Capítulo 88: A dor da saudade
Antônio Guimarães estava desolado: — Eu bem que disse... minha filha querida simplesmente não esqueceu aquele moleque dos Fontes.
O Patriarca Fontes estava tão emocionado que chegou a bater o pé no chão: — Eu sabia que a Alice era a nora certa. Vejam só, o amor é mútuo! O divórcio foi só um percalço, a reconciliação vai deixar todo mundo feliz.
Vânia acompanhava o Patriarca Fontes; ela era uma fofoqueira profissional. Originalmente, o Patriarca a enviara para a Mansão do Horizonte para espionar a vida de casado de Bernardo e Alice, mas pouco depois eles se divorciaram e ela foi dispensada. Com sua ambição frustrada, ela se preparou: gravou tudo o que Alice disse.
E mais...
Enviou para Bernardo na velocidade da luz.
— Patrão, eu não quero muito, um bônus de seis dígitos já basta. Quero estudar no exterior e conto com esse bônus.
A mensagem de voz que ela enviou para Bernardo chegou nitidamente aos ouvidos de Alice.
Alice correu para abrir a porta.
Antônio abraçava Helena, e ambos olhavam para ela com expressões indecifráveis.
O Patriarca Fontes assentia para ela com um olhar carinhoso e satisfeito.
Olhando para Vânia, seus olhos brilhavam de pura empolgação.
Atrás deles, vinham empregados e guardas carregando embalagens de diversas marcas de luxo...
Er... os primeiros vieram consolá-la, os últimos vieram... convencê-la a reatar o casamento?
Alice sentiu que não conseguia mais encarar a situação.
Ela queria virar fumaça e desaparecer agora mesmo.
— Nora querida, fique tranquila. Eu mesmo vou arrastar o Bernardo aqui para te pedir perdão, e depois procuramos um mestre para marcar uma data auspiciosa para o novo casamento.
— Parem com isso! Minha filha acabou de sair do buraco que é a família Fontes, vocês querem puxá-la de volta? Nem em sonho! — Antônio, o pai protetor, decidiu defender a liberdade da filha no grito.
— Saiam todos daqui! Esta é a nossa empresa, e sem minha permissão, ninguém dos Fontes entra!
— Antônio, eu sou seu superior em idade!
— Pare de usar a idade como desculpa. O que você disse antes? Que os Fontes jamais maltratariam minha filha, e o que aconteceu? Nem um ano e já se divorciaram! Humpf! Velho teimoso! Não cumpre o que diz!
Helena cutucou Antônio para que ele tivesse mais respeito com o status do Patriarca Fontes.
Antônio finalmente se calou, despachou todo mundo e trancou-se no escritório da presidência com a esposa e a filha.
Alice não escapou de um "interrogatório".
Ela explicou repetidamente que disse aquelas coisas apenas para fazer Real desistir da ideia de união, mas Helena perguntou com toda sinceridade:
— O Real não é um bom rapaz, filha?
Alice: ……
Ele é ótimo, mamãe, mas o que isso tem a ver comigo?!
Ela não conseguiu convencê-los. Após finalmente se despedir dos pais excessivamente preocupados, Henrique apareceu correndo.
— Alice, de quem você gosta afinal?
Alice levou a mão à testa: — De quem o quê?
— Eu, o Bernardo, o Real, o Victor... desses quatro homens, de quem você gosta de verdade? — A expressão de Henrique era tão séria que parecia que ele estava em um funeral.
E carregava um tom de tragédia.
— O que você ouviu agora?
— O pessoal dos Fontes está dizendo que você vai reatar com o Bernardo. É verdade?
Alice resmungou: — Esse Patriarca... não tem jeito.
— Alice, escolha um!
— O Bernardo eu não quero mais, você a Vitória já pegou, o Real eu não posso bancar e o Victor eu não posso ter.
Henrique ficou confuso com esse raciocínio.
— Se você pudesse ter todos, quem escolheria?
— Eu quero ser uma ricaça solteira, por que é tão difícil?!
Henrique partiu derrotado.
Alice não ousava voltar para a casa dos pais, nem queria ir para a Mansão das Rosas, e a empresa estava impossível. Ela pediu para a secretária alugar um apartamento de luxo para servir de refúgio temporário.
Mal ela deitou, uma visita inesperada surgiu.
Alice fuzilou Rafael com o olhar: — Como você sabe que eu moro aqui?
— Sua secretária é uma das minhas ex-namoradas.
Cacete!
O "golpe do galã" funciona até assim?
Alice estava furiosa ultimamente e tentou expulsá-lo: — Antes que eu perca a paciência, suma daqui.
— Não posso. Eu vim te ver porque quero que você ajude a curar a "dor de saudade" do Bernardo.
Alice soltou uma gargalhada, como se tivesse ouvido a piada do século.
Rafael disse sem jeito: — Você não acredita? Nem eu acredito. O Bernardo parece normal, não faria sentido ele se apaixonar subitamente pela ex-mulher divorciada, mas os fatos dizem o contrário.
— Foi ele quem te mandou?
— Se ele soubesse, me jogava no rio. Eu vim por conta própria, não aguento mais ver a situação.
Alice cruzou os braços e disse com desdém: — Rafael, você é um playboy, sabe o que é o amor por acaso?
— Não me subestime. Eu entendo tanto de amor que dou às mulheres o amor que elas precisam, senão eu já teria casado. O meu é amor platônico e universal, diferente do de vocês.
— Estou com sono e não quero papo furado. Ou você sai por bem, ou eu chamo a segurança para te jogar no lixo. Escolha.
Rafael agarrou a maçaneta da porta: — Me deixe terminar de falar e eu saio sozinho.
Alice ergueu a sobrancelha e soltou um resmungo.
— O Bernardo não dorme direito ultimamente. Já dei dois frascos de sonífero para ele. Ele vive dizendo que teve um sonho muito real e cruel, onde você morria por causa da Isadora.
Os dedos de Alice tremeram levemente.
Ela tentou esconder seu choque e pânico, desviando o olhar e indo pegar água de costas para Rafael.
— Um sonho, apenas. O que isso prova?
— Eu vejo que a saúde mental dele está abalada por causa desse sonho. Ele está ficando místico, acredita que te deve algo do sonho e quer te compensar. Diz que o fato de você o odiar tanto é porque sofreu demais no sonho e que você certamente teve o mesmo sonho que ele.
POW!
Alice bateu o copo com força na mesa, estilhaçando o vidro.
Rafael estremeceu.
Cacete!
Já tinham avisado que o temperamento da Alice estava instável e explosivo; ele não queria confusão.
Mas o Iago (o consultor) dissera que a posição de Rafael era a ideal para falar umas verdades em nome de Bernardo.
Ele tomou coragem e continuou: — Sonhos são mentiras. Não importa o que aconteceu no sonho, na realidade o Bernardo não te traiu, a Isadora não te matou. Tenha um pouco de grandeza e perdoe o Bernardo, pode ser?
— SAIA!
— O Bernardo nunca se dedicou tanto a uma mulher. Ele realmente se apaixonou por você, só não percebeu no começo.
— SUMA DAQUI!
Alice empurrou Rafael para fora e bateu a porta com violência.
Rafael massageou o nariz que quase foi atingido e gritou: — Alice, você lembra do cachorro que você cuidava na Mansão do Horizonte? O... o "Arroz Doce" (Fanfan)? O Arroz Doce comeu algo errado ontem e morreu. O Bernardo sofreu a noite inteira, e de manhã ainda viu a notícia das declarações que você recebeu. Ele quase infartou de raiva, ele realmente...
A porta abriu subitamente.
O olhar de Alice estava estranhamente frio.
— O Arroz Doce morreu. Isso só prova que eu e o Bernardo Fontes somos destinados à tragédia.
Aquele cachorro fora seu apoio emocional quando ela acabara de casar com Bernardo.
Ele não dava a mínima para ela; a via apenas como um enfeite comportado, uma esposa de fachada. Naqueles meses de solidão, ela só tinha o Arroz Doce para desabafar.
Agora, o Arroz Doce estava morto.