de abrir as portas do coração?
Ela não tinha certeza do que seus sentimentos por Bernardo haviam se tornado, mas podia afirmar que não o detestava mais.
O que ele fizera por ela, ela lembrava.
Antônio e Helena souberam que Alice voltara para a Mansão do Horizonte. Nenhum dos dois questionou, apenas pediram que ela cuidasse da saúde.
Contudo, Antônio não deixou de ligar para dar uma "chamada" em Bernardo secretamente.
Bernardo estava muito ocupado, mas, por mais atarefado que estivesse, voltava para jantar com Alice.
Depois que ela dormia, ele retornava à empresa e trabalhava até a madrugada, voltando para preparar o café da manhã e comer com ela.
Alice não sabia que a agenda dele era tão apertada, pois, desde que voltara, Bernardo a evitava um pouco, dormindo no quarto de hóspedes e mantendo uma certa distância, bem diferente de antes, quando vivia prensando-a contra a parede. Parecia outra pessoa.
Se não fosse por Rafael, Alice acharia que Bernardo queria apenas ser responsável pelo bebê e que sua gentileza era apenas uma obrigação moral.
— O Bernardo está quase tentando criar sete ou oito clones de si mesmo. Eu estranhei... antes ele odiava voltar para a Mansão do Horizonte, dizia que era um lugar vazio e solitário. Agora entendi: é porque ele te trouxe de volta.
Rafael estava largado no sofá, comendo cerejas importadas.
— Soube pelo Eduardo que ele reserva um tempo todo dia para fazer o café da manhã. Achei que ele fosse pedir demissão da presidência para virar aprendiz de chef no
Hua Ding Xuan
, mas descobri que são apenas refeições para gestantes.
Rafael ergueu a sobrancelha, olhando para Alice que folheava documentos, e disse seriamente: — Escuta... nosso Bernardo está tão dedicado a você, não vai se posicionar sobre o novo casamento?
— Eu voltei apenas para dar a ele a chance de exercer a responsabilidade como pai. Não tem nada a ver com reatar o casamento.
Mal terminou a frase, ouviu-se o grito respeitoso dos empregados: — Patrão, o senhor voltou!
Rafael deu um pulo do sofá.
— Bernardo, já está de volta?
Alice sentiu um frio na barriga:
Será que ele ouviu o que eu disse?
Bernardo aproximou-se sem mudar a expressão, encarando Alice com um olhar enigmático até fazê-la sentir o coração acelerar. Então, disse pausadamente: — Voltei para exercer a minha responsabilidade.
Alice sentiu como se tivesse levado uma flechada na testa.
Rafael caiu na gargalhada sem o menor pudor: — Ahahaha, hahahaha!
Após dois dias de clima tenso, Leo e Paola finalmente estavam para chegar. Alice organizou o trabalho com antecedência e foi correndo ao aeroporto buscá-los.
Bernardo também cancelou os compromissos da tarde para acompanhá-la.
— O baile de debutante da Paola foi adiado por causa dos olhos. Quero ver a opinião dela e organizar algo simples.
— Ela é a princesinha dos Fontes. Por mais simples que seja, o quão simples pode ser? Melhor ver o estado físico dela primeiro.
— Sim, ela gosta muito de você. Peço que você pergunte isso a ela.
Alice ergueu a sobrancelha. Então ele queria ajuda.
Poderia ter dito antes.
Ao buscarem Paola e Leo, Alice não teve pressa em sondar sobre a vida deles no exterior, preferindo contar fatos divertidos do país. Contudo, Paola foi direta ao ponto, estragando o clima: — Irmã Alice, você e meu irmão vão casar de novo?
A palavra "casar" fez o homem ao volante apertar o volante involuntariamente.
Mas Alice não estava mais tão sensível. Ao ouvir sobre o casamento, respondeu calmamente: — Ainda é cedo. Sua irmã quer saber se você quer uma festa de dezoito anos.
Os olhos de Paola estavam cobertos por uma gaze fina e ela exalava um suave aroma de remédios. Sua personalidade tornara-se muito mais serena e contida, mas longe de ser depressiva; Alice sentiu uma profunda gratidão pelo esforço do irmão.
Paola vestia um vestido floral rosa claro; ela mesma não conseguia ver o modelo ou a cor, provavelmente escolhido pelo Leo, que adorava rosa.
Ela pensou um pouco e disse seriamente: — Pode ser. Aproveitarei a chance para convidar todos os parentes e amigos para que vejam que meu irmão e a Irmã Alice já estão no caminho da reconciliação.
Alice: ……
O homem ao volante curvou os lábios.
Muito bem, a irmã continuava a mesma.
Originalmente, Bernardo pretendia levar Paola para a mansão ancestral, mas ela perdera o senso de segurança após o acidente e não queria morar lá. Bernardo acabou levando-a para a Mansão do Horizonte.
Ele temia que Alice ficasse descontente, mas assim que chegaram, Alice levou Paola para o andar de cima e começou a tagarelar sobre como o quarto que preparara para ela era aconchegante.
Um canto frio do coração de Bernardo foi sendo preenchido pela doçura daquela mulher.
Leo continuava sentado no sofá da sala. Ao ver Bernardo descer, não resistiu à provocação: — Minha irmã trata a fofura melhor do que trata a mim. Não se preocupe com ela; você deveria se preocupar consigo mesmo.
Bernardo sempre fora tolerante com esse cunhado. Leo era imaturo, mas tudo bem, ele era um Guimarães.
— Embora minha irmã esteja morando com você temporariamente, ela ainda não aceitou seu pedido de casamento. É melhor tratá-la com respeito e não tentar tirar vantagem dela, senão eu serei o primeiro a não te perdoar!
Leo cruzou os braços, tentando parecer imponente diante do homem nobre e gélido, mas seus olhos esquivos e sua expressão rígida mostravam que ele estava morrendo de medo por dentro.
Ele continuou: — O bebê na barriga da minha irmã é um Guimarães. No futuro, o sobrenome dele, onde ele vai morar e qual herança receberá, tudo será decidido pela minha irmã e pelo bebê. Você não pode forçá-los.
Um brilho de riso suave passou pelos olhos profundos de Bernardo.
Ele não se importava que mais alguém dividisse a fortuna dos Guimarães com ele.