Capítulo 79: Homens são apenas fumaça passageira
Após Alice Guimarães contar a decisão de Leo para Antônio e Helena, o casal ponderou seriamente por um longo tempo e, finalmente, decidiu apoiar o filho.
— Eu achei que vocês seriam contra — confessou Alice, sem jeito.
Embora ela adorasse a pequena Paola e entendesse a decisão do irmão, ela não tinha certeza sobre a reação dos pais.
Helena disse docemente: — Quando eu estava grávida de você e do Leo, meu único desejo era que vocês fossem saudáveis e felizes. Quando crescessem, poderiam fazer o que quisessem, contanto que estivessem felizes e não se arrependessem.
Antônio completou: — Eu e sua mãe somos o porto seguro de vocês. Nossa família tem um patrimônio vasto; mesmo que vocês quisessem apenas "ficar deitados" e não fazer nada a vida inteira, nós poderíamos sustentá-los. Além disso, meu filho demonstrou ser um homem de bom coração e atitude. Isso é ótimo.
Helena sorriu: — O Leo realmente sente apenas compaixão pela Paola?
Sob o olhar profundo da mãe, Alice também se fez essa pergunta internamente.
Dizer que era apenas compaixão... ela não acreditava.
No hospital.
Isadora Matos acordou e descobriu que seu braço direito estava engessado; exceto pelo abdômen, que saiu ileso, o resto de seu corpo estava em frangalhos.
Seu rosto estava inchado e seus olhos apresentavam hematomas graves.
Além disso, ao lembrar da sensação de asfixia quando Alice afundou sua cabeça no vaso sanitário...
— Ecaaa... Argh! —
Isadora chorava copiosamente, jurando vingar-se de Alice.
Ela gritava querendo ver Bernardo Fontes, mas ele se recusava terminantemente a vê-la. Restou-lhe apenas pedir para ver Rafael.
Rafael tirou um tempo para visitá-la.
Para ser sincero, Rafael não sentia a menor piedade por Isadora.
Uma menina doce como a Paola fora maltratada ao ponto de tentar o suicídio; ele não tinha compaixão pela família Matos.
— O Bernardo está ocupado e não tem tempo para você. Além disso, se você ajudou o Jorge Jr. secretamente de alguma forma, o Bernardo já mandou o Iago investigar.
Isadora, que ia fazer um drama de vida ou morte, calou-se na hora ao ouvir aquilo.
— Rafael, o Bernardo não faria nada comigo, faria? Foi erro meu não interferir nos planos do Jorge Jr. contra a Paola, mas eu não mandei ele maltratá-la.
Rafael riu com escárnio.
— Você seguiu à risca tudo o que a Lin Hua te ensinou, não foi?
O corpo de Isadora tremeu.
Rafael continuou: — Isadora, em consideração ao seu irmão, o Bernardo te perdoou repetidas vezes, mas você abusou da sorte. Agora que mexeu com a Paola, você não está apenas pedindo para morrer?
— Meu irmão salvou o Bernardo! O Bernardo deve uma vida ao meu irmão, ele prometeu que sempre...
— Cale a boca! Se você ousar dizer isso de novo, eu te garanto que nunca mais terá liberdade nesta vida!
Isadora murmurou: — Eu não sabia que meu pai subornaria funcionários para mexer nas luzes. Se eu soubesse, teria impedido. Não tenho nada contra a Paola, ela é irmã do Bernardo, eu jamais a machucaria.
— Como a Paola se feriu exatamente... o Bernardo vai descobrir cada detalhe e ninguém sairá impune. — Rafael coçou a nuca. — Quanto a você...
Isadora ficou tesa. Como Bernardo lidaria com ela?
— Aguarde e verá — Rafael deixou o suspense no ar, de forma pouco ética.
Temendo que Isadora aprontasse de novo, ele ainda colocou dois guardas na porta do quarto, proibindo-a de sair.
Alice foi ao hospital contar a decisão dos pais para Leo.
Leo, cuidando de Paola que acabara de passar por uma lavagem estomacal e continuava inconsciente, disse pausadamente: — Mana, eu decidi. Independentemente de ela voltar a enxergar ou não, eu ficarei ao lado dela.
— Você...
— Quando ela caiu nos meus braços, eu percebi que gosto dela.
Alice arregalou os olhos. Esse moleque burro apaixonou-se pela Paola?
Ela já suspeitava, mas ouvir a confissão direta ainda a chocou.
— Leo, a vida é longa. Pense bem.
— Nunca tive tanta certeza de algo na vida como agora.
Na vida passada, Alice viveu de forma oprimida, humilhante e dolorosa.
Nesta vida, o que ela mais queria era proteger a família. Já que o irmão decidira, ela protegeria a felicidade dele.
— Sua irmã te apoia! — Alice hesitou. — Veja bem como vai falar com a "fofura", para ela não entender errado as suas intenções.
— Pode deixar!
Alice saiu de fininho do quarto e quase colidiu com Bernardo Fontes.
Bernardo a encarava com um olhar tão complexo que deixou Alice inquieta.
— O que foi?
— Eu vou resolver a situação dos Matos.
— Heh, resolver como? Vai perdoá-los de novo ou vai deixar a Isadora assumir a empresa do pai?
Sem esperar a explicação dele, Alice ironizou: — A pequena engoliu tantos remédios... você lembra do que ela te disse antes de apagar?
Bernardo cerrou os punhos com tanta força que as veias saltaram no dorso da mão.
— Bernardo Fontes, você fez tanto pela Isadora Matos que pode dizer que foi por "amor". Mas e a família? Por amor, pode-se ignorar o sangue do próprio sangue?
— Eu deveria te dar um prêmio de "Maior Galã do País"?
— A Paola não está decepcionada com você sem motivo. Já nos divorciamos e eu não tenho direito de me meter na sua vida privada, mas como ser humano, te dou um conselho: pare de atormentar a sua irmã.
Terminado o aviso, Alice não quis mais papo.
Bernardo tentou segurá-la, querendo explicar tudo o que estava fazendo...
Mas ao lembrar das palavras da irmã, sua mão caiu ao lado do corpo.
Rafael apareceu do nada: — Por que não explica? Se deixar ela te entender mal assim, vai ser impossível limpar sua imagem depois.
— A Paola está muito decepcionada comigo.
— Ela é nova, não sabe que você deve um favor de vida ao Caio (Jiang Chen) e tem certas amarras.
— Ela prefere o Leo a mim, que sou irmão de sangue.
— Bernardo, vou te falar uma coisa: será que a Paola... gosta daquele moleque?
Até ele, que era de fora, percebera; Bernardo provavelmente também.
Bernardo relaxou os punhos.
— Eu já falhei demais com ela. O que ela quiser, eu a ajudarei a conseguir!
— Se a Paola ficar com o moleque, você e a Alice não vão acabar... —
O olhar de Bernardo brilhou.
Rafael correu atrás dele: — Podemos pensar numa solução onde todos ganham?
...
Leo conseguiu convencer Paola, e ela aceitou ir para o exterior para o tratamento.
No dia da partida, Alice encerrou o expediente cedo para se despedir dos dois no aeroporto.
Paola recusou a segurança enviada por Bernardo e não quis vê-lo; por isso, Alice não viu vivalma da família Fontes por perto.
Sorte que ela estava lá. Ela organizaria tudo para os dois jovens lá fora.
— Leo, você é homem, cuide bem da pequena e não a maltrate, entendeu? Quando chegarem, mantenham contato frequente. Se eu tiver tempo, vôo para visitar vocês.
— Fofura, trate bem desses olhos. A sua irmã acredita em você!
Paola assentiu. Leo a segurava, hesitando em falar.
Alice estranhou: — Estão partindo, se tem algo a dizer, diga agora.
— Mana, você e o Bernardo... vocês...
— Sua irmã agora é uma ricaça solteira. Homens são apenas fumaça passageira; por que se preocupar com isso? Quanto àquele homem, ele é poderoso demais em São Paulo, não vai sair no prejuízo. Não se preocupe.
A última frase de Alice foi dirigida à Paola.
Após vê-los partir, Alice soltou um longo suspiro.
Subitamente, uma mão agarrou seu pulso: — Venha comigo.
— Bernardo Fontes, me solta!