Capítulo 96: Ajoelhe-se e peça
Alice percebeu que a outra estava checando seu pulso.
Ela puxou a mão rapidamente: — Não, você se enganou.
— Como eu me enganaria? Minha medicina é foda, impossível eu não diagnosticar uma gravidez.
Red analisou Alice de cima a baixo com um olhar enigmático.
— De quem é?
Alice sentiu várias linhas de frustração passarem por sua testa.
— É do seu ex-marido ou do novo pretendente? Não vai me dizer que é daquele nosso "irmão" de fachada, o Henrique Yuri?
A mãe de Henrique fora o grande amor de Policarpo.
Os discípulos de Policarpo tratavam Henrique como um irmão mais novo e cuidavam dele. O que Henrique sentia por Alice era de conhecimento geral entre eles.
— Não diga bobagens. O Henrique já casou e está em lua de mel; se isso vazar, você vai causar um divórcio.
— Haha, brincadeira. Só estou curiosa: como você engravidou?
— E por que eu não poderia engravidar? — rebateu Alice.
— Você tem uma constituição de infertilidade congênita.
Alice não se conteve ao ouvir aquilo: — Como assim?
— Quando você caiu no mar e ficou em coma anos atrás, meu mestre te examinou e disse que sua constituição era estéril, muito difícil de reverter. O velho me proibiu de te contar. Metade do motivo de eu ter estudado medicina tão a sério todos esses anos foi por sua causa.
Red abraçou Alice; o perfume de rosas dela deixou Alice enjoada.
Ultimamente, ela sentia náuseas com qualquer cheiro forte. Estava sensível demais.
Contudo...
O que ela dissera por provocação era verdade? Ela era estéril?
Então este bebê...
— Se eu retirar esta criança, no futuro...
— No futuro será quase impossível engravidar. Para falar a real, conseguir este agora foi uma benção divina. Cientificamente falando, esta gravidez é uma chance em um milhão.
Uma em um milhão?
Alice silenciou por um longo tempo antes de perguntar: — Então, se eu não tiver este bebê, nunca mais poderei ser mãe?
— Não é cem por cento absoluto, mas eu te aconselho a não abortar. — Red assumiu uma expressão séria e cautelosa inédita. Alice entendeu o recado.
Alice respirou fundo e assentiu: — Eu tenho condições de criá-lo.
— Hahaha! Você é presidente de um grupo, claro que consegue sustentar um moleque. E quem é o pai?
Red insistia no ponto; Alice deu um sorriso amarelo: — Pai desconhecido.
— ... Você não brinca em serviço, caçula. — Red levantou o polegar.
Sabendo que Red ia examinar Lin Hua, Alice não perdeu a oportunidade.
Ela não daria chance para Lin Hua se recuperar.
Havia coisas que precisavam ser esclarecidas.
Red levou Alice ao hospital da família Dai para ver Lin Hua. Houve uma revista, mas Red insistiu que Alice era sua assistente e os Dai não tiveram escolha.
No quarto, Lin Hua vestia roupas azul-acinzentadas. Seu rosto, antes imponente e belo, agora estava pálido e murcho como uma folha de outono; restava apenas o vermelho do rancor e o amarelo da decadência final.
Ao ver Alice, ela reuniu forças como um galo de briga e começou os insultos: — Sua vagabunda, ainda tem coragem de aparecer na minha frente!
— Você é quem está morrendo, por que eu teria medo de vir? — Alice escolheu a cadeira mais distante de Lin Hua e sentou-se, analisando-a com um olhar sombrio.
A aparência de Lin Hua não era fingimento.
Ela realmente estava morrendo.
— Mesmo que eu morra, vou te arrastar comigo para o inferno.
— Sinto muito, mas eu não pretendo morrer tão cedo. E quando eu morrer, vou para o céu; não me misturo com mulheres cruéis e perversas como você.
— Hahaha! — Red não aguentou e caiu na gargalhada.
O clima mudou instantaneamente.
Lin Hua olhou para Red e depois para Alice.
Mordeu os lábios: — Vocês não pretendem me salvar. Ele te mandou aqui para me humilhar?
— De jeito nenhum. O velho realmente quer que eu te salve. Mas fazer o quê? Eu só salvo gente quando estou de bom humor.
Red deu de ombros, encostando-se na janela com arrogância: — Que tal você se ajoelhar e me pedir com vontade? Aí eu considero o caso.
— Vocês... VOCÊS! —
Lin Hua ficou tão furiosa que quase não conseguia falar.
— Se você realmente amasse o mestre, deveria me implorar, não tentar me destruir. Lin Hua, estou curiosa: os Guimarães têm algo que você quer? Ou melhor... quem está por trás de você quer algo da minha família?
Alice estava apenas testando o terreno.
Para sua surpresa, Lin Hua admitiu diretamente.
— Você até que é esperta. Mas pena que sua inteligência será sua ruína. Alice Guimarães, você se tornou a presidente; no dia em que os Guimarães falirem e caírem, você será a primeira a sofrer!
— Desta vez, eu não perderei.
— Desta vez? — Lin Hua não entendeu.
Red também olhou estranho para Alice. A caçula estava falando coisas sem sentido?
— Quem é essa pessoa por trás de você?
— Nem morta eu te conto.
— Tudo bem, como você já vai morrer mesmo, não vou te pressionar. — Alice agiu com naturalidade e mencionou Isadora Matos: — A propósito, a Isadora não aprendeu sua crueldade, só a sua burrice. Agora que os Matos acabaram, ela virou uma parideira profissional para os Samuel. O que acha? Dá raiva?
Os olhos de Lin Hua oscilaram.
— Como o Bernardo Fontes deixou a Isadora casar com um Samuel?
— Você deveria saber. Você deu tantas ideias ruins para ela que o Bernardo cansou de limpar a sujeira e resolveu despachá-la de uma vez.
— Humpf. Neste mundo, não há nada mais frio que esses homens desgraçados — resmungou Lin Hua.
Red assentiu em silêncio.
"Concordo plenamente." Especialmente homens bonitos e poderosos. Bernardo Fontes em especial.
— Já que você vai morrer, esta é a última vez que te vejo. Se tem algo a dizer, diga agora.
Alice espreguiçou-se e levantou-se para sair.
— Você realmente não quer saber quem é aquela pessoa?
— Quero. Mas se você não conta, eu vou te torturar? — Alice balançou a cabeça. — Sou uma cidadã que respeita as leis.
Lin Hua sentiu como se Alice tivesse lhe dado um soco em uma almofada de algodão.
Essa Alice estava diferente.
Será que ela já descobrira o segredo dos Guimarães?
— Alice, eu vou morrer em breve, então vou ser honesta com você. Quem realmente quer a sua morte nunca foi a Isadora Matos.
Alice ergueu a sobrancelha.
Tentando limpar a barra da Isadora agora?
— A Isadora só queria o Bernardo. A intenção dela era te forçar a ir embora. Se ela pudesse falir os Guimarães, ela no máximo te expulsaria de São Paulo.
Alice não acreditou.
Na vida passada, quando Isadora usou a vida de seus pais para forçá-la a pular do prédio, ela não teve nada de misericordiosa.
A essência das pessoas não muda.
Mesmo que o rumo desta vida tenha mudado, a natureza maligna de Isadora, que a queria morta, permaneceria a mesma.
— Sabia que não acreditaria. Para mim a Isadora era só uma peça no tabuleiro, mas ela é simples e foi boa para mim. Antes de morrer, quero dizer algo por ela.
Lin Hua afastou o cobertor lentamente, abriu a gaveta da cabeceira e tirou um caderno, estendendo-o para Alice.
— Isto é o que você procura.
Alice não pegou.
Ela não confiava em Lin Hua. Nem em uma única palavra dela.
Red, curiosa, aproximou-se e pegou o caderno. Ao folhear apenas duas páginas, seus olhos se arregalaram em choque e euforia: — CACETE!