Capítulo 91: Cirurgia de aborto
Alice achou que Bernardo Fontes a xingaria, ou até exigiria que ela abortasse, mas, para sua surpresa, ele estava consultando a Dra. Luana com paciência: o que ele deveria fazer, quais situações observar no início da gravidez, quais eram as restrições alimentares e de uso diário...
Pela postura do homem, Alice percebeu que ele pretendia manter a criança.
Mas... eles já estavam divorciados!
Além disso, ela ainda tinha contas a acertar com ele; essa criança simplesmente não deveria ter vindo!
— Ela usava um pingente de almíscar antes, isso afetará o bebê? — Bernardo perguntou subitamente com gravidade, ao lembrar-se do detalhe.
— No momento, a ameaça de aborto é um sinal de que houve influência. Contudo, fiz o ultrassom e, por enquanto, o feto parece bem. Claro, precisamos de exames de sangue e observação contínua.
Rafael comentou: — Este é o primogênito do Bernardo. Você mesma cuidará dela, Luana. O que precisar, é só pedir.
— Tudo bem. — A Dra. Luana assentiu.
Alice franziu as sobrancelhas: — Quais exames são necessários para realizar uma cirurgia de aborto?
Embora a pergunta tivesse vindo de Alice, tanto Luana quanto Rafael olharam simultaneamente para Bernardo.
Rafael lançou um olhar para Luana, e os dois retiraram-se discretamente do quarto.
Bernardo sentou-se à beira da cama de Alice e respirou fundo, tentando acalmar as próprias emoções para não pressioná-la.
A Dra. Luana acabara de dizer que o estado emocional da gestante influencia muito o bebê; ele precisava manter a racionalidade e a calma a todo momento.
— Por que você não o quer?
— Já nos divorciamos. A chegada desta criança só nos colocaria em uma situação extremamente embaraçosa.
— Podemos reatar o casamento.
— Impossível. — Alice recusou a proposta sem hesitar por um segundo sequer.
Bernardo sentia-se ferido pelas constantes rejeições, e mesmo estando preparado psicologicamente, sentiu uma pontada de dor no peito.
— A doutora disse que o bebê já tem batimentos cardíacos. Você tem certeza de que quer desistir de uma vida inocente?
Alice olhou para Bernardo com desconfiança.
Sentindo-se desconfortável sob o olhar dela, ele tomou uma decisão e disse em tom grave: — Tenha o bebê. Você pode impor as condições que quiser.
— E se eu quiser que você mate a Isadora Matos? — Alice perguntou com um sorriso enigmático, como se estivesse apenas comentando sobre a previsão do tempo.
O rosto de Bernardo mudou instantaneamente.
— Você odeia a Isadora porque sonhou que ela te matou?
— Bernardo Fontes...
— Eu sonhei com muita coisa. Talvez esse sonho seja o seu também, as nossas vidas passadas e presentes. — Bernardo segurou a mão de Alice por iniciativa própria; o calor da palma de sua mão abafou temporariamente o frio gélido que habitava o coração dela.
Ele continuou: — Não deixarei que o que houve no sonho aconteça. Eu juro: desta vez, protegerei você e o nosso filho. Tudo o que você quiser, eu te darei.
Alice quase se sentiu comovida.
Se não fosse pela tolerância repetida dele com Isadora no passado, ou pelo fato de ele tê-la tratado como um vaso decorativo na Mansão do Horizonte após o casamento, ela talvez acreditasse.
— Bernardo, você fantasia demais. Eu simplesmente detesto a Isadora Matos; esse papo de "vidas passadas" é pura presunção sua.
Alice retirou a mão, virando o rosto para o lado oposto com desprezo, e disse friamente: — Vou considerar o destino desta criança, mas você deve manter segredo absoluto. Ninguém pode saber disso, caso contrário...
— O que você fará?
— Eu o retirarei sem hesitar.
O tom de Alice era desprovido de qualquer emoção, muito menos de misericórdia pelo bebê.
Bernardo tremia de raiva contida, mas não ousava irritá-la, muito menos continuar a discussão naquele momento. O corpo dela estava frágil demais.
— Eu prometo. Fique internada, cuide da saúde e depois discutiremos o restante.
Dito isso, Bernardo saiu do quarto.
Logo, a Dra. Luana organizou a internação de Alice. Enquanto ela recebia o soro, uma jovem acompanhante de aparência doce e personalidade vibrante ficou cuidando dela.
Bernardo passou a noite inteira vigiando no hospital.
Rafael sugeriu que ele descansasse um pouco em seu escritório, mas ele não aceitou.
— Mantenha o assunto em sigilo.
Rafael estranhou: — Por quê? Se a Alice não quiser o bebê, você pode contar aos pais dela ou ao Patriarca; ela respeita os três, eles poderiam convencê-la.
— Desta vez, eu vou respeitá-la.
— E quando foi que você a respeitou? — Rafael, com sua sinceridade bruta, falou sem pensar.
— Bernardo, você está com medo que a Isadora saiba? Você não disse que não gostava mais dela?
Bernardo já não queria mais papo com o amigo: — Saia daqui.
— Tudo bem, eu saio. Mas trate de vigiar bem; a Alice não é mais a mesma. Não duvido que ela fuja para uma clínica qualquer para abortar, e aí não vai adiantar chorar.
...
Alice estava deitada na cama; após o soro, sentia-se melhor e já havia dormido um pouco.
Ao acordar, ainda estava escuro, e o silêncio ao redor tornava os batimentos de seu coração audíveis.
Acariciando levemente o ventre, ela lembrou-se de si mesma na vida passada.
O estranho era que, na vida passada, ela e Bernardo estiveram juntos tantas vezes e, mesmo sem anticoncepcionais, ela nunca engravidara.
Nesta vida, parecia que um bebê a observara de cima das nuvens e a escolhera; bastou uma única noite de entrega inconsequente para engravidar.
Para falar a verdade, no momento em que disse impulsivamente que faria o aborto, arrependeu-se imediatamente.
Contudo, manter essa criança teria um custo alto demais para ela.
Alice não queria contar a ninguém sobre a gravidez por enquanto, temendo que isso afetasse as decisões futuras de muitas pessoas.
Parecia que era hora de acelerar o processo de fusão das empresas.
Alice pegou o celular para enviar uma mensagem à secretária e organizar a reunião de amanhã, quando descobriu que Vitória, em plena noite de núpcias, saíra escondida do noivo para procurá-la.
Ela ficou atônita.
— Você está na Mansão das Rosas? — Alice viu o endereço enviado por Vitória e ligou de volta imediatamente.
— Graças a Deus você ligou! Sabia que o Chefão atendeu seu celular antes? Eu nem tive coragem de ligar de novo, achei que ele tinha te sequestrado!
— Hoje é o seu casamento com o Henrique, e você foge para me procurar? Ficou louca?
— Ele bebeu demais, está dormindo feito um porco e não acorda por nada. Eu aproveitei para sair. Onde você está?
Alice desconversou: — Se ele está bêbado, durma você também. Espere ele acordar. Eu estou bem, não precisa me procurar.
— Bem uma ova! Você disse que me acompanharia no casamento todo e nem apareceu na troca de alianças. Diga a verdade: o Chefão te trancou em algum lugar?
— Ele não seria doido! — retrucou Alice.
— É verdade, o celular voltou para você. Então você não está bem?
— Sim, uma dor de estômago. Vim fazer exames e tomei soro; volto para a empresa amanhã.
— Em qual hospital? Estou indo aí agora. O que quer comer? Eu levo.
Alice sentiu o coração aquecido pelo tom preocupado de Vitória.
— Não estou com fome, tem gente cuidando de mim. Volto para o escritório amanhã cedo para resolver uns assuntos.
— Você está internada no soro e ainda pensa em escritório? Para ser viciada em trabalho, precisa estar viva primeiro. Agora entendo por que o Chefão confiscou seu celular.
— O jeito que você chama o Bernardo... — Por que mudou?
— Eu soube de uma fonte confiável. — O tom de Vitória tornou-se fofoqueiro e cauteloso: — O Chefão se apaixonou por você. Ele anda te monitorando em segredo e, por sua causa, arranjou um casamento para o Real e armou uma cilada para o Victor, só para os dois não terem tempo de te perseguir mais.
Alice: ...
Eu... devo... ter... ouvido... errado.