Capítulo 92: Responsável por você e pelo bebê
— Alice? Está me ouvindo?
Vitória olhou para a tela do celular; a chamada ainda estava ativa.
— Ficou chocada, né? Na verdade, eu analisei bem: tirando o fato de que o Chefão te ignorava antes, ele não fez nenhuma outra maldade. Pelo contrário, depois que casaram, ele nunca deixou te faltar dinheiro, né?
— Máquina de imprimir dinheiro nunca tem falta de notas.
— Sim, sim. Ele não cuidava de você, mas também não cuidava de ninguém. Ele só ligava para o trabalho, pensando em investimento e lucro o dia todo.
Alice resmungou: — Ele cuidava da Isadora Matos.
— Mas você não disse que o irmão dela salvou a vida dele? Com essa ligação, o cuidado dele com ela não é bem aquele clichê de "amor verdadeiro". Além disso, ele mesmo destruiu os Matos e tirou o último apoio da Isadora; isso já foi uma punição.
Alice mordeu o lábio: — Isso foi porque a Paola perdeu a visão por culpa dos Matos.
— Sim, claro. O que eu quero dizer é que um homem que sente ciúmes por você e ataca outros homens por sua causa... isso mostra que ele se apaixonou.
Vitória sabia que Alice ainda estava receosa por causa de Isadora e disse seriamente: — Pense bem: a Isadora vai casar com o Samuel, e o Chefão já deixou claro que não tem mais nada com ela. A menos que seja caso de vida ou morte, ele não ajudará mais. Isso não é um exemplo de conduta impecável?
— Eu e o Bernardo já nos divorciamos. Se ele tem boa conduta ou não, o que isso tem a ver comigo?
— Pois é! Vocês estão divorciados e ele continua tão focado em você... isso não prova que ele está arrependido?
Alice ficou sem palavras: — Por acaso o Bernardo te subornou?
Vitória riu: — Eu só estou preocupada com o seu futuro. Veja só: desde que resolveu focar só na carreira, sua saúde vive dando alerta vermelho. Se não tivesse uma boa constituição, já estaria com algo grave.
Alice: ...
Eu realmente estou com algo "grave".
— Enfim, mudei de lado: agora apoio o Chefão na "operação reconquista".
— ... Amiga, você anda lendo muita ficção.
— Você não acha que tem uma química diferente com ele?
— Eu e o Bernardo não temos...
— Sem química? Mentira! Eu já vi marcas de beijo no seu pescoço antes, isso é falta de química?
Alice desligou o celular em silêncio e mandou um WhatsApp para Vitória:
【Fui dormir. Boa noite.】
Vitória não insistiu com mais ligações, apenas recomendou que ela descansasse e não fosse trabalhar.
A mente de Alice estava um turbilhão com as provocações de Vitória e a ideia de que Bernardo a amava. Sem conseguir processar tanta informação complexa, ela resolveu deixar tudo de lado.
Logo cedo, Bernardo entrou no quarto carregando uma marmita térmica do
Hua Ding Xuan
.
Alice abriu os olhos atraída pelo aroma da comida.
— A acompanhante foi descansar, eu cuidarei de você agora.
Alice tossiu secamente: — Não precisa. O tempo do Senhor Bernardo é cobrado em segundos; não o desperdice com alguém irrelevante como eu.
Bernardo curvou os lábios levemente.
Se ela tinha disposição para ironizá-lo, é porque estava se recuperando.
Ele não respondeu, e Alice também parou de procurar briga. Ela ia se levantar para se lavar antes de comer, mas o homem trouxe todos os itens de higiene para a mesinha da cama e ainda trouxe uma bacia.
— A Dra. Luana disse que o ideal é que você permaneça deitada. Evite caminhar e movimentos bruscos por enquanto.
Alice ergueu a sobrancelha!
E daí?
Ela não estava inválida!
— Eu preciso ir ao banheiro — disse ela entre dentes.
— Eu preparei isto para você.
Se não visse com os próprios olhos, ela jamais acreditaria que um homem tão nobre e imponente como Bernardo Fontes estaria segurando um urinol hospitalar para gestantes na frente dela.
O rosto pálido de Alice ficou completamente vermelho no instante em que viu o olhar sério do homem.
Pervertido!
Ela jamais faria suas necessidades na cama!
— Eu vou ao banheiro!
— Comporte-se.
— Bernardo Fontes! — Alice enfureceu-se. — Se você não me deixar ir ao banheiro, eu marco a cirurgia agora mesmo...
Antes que ela terminasse a frase, o homem inclinou-se e selou os lábios dela, silenciando-a.
Somente quando ela ficou estática, sem reação, é que ele se afastou satisfeito.
— Se está com vergonha, há outra forma. — Ele disse com a voz rouca, como se o desejo despertado pelo beijo fosse apenas uma ilusão.
Ele a pegou no colo.
— O que... está fazendo?
— A médica proibiu caminhadas. Eu te levo.
— ...
Alice quis trancar a porta por dentro.
Mas o homem balançou a cabeça, segurando firmemente a porta do banheiro: — Se você trancar e houver um imprevisto, eu não poderei entrar imediatamente para te proteger.
— É só um banheiro, que imprevisto poderia haver?
O homem permaneceu em silêncio.
Alice frustrou-se: — Bernardo, já me sinto melhor. Não sou tão frágil quanto você pensa, não sou um vaso de porcelana. Por favor, respeite minha autonomia.
— Seja obediente, não tranque a porta. Eu não vou olhar.
Ele virou-se de costas; embora não tenha trancado, ele fechou a porta em sinal de respeito.
Alice sentou-se no vaso.
Ficou estática por um bom tempo.
Cacete!
Com um "deus" daquele vigiando a porta, que tamanho de coração ela precisaria ter para agir com naturalidade?
— Se precisar de algo, me chame — disse Bernardo, preocupado com o silêncio.
— Já terminei.
Alice, com o rosto ardendo, mal se levantou e já foi carregada de volta pelo homem com agilidade.
Durante todo o processo, ela mal ousava respirar.
Sorte que Bernardo foi sensato; percebendo o constrangimento dela, ele a ajudou com a higiene, colocou o café da manhã na mesinha e inventou uma desculpa para sair.
Enquanto comia, Alice recordava o ocorrido...
Ela tinha a nítida sensação de que Bernardo fora possuído por um espírito; ele parecia, de fato, ter se apaixonado por ela.
Após o café, aproveitando que Bernardo não estava, Alice tirou a camisola de hospital e vestiu suas próprias roupas.
Pelo menos Bernardo tinha experiência com internações; mandara trazer várias roupas casuais dela na noite anterior, senão ela não teria o que vestir.
Ao abrir a porta, deu de cara com o olhar enigmático de Bernardo: — Eu... vou dar uma volta.
— A Dra. Luana disse que são pelo menos três dias de internação. Além do soro, precisa de observação.
— Bernardo, não temos mais nada um com o outro. Eu ainda nem decidi o que fazer sobre essa criança, você não pode...
— Não posso. Independentemente da sua decisão, enquanto ele estiver no seu ventre, sou responsável por você e por ele. E peço que você assuma sua postura de mãe e seja responsável pelo seu filho também.
— ...responsável pelo seu filho.
Aquela frase tocou em um nervo sensível de Alice.
Sem dizer uma palavra, ela deu meia-volta, entrou no quarto e trancou a porta.
Bernardo ficou estático na porta por um longo tempo. Ligou para ela, mas o celular só dava ocupado.
Ele buscou a chave reserva para abrir, mas pensou melhor e resolveu respeitar o espaço dela.
Antigamente, Bernardo jamais se adaptaria a alguém; ele sempre fora autoritário, fazia o que queria. Como poderia hesitar tanto em uma decisão?
Quando Rafael soube, ridicularizou Bernardo por horas.
— Então a Alice aceitou ficar internada direitinho?
Bernardo curvou os lábios com um orgulho contido: — Sim.
— Sem impor condições?
O olhar dele tornou-se sombrio e preocupado: — Ela impôs.