《Divórcio de Bilhões: O Arrependimento do Meu Ex Canalha》Capítulo 104

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Capítulo 104: A aura dela é devoradora demais

Na manhã seguinte, durante o café, Antônio sentou-se à frente de Alice e, vendo seu estado abatido, não resistiu: — Quer ajudá-lo?

Alice estancou: — Papai?

— Você voltou ontem com a cabeça nas nuvens. O seu irmão voltou justamente por sua causa. Já que está em casa, não carregue tudo sozinha. Eu e sua mãe ainda somos jovens; não só não atrapalhamos, como podemos usar nossa influência para ajudar.

Antônio passara anos construindo sua carreira e não era apenas fachada; os contatos e recursos que acumulara não eram tão insignificantes quanto o senso comum sugeria.

Ele era discreto.

Mas tinha muito poder.

Do contrário, a família de Helena jamais permitiria que sua pequena princesa se casasse com ele.

— Sua mãe me perguntou várias vezes ontem à noite. O Bernardo ainda é nosso genro... digo, ex-genro. Ele pode ser frio e indiferente, mas nunca fez nada para prejudicar nossa família, certo?

Alice ouvia, pela primeira vez, a opinião sincera de seus pais sobre Bernardo.

— Antes, como você gostava dele, nós não dizíamos nada e te apoiávamos em tudo. Agora vocês se divorciaram, mas um fato não mudou: quando sua mãe adoeceu, foi o Bernardo quem encontrou aquele especialista internacional renomado e difícil de contatar. Nós devemos um favor a ele.

Helena desceu as escadas carregando um coelhinho de pelúcia fofo e continuou: — Mais de um favor. Aquela vez em que seu irmão quase foi morto pelo filho inútil do Jorge Matos, foi o Bernardo quem interveio para resolver. Ouvi dizer que a Isadora Matos fez o maior escândalo com ele por causa disso na época.

Alice arregalou os belos olhos.

Por que ela não sabia de nada disso?

— Vocês não disseram que fora um amigo que encontrou o médico?

— O assistente do Bernardo pediu sigilo, ele não queria que você soubesse. Eu acho que o Bernardo não é totalmente desalmado com você; talvez ele só não quisesse o casamento por aliança e por isso te rejeitava.

Alice já sabia o motivo de Bernardo tratar bem a Isadora, então não via mais aqueles momentos desagradáveis como uma defesa de um "amor do passado".

Será que ele realmente ficara apenas irritado por ela ter usado a influência das famílias para forçá-lo?

Sendo um homem tão orgulhoso e nobre, não aceitar pressões e ameaças era compreensível.

— Tem também o Patriarca Fontes. Na época em que eu e sua mãe fomos pessoalmente pedir sua mão aos Fontes, não foi um sacrifício dos interesses dos Guimarães. O Patriarca realmente gostava de você e disse que você era a única garota capaz de fazer o neto dele quebrar os próprios princípios. Ele apostava muito em vocês.

Os pontos de interrogação se acumulavam na mente de Alice.

Ela não sabia de nada daquilo.

— Que princípios o Bernardo quebrou por mim? — perguntou Alice, inquieta.

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— E como eu vou saber? Foi o que o Patriarca disse. Se estiver curiosa, pergunte a ele — desconversou Antônio.

Helena sentou-se, tomou um gole de leite e olhou para a filha com um sorriso enigmático: — Se quiser ajudar, é só avisar. Papai e mamãe são mais poderosos do que você imagina, viu?

— Por enquanto não precisa. Vou à empresa dar uma olhada. — Alice corou de constrangimento. Embora estivesse curiosa sobre o que Bernardo fizera por ela, não era hora de investigar o passado.

Antônio e Helena trocaram olhares, compreendendo o estado emocional da filha.

Alice saiu dirigindo sozinha para a empresa, com as palavras de Eduardo ecoando em sua mente.

Ao chegar no semáforo, ela ponderou por um instante, virou à esquerda e fez o retorno. O destino era a delegacia do Distrito de Minhua, onde Bernardo estava detido.

Assim que ela parou na porta da delegacia, um policial atento, antes mesmo de ela entrar, correu para o segundo andar.

— Delegado Galdino (Gao Yao), a Senhorita Guimarães... a Senhorita Guimarães está no portão.

O olhar de Galdino desviou-se involuntariamente para o homem imponente sentado em sua cadeira, com as pernas cruzadas.

Sua expressão parecia relaxada, mas exalava uma aura que mantinha todos à distância.

Galdino tentara liberá-lo pessoalmente na noite anterior, mas o homem insistira em permanecer as vinte e quatro horas completas na delegacia.

— Alguém veio pagar sua fiança. — Galdino conteve o riso, vestiu o paletó e ironizou: — Eu a levo até você ou peço para ela subir?

Bernardo baixou o olhar; ninguém conseguia decifrar as emoções que oscilavam em seus olhos.

Ele brincava com uma caneta e respondeu com uma frieza gélida: — Mande-a embora.

— Não vai ver mesmo? Dizem que é na dificuldade que se conhece os amigos. Quando você está no topo, não faltam bajuladores; basta um problema para todos fugirem ou tentarem te derrubar. Tem certeza de que quer dispensar alguém que está genuinamente preocupada?

Galdino ia continuar a provocação, mas a caneta na mão de Bernardo girou e foi lançada direto contra a testa dele.

Ele xingou o amigo por não seguir as regras e desviou a tempo: — Tá bom, tá bom! Eu vou dispensá-la.

Ninguém sabia da amizade entre Galdino e Bernardo. Até Rafael sabia apenas que eram conhecidos.

Mas a tolerância de Galdino com Bernardo era absoluta.

Alice foi informada de que Bernardo ainda teria que ficar quatro horas antes de sair e que não poderia receber visitas. Sem poder invadir, ela sentou-se em um banco no saguão da delegacia, pegou o celular e começou a trabalhar ali mesmo.

Galdino subiu as escadas às pressas: — Não consegui. Ela não sai por nada. O Rafael me disse que ela está grávida; você vai mesmo deixar uma gestante esperando em uma delegacia?

Ao ouvir que Alice permanecera lá, as sobrancelhas densas de Bernardo finalmente se moveram.

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Ele olhou de soslaio para Galdino: — Como você faz o seu trabalho?

— Sua ex-mulher é teimosa demais, não aceita ordens. Que tal eu pedir para ela subir e trabalhar na sala de descanso do segundo andar?

Bernardo lançou-lhe um olhar cortante, e Galdino calou-se na hora.

— Tenho casos para resolver, não vou ficar aqui com você. — Galdino inventou uma desculpa e saiu para não se envolver na "guerra conjugal".

Bernardo abriu a porta e observou Alice através do vidro espelhado do segundo andar.

Ela vestia um traje executivo impecável; quem visse acharia que ela estava indo trabalhar. Quem se veste assim para ir a uma delegacia?

Essa mulher estava ficando cada vez mais desobediente.

Bernardo pegou o celular.

— O que você tem na cabeça? — disparou ele ao telefone.

Eduardo, ocupado transferindo arquivos confidenciais, estancou: — O que eu fiz, patrão?

Como assistente dedicado, o psicológico de Eduardo era forte: — Alguma instrução, Senhor Bernardo?

— O recado que mandei você dar para a Alice.

— Transmiti cada palavra para a Senhora, ela não disse nada.

Bernardo franziu a testa.

— Ela está na delegacia. Dê um jeito de tirá-la daqui.

Eduardo desesperou-se: — Senhor... esse jeito... acho que não consigo dar. Sendo honesto, eu tenho pavor da Senhora; a aura dela é devoradora demais.

Bernardo ergueu a sobrancelha: — E eu não sou?

— Os dois são. Por isso eu... ai, caiu um documento aqui!

Eduardo não ousava desligar, mas começou a fazer ruídos de "ocupado" até que Bernardo desligasse primeiro.

Sem alternativa, Bernardo mandou uma mensagem para Rafael.

Rafael chegou em quinze minutos, carregando uma sacola térmica do

Hua Ding Xuan

.

— Cunhada, este lugar não traz boa sorte. Melhor esperarmos lá fora. Trouxe comida para você; já é meio-dia, deve estar com fome. Vamos comer algo primeiro?

Rafael tentou tocar no braço de Alice para guiá-la.

Alice disse calmamente: — Estamos em uma delegacia. Se eu gritar "socorro", você acha que conseguiremos um acordo amigável?

A mão de Rafael congelou no ar:

Cacete! O que eu fiz para merecer essa missão suicida?

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