Capítulo 98: Provocando a rival
— Aquele não é o Príncipe Real? Lina, você não está negociando o casamento com ele? Por que não vai dar um "oi"?
Uma mulher com roupas curtas e visual provocante segurava o braço de Lina, aumentando o tom de voz para que todos no restaurante ouvissem.
— Ele está jantando com uma amiga, melhor não incomodarmos.
— Que amiga é tão importante para deixar a noiva de lado?
Outra mulher, de vestido longo preto, caminhou em direção à mesa deles: — Quero ver quem é capaz de ofuscar a nossa divina Lina.
Ela parou diante de Alice e a analisou de cima a baixo.
Sua confiança começou a desmoronar instantaneamente.
Aquelas palavras de agora pouco voltaram como um tapa na própria cara.
Real ergueu a sobrancelha, sua aura de bad boy e irritação voltando-se contra a mulher: — Viu só? Nossa Alice é a socialite número um de São Paulo; a beleza dela esmaga esse grupinho de herdeiras desocupadas. Ter a audácia de vir aqui procurar briga... você está cansada de viver?
A má fama de Real era conhecida.
Ao ver o humor dele mudar, a mulher não ousou mais provocar Alice e recuou imediatamente.
Lina aproximou-se devagar e baixou o tom: — Juan, a Lili é minha amiga. Peço desculpas pela grosseria dela com a Senhorita Alice, não fique bravo.
Real olhou desconfiado para Lina: — Eu achei que você fosse inteligente, mas é igual a todas as outras.
Sendo humilhada por Real na frente de Alice, Lina sentiu um misto de vergonha e fúria.
Contudo, ela manteve a elegância e o sorriso forçado: — O erro foi meu. Senhorita Alice, sinto muito por interromper o jantar de vocês.
Alice curvou os lábios.
— Tudo bem. Jantares precisam de atmosfera, e agora a atmosfera está completa, não acha?
Lina cerrou os punhos involuntariamente.
Já estava perdendo a pose?
Alice continuou: — Aparência e linhagem são importantes, mas o mais importante é o autoconhecimento. Espero que compreenda, Senhorita Lina.
Lina respirou fundo, sorrindo com um constrangimento real: — Agradeço o conselho da Senhorita Alice.
Ela virou-se imediatamente e chamou os amigos para sair.
Alice perdeu o apetite e sugeriu irem embora. Real murmurou: — Essas mulheres sem noção são um porre. Alice, você ficou brava comigo?
— Após este jantar, voltarei para São Paulo. Sua união com os Dai é muito sensata; espero que a valorize.
O rosto de Real ficou pálido, como se tivesse ouvido um absurdo.
— Você quer que eu case com outra? Não fica brava, com ciúmes, não vai me impedir?
Alice achou graça: — Somos apenas amigos, por que eu impediria você de cumprir os grandes marcos da vida como casar e ter filhos? Juan, quando você for o patriarca dos Real, terá direito a ser rebelde. Por ora, ser um herdeiro obediente não é melhor?
Real entendeu tudo errado.
— Você acha que eu não tenho poder para recusar o que meu pai e meu avô decidiram? Você me subestima. Eu tenho mil formas de barrar esse casamento, basta você me dar o sinal e eu agora mesmo...
— Eu não vou dar sinal nenhum — interrompeu Alice. — Vou repetir: somos apenas amigos.
Alice foi ao toalete.
Real ficou sozinho na mesa, fazendo o tipo "jovem melancólico".
Lina observava tudo pela sala de monitoramento do restaurante.
Atrás dela, estava um homem.
O homem ajeitou o boné preto e disse em tom de aviso: — A Senhora não faz questão de tocar no seu homem, mas se você insistir em provocá-la, não culpe o Senhor Bernardo por ignorar a antiga amizade entre nossas famílias.
Lina prendeu a respiração.
Sua rival nunca fora Alice Guimarães.
Fora ela mesma.
— Diga ao Senhor Bernardo que, nesta vida, jamais farei mal à Senhorita Alice.
Do lado de fora do toalete, uma silhueta imponente projetava uma sombra densa.
Assim que Alice saiu, sentiu a aura nobre e gélida do homem. Ela ergueu o olhar e encontrou os olhos negros de Bernardo, que parecia ironizá-la: — Provocar uma rival é divertido?
— Desde quando o Senhor Bernardo virou um paparazzi, seguindo as pessoas o dia todo? Não tem medo de virar piada?
— Eu sigo minha própria ex-mulher. Ninguém ousaria rir.
— ... Já que sou ex, melhor manter distância.
Ele estendeu um xale para ela: — Aquele moleque do Real dirige como um louco. Não te assustou?
Alice não pegou o xale, apenas passou por ele.
Sem você por perto, ele dirige muito bem, obrigada.
— Pretende mesmo poupar a Lin Hua?
A voz grave e contida do homem causou um calafrio involuntário.
Alice não esperava que a rede de informações dele fosse tão poderosa a ponto de saber do trato secreto com Lin Hua.
Esse canalha... quanto mais ele sabia sobre ela?
— Eu te levo de volta.
Bernardo não insistiu no assunto de Lin Hua; se ela já sabia, para que desperdiçar palavras?
Alice abandonou Real e foi embora no carro de Bernardo. Ao saber disso, Real ficou tão furioso que arremessou o próprio celular.
— Ex-marido e ainda fica se fazendo de bonzinho... que descarado! — Real xingou Bernardo de todas as formas possíveis.
Ao chegarem ao hotel, Alice foi tomar banho e não expulsou Bernardo. Ele tirou o paletó, sentou-se na cadeira diante da janela e começou a responder e-mails de trabalho pelo celular.
Ao ouvir que ela saíra do banho, ele pegou o secador de cabelo e aproximou-se: — Eu ajudo.
Alice travou. Com razão ela não encontrara o secador; ele o escondera antes.
— Eu faço sozinha.
— Trate-me apenas como um enfermeiro comum. Ou será que você, ex-esposa, teme o meu toque? Tem medo de se apaixonar de novo e cair na minha rede?
Alice: …… — "Aprendeu isso com o Rafael?"
Bernardo sorriu sem responder.
Apenas Rafael, aquele libertino bonito, rico e ocioso, conseguiria bolar táticas tão narcisistas e descaradas para perseguir uma mulher.
Alice sentou-se na cadeira. Enquanto o ar quente soprava em seus cabelos, as mãos do homem roçavam ocasionalmente na pele de seu pescoço.
Pelo espelho, ela via que ele olhava fixamente para o cabelo dela, concentrado em secá-lo com cuidado.
Contudo, o toque casual de seus dedos parecia quase uma provocação deliberada.
Alice estava perdendo a resistência para aquela sensação estranha; ela o empurrou subitamente, e o som do secador cessou.
— Já chega, pode ir embora. Vou dormir!
— Ainda não secou tudo.
— Eu disse que chega.
Bernardo inclinou-se um pouco, aproximando-se do ouvido dela. Seus olhos perspicazes capturaram no espelho a tensão e o nervosismo dela: — Coração acelerado... balançou por mim?
— ... Você consegue ser ainda mais cínico.
Ele cobriu os olhos dela com a palma da mão, forçando-a a fechar as pálpebras, sem saber o que ele pretendia.
Aquele ambiente silencioso e ardente era irritantemente perturbador.
A respiração do homem aproximava-se cada vez mais.
Alice, por um impulso inexplicável, não o empurrou; fechou os olhos e esperou o próximo passo.
— Boa noite, ex-esposa. — A voz maliciosa do homem soou, e a mão sobre seus olhos foi retirada. Ao abrir os olhos, ela viu apenas as costas de Bernardo deixando o quarto...