Capítulo 90: Almíscar, Aborto?
O gosto de sangue estimulou os nervos de ambos.
O vermelho no canto de sua boca aumentava a aura de sedução malévola do homem.
O coração de Alice acelerava conforme via aquele rastro de sangue.
O que diabos esse homem estava dizendo?
Seria uma declaração?
Ela não acreditava.
RIP.
O tecido foi rasgado de forma bruta.
O ar silenciou por um instante.
O olhar astuto de Alice disparou uma fúria aterradora.
Seu vestido de festa fora rasgado pelo homem, revelando sua pele em um instante.
Ela soltou um resmungo: — Estamos no casamento do Henrique Yuri e da família Vitória. O Senhor Bernardo tem certeza de que quer fazer uma baixaria aqui?
Ao ouvir "baixaria", ele, que já estava dominado pelo desejo, teve que resgatar um pouco de razão para punir a provocação dela.
Ele mordiscou o pescoço alvo e delicado dela.
— Hoje vou te ensinar uma lição.
— Quando não consegue cuidar de si mesma, jamais se preocupe com os outros.
— Em vez de temer pela minha reputação, tema por si mesma... tema se não vai acabar me implorando daqui a pouco...
Dito isso, ele capturou os lábios vermelhos de Alice com familiaridade.
Alice achou que ele ficaria furioso, mas a "cara de pau" do homem parecia ter dobrado de espessura.
Ela sentiu-se um pouco tonta com as carícias dele e, por um momento, esqueceu de resistir, até que...
……**……
— Não! Bernardo, o que você está...
— Você pode me processar depois! — Ele interrompeu Alice, encarando seus olhos com ardor.
O coração de Alice deu um solavanco.
...
Do outro lado do casamento, Henrique parecia um morto-vivo, finalmente terminando a cerimônia.
Vitória entendia Henrique; após o casamento, ele deixaria de ser o "irmão de infância" de Alice.
Ela também entendia que, a partir de agora, teria um marido com quem manteria uma relação de respeito mútuo; ele podia não amá-la, mas certamente a respeitaria.
Nem que fosse por causa da "mulher do coração" dele, ele respeitaria a esposa que não amava.
Durante o brinde, Vitória procurava Alice sem parar.
Ouviu de Clara que Bernardo também viera e fora atrás de Alice; Vitória temia que eles brigassem. Ligou várias vezes, mas ninguém atendia.
...
O corpo de Alice estava gelado, ela se encolhia de dor no abraço quente do homem.
Subitamente, seu abdômen sofrera uma contração violenta e, logo em seguida, ela percebera um sangramento.
Isso apavorou Bernardo. Esquecendo qualquer desejo de possuí-la, ele ligou imediatamente para Rafael e a levou às pressas para o hospital.
Durante todo o trajeto, ela não disse uma palavra. O suor frio escorria por sua testa e a dor a fazia morder os lábios com força. Temendo que ela se ferisse, Bernardo estendeu o próprio braço até a boca dela.
— Morda aqui — disse ele.
Alice não tinha forças nem para levantar a cabeça.
Contudo, ao olhar para o braço diante de si, ela sentiu um abalo interno.
O Bernardo Fontes de antigamente era um homem de coração gélido; não importava se você cozinhava para ele ou se desdobrava em eventos para manter os contatos dele, ele nunca se importava com as suas necessidades.
Mas o Bernardo de agora, por causa da dor e da fraqueza dela, abria mão voluntariamente do desejo e se oferecia como ferramenta para ela extravasar o sofrimento.
Que irônico.
O ser humano só valoriza quando perde; essa era uma verdade imutável.
Ao chegarem ao hospital, Rafael convocou uma colega de faculdade, especialista em obstetrícia — a Dra. Luana (Liu Yun).
Assim que ouviu a descrição de Bernardo sobre o estado de Alice, Rafael percebeu que a coisa era séria.
Após Alice entrar na emergência, Rafael deu um soco nas costas de Bernardo e brincou: — Caramba, Bernardo! Quantas vezes você esteve com a Alice? Ela já está grávida.
Bernardo ainda estava atônito e demorou a processar: — Está o quê?
— Como o quê? Tem um bebê a caminho!
As pupilas de Bernardo congelaram. Ele ficou estático como uma estátua, até a respiração parecia ter parado.
Um bebê?
Ele e Alice... como poderiam ter um bebê agora?
— Você se enganou, ela apenas...
— Isso é claramente um sinal de ameaça de aborto. Mas vou te alertar: ela deve estar bem no início da gravidez, por isso os riscos. Se vai segurar ou não, é outra história. Não comemore antes da hora.
— Aborto?
— Com certeza. Os três primeiros meses são os mais críticos, seja por genética, ambiente ou outros fatores. É perigoso.
Rafael continuou: — Sorte que fui prevenido e chamei a Luana; ela é mestre no assunto. Se você virar pai mesmo, trate de me dar um bônus generoso por essa ajuda!
A palma da mão de Bernardo estava encharcada de suor frio. Não sabia se era alegria por saber da gravidez ou angústia pelo risco de perda.
Fazia muitos anos que ele não sentia emoções tão intensas de extremos opostos.
— Usar um pingente de almíscar por muito tempo afeta o bebê?
— Almíscar? Até uma criança que assiste novela de época sabe que almíscar causa aborto. Você está testando meu QI com uma pergunta tão boba?
Rafael olhou para a seriedade do amigo e sentiu um calafrio: — A Alice usou almíscar?
Bernardo fixou o olhar na porta da emergência, em silêncio.
Estéril de nascença?
Almíscar?
Alice Guimarães, você é realmente fria!
Quando o motorista trouxe o celular de Alice, Vitória ligou no exato momento.
Bernardo ponderou e atendeu: — A Alice está comigo.
— Senhor Bernardo?
— Sou eu.
— A Alice está bem? — Vitória estranhou. — Ela nunca larga o celular; liguei várias vezes e ela não atendeu.
— Ela está bem.
— Senhor Bernardo, a Alice tem a língua afiada mas o coração mole. Se ela o ofendeu, peço que tenha paciência com ela.
Vitória temia que, numa briga, Bernardo perdesse o controle.
Por que outro motivo ele estaria com o celular dela? Certamente brigaram.
O olhar de Bernardo seguia o movimento do pingente no celular de Alice. Após um tempo, ele disse: — Desejo a você um feliz casamento.
Vitória: ……
Ferrou! Eles definitivamente tiveram uma briga monumental!
O sachê do pingente foi esmagado com força na palma da mão de Bernardo.
Rafael também percebeu: — Isso é... um pingente de almíscar?
— Ela nunca quis engravidar.
— Mas não precisava ser tão cruel consigo mesma. Usar almíscar por muito tempo faz mal para a saúde da mulher.
Se causasse danos permanentes, seria difícil engravidar no futuro.
Alice não deveria ser tão imprudente.
Bernardo reprimia a fúria que queimava em seu peito, esperando o resultado dos exames.
No instante em que a porta da emergência abriu, Bernardo agiu como uma sombra e entrou rapidamente. Rafael foi logo atrás.
Cacete! Para quem vai ser pai, que velocidade!
A Dra. Luana, de jaleco branco, ajustou os óculos e disse em tom grave a Bernardo: — Nove semanas de gestação. Há sinais de ameaça de aborto; ela precisa de internação para repouso absoluto. Além disso, a gestante deve manter a estabilidade emocional e atenção redobrada à alimentação.
Alice vinha fazendo muitas horas extras, sem tempo para comer, sentindo dores frequentes no estômago.
Ela achou que os enjoos, a sonolência e as dores abdominais fossem estresse; nunca imaginou uma gravidez.
Ela não ousava olhar nos olhos de Bernardo, afinal, os dois tinham acabado de...