Capítulo 83: Garras lascivas
— Não farei parcerias com uma pessoa de coração frio e insensível. — Dito isso, Alice jogou a garrafa de água no lixo.
Bernardo Fontes olhou para a garrafa, como se ela tivesse acabado de descartar a ele próprio.
Assim que saiu, Alice arrastou Vitória para provar vestidos de noiva, decidida a não mencionar mais ninguém nem qualquer outro assunto.
Após Vitória provar os modelos, Alice tirou fotos e enviou para Henrique.
Henrique não respondera nada inicialmente, mas Alice insistiu para que ele elogiasse. Ele então respondeu:
【Linda! Elegante!】
Vitória soltou uma risadinha: — Ele é realmente um "hétero top" sem filtro.
— Vocês serão felizes — comentou Alice, pensativa.
— Se não formos, você será a primeira a se desesperar. — Vitória olhou profundamente para Alice, como se através dos olhos dela estivesse vendo outra pessoa.
Alice sorriu, mas permaneceu em silêncio.
Vitória sabia que Henrique decidira casar cedo para herdar o Grupo Yuri.
Somente quando ele deixasse de ser o "Jovem Mestre Yuri" para se tornar o "Presidente Yuri", teria poder suficiente para ajudar Alice e o direito de estar ao lado dela.
Mesmo que apenas como um aliado, ele sempre a protegeria.
Ela estava disposta a acompanhar Henrique e apoiar Alice para sempre.
A amizade dela com Alice não era menos intensa que o sentimento de Henrique por ela.
Após o casamento, o maior objetivo do casal seria proteger Alice e ajudá-la a realizar seus sonhos.
— Você vomitou muito agora pouco, está se sentindo mal? Por que não vai ao hospital fazer um check-up?
Alice balançou a cabeça: — É apenas má alimentação e rotina desregulada.
— Agora você é a Senhora Presidente, seu tempo é contado em segundos, mas a saúde vem primeiro.
— Eu sei! Combinado: assim que o seu casamento com o Henrique passar, eu reservo um tempo para um check-up completo.
— Promessa é dívida, hein.
...
— Senhor Bernardo, o Samuel (Shen Lang) está seguindo a Senhora.
Mesmo dois meses após o divórcio, Zeca e seus subordinados continuavam chamando Alice de "Senhora".
O estranho era que Bernardo nunca os corrigira.
— Para onde ela foi?
— Boate
Êxtase
(Jile), encontrar uma cliente.
Bernardo massageou as têmporas: — Diga ao Eduardo para levar o trabalho para a Mansão do Horizonte, não irei à empresa hoje.
— Sim, senhor. — Zeca prontificou-se: — Precisa de motorista?
Bernardo apenas o fuzilou com o olhar.
Êxtase
, Camarote Privativo.
A cliente que Alice encontrara era Beatriz (Shen Yanxi), diretora de marketing do Grupo Samuel.
Ela, Vitória e Beatriz formavam um trio de amizade e admiração mútua raro naquele círculo.
— Depois que meu irmão voltou do exterior, o resto da família começou a hesitar, especialmente aqueles velhos machistas do conselho; já estão me tratando como uma peça descartável.
Beatriz desabafava.
— Na verdade, a maioria nesse meio é conservadora e machista. Afinal, ninguém quer que o patrimônio acumulado com tanto esforço seja entregue de bandeja a outra família junto com a mão da filha.
— Por isso pretendo encontrar um marido que aceite ser "agregado" à minha família.
Beatriz tomou um gole de sua bebida, com os olhos brilhando de inveja: — Bom mesmo é a sua família, que prioriza a filha. Você é tão jovem e já tem a empresa e os ativos todos em seu nome, e seu irmão não disse um "a" contra. Todas as garotas da elite te invejam.
Alice sorriu sem jeito: — Meu irmão não gosta de negócios, e meus pais são tão apaixonados que querem ficar grudados 24 horas por dia; claro que queriam passar o bastão logo. Eu sou apenas a funcionária de luxo deles.
— O título de "Princesa da Elite" não é à toa. Pare de ser modesta.
As duas bebiam e conversavam amenidades até que, finalmente, tocaram no assunto do lote de aço do Grupo Samuel.
O Grupo Samuel focava em indústria pesada. Desde que assumira os Guimarães, Alice não queria se limitar a luxo e imóveis.
Ela queria colaborar com os Samuel, mas não com os conselheiros antigos; procurar Beatriz era o melhor caminho.
— SAIAM DA FRENTE! Quem está aí dentro é a minha irmã de sangue! Se me barrarem de novo, faço vocês serem expulsos de São Paulo!
A porta foi aberta bruscamente, e a voz arrogante de Samuel interrompeu a conversa.
Alice franziu a testa ao ver Samuel em sua camisa estampada; sentiu uma náusea instantânea.
Beatriz também estava frustrada: — Eu não disse a ele que estaria aqui.
— Tudo bem, remarcamos outra hora — disse Alice, pegando a bolsa para sair.
Samuel entrou e parou na frente de Alice, olhando-a de cima: — Deusa, eu soube que o Bernardo Fontes te colocou para fora de casa. Você é uma deusa, mas é divorciada, não é mais nenhuma virgem inocente. Vamos parar com esse teatrinho de superioridade, pode ser?
Beatriz empurrou Samuel rapidamente: — Samuel, que asneira você está dizendo? Estou tratando de negócios com a Senhora Guimarães, pare de criar confusão!
— Beatriz, como você me chamou? Sou seu irmão mais velho. Não ache que, por estar cuidando de alguns assuntos da empresa, você manda em algo. Eu sou o filho homem; você sempre trabalhará para mim.
Beatriz teve vontade de dar um soco nele.
— Quem teria coragem de entregar uma empresa para um vagabundo como você? Se não causar problemas, a família te garante o luxo; mas se estragar os negócios, farei o papai cancelar todos os seus cartões.
Samuel ergueu a mão para dar um tapa em Beatriz.
— Atreva-se a me dar ordens! Vou te ensinar quem manda aqui!
Alice agarrou o pulso de Samuel no ar.
Ela disse friamente: — Senhor Samuel, somos pessoas civilizadas. Sem violência.
— Tudo bem, se a Deusa pede, eu não bato. Já que estou aqui, a Deusa aceita um drink comigo?
Alice lançou um olhar tranquilizador para Beatriz: — Quer beber? Claro. Vou ligar para a sua NOIVA vir e bebemos todos juntos.
— ... Não faz isso. A Isadora Matos é uma piranha estraga-prazeres, para que chamar ela? Deusa, você ainda está brava porque ela deu em cima do Bernardo? Na verdade o Bernardo nem quis ela; eu que fui para a cama com ela, e ela ainda era virgem.
— Se não fosse por isso, mesmo ela estando grávida, eu a teria feito abortar.
— Eu suspeito seriamente que o Bernardo se divorciou de você porque arrumou outra.
— Para ser sincero, tem uma mulher chamada Tina que tem uma relação bem próxima com ele; até a Isadora tem medo dessa mulher.
As palavras de Samuel martelavam os ouvidos de Alice.
Alice manteve a calma e disse com indiferença: — Quais mulheres o Bernardo Fontes tem ou deixa de ter não é problema meu.
— Melhor assim. Cada um se diverte como quer. Eu e a Isadora já combinamos: depois de casados, vida livre para ambos.
Beatriz praguejou: — Samuel, você nem bebeu e já está dando vexame?
— Saia daqui, Beatriz. Não atrapalhe meu reencontro com a Deusa.
Alice estava exausta; esse Samuel era inconveniente demais.
Se não fosse pelo fato de o patriarca Samuel valorizar tanto esse filho inútil, ela já o teria mandado para o quinto dos infernos. Por que teria que aturar tamanha falsidade?
Para ajudar Beatriz a consolidar sua posição na família, ela não podia simplesmente liquidar o sujeito ainda.
— Meu estômago não está bom hoje, não quero beber. Fica para a próxima.
Alice tentou sair.
Mas Samuel não ia deixar. Ele pesquisara muito para descobrir que ela estaria ali com a irmã.
A "garra" de Samuel estendeu-se para tocar o ombro de Alice: — Se a Deusa não bebe álcool, podemos beber um suco, ver as estrelas e a lua...
POW!
A mão dele foi atingida por uma sombra negra.
Ele gritou: — AAARGH! Qual maldito ousou me atacar pelas costas? Minha mão... quebrou! Uuuuh!