Capítulo 78: Eu o amo? Eu amo que ele morra
— Irmão, eu sou alguém descartável na família Fontes. Para você, sou apenas uma estranha que carrega o seu sangue. Não quero mais lutar.
Não consigo ser sua irmã forte, nem quero viver decepções repetidas em uma esperança de uma em um milhão.
Não quero viver sem dignidade, sendo um fardo para os outros, nem quero a piedade de ninguém.
Espero poder encerrar minha curta vida com decência.
Não me salvem.
Após dizer isso, Paola desfaleceu nos braços de Leo.
— PAOLA! — Leo gritou apavorado.
— PAOLA! — Bernardo perdeu totalmente a razão, pegando a irmã nos braços freneticamente. — Médicos! Salvem minha irmã!
Alice cerrou os punhos com o suor frio nas mãos.
Subitamente, ela virou-se e deixou o hospital.
Leo, com a mente cheia das palavras de Paola, seguiu tropeçando até a sala de emergência.
Meia hora depois.
Alice segurava o cabelo de Isadora Matos, batendo sua cabeça contra uma porta de vidro com força.
Isadora nem sabia o que tinha acontecido para atrair aquela "entidade furiosa" que era Alice. Alice entrou sem dizer uma palavra e começou a espancá-la.
— Ah! Alice Guimarães, você ficou louca?
— Pare com isso! Eu estou grávida! Se você me fizer abortar, você vai para a cadeia!
— Alice, pare! O Bernardo não vai te perdoar por isso!
Se Isadora não tivesse mencionado Bernardo, talvez Alice não estivesse tão furiosa.
Ao ouvir o nome dele, o ódio acumulado em seu coração transbordou em toneladas.
— Acha que só porque o Bernardo te mima, você pode tudo?
— Não pense que eu não sei dos seus joguinhos por trás das cortinas. Foi você quem instigou o Jorge Jr. a provocar a Paola, e foi você quem subornou os amigos dele para que o incentivassem a sequestrá-la.
— Você queria que o Jorge pai se decepcionasse com o filho, usando o Bernardo e a mim para mandá-lo para a cadeia, para que você assumisse os negócios dos Matos. Só não contava que o seu pai faria de tudo para salvar o filho e, para ganhar a confiança dele, você implorou ao Bernardo.
Ao ouvir Alice, o rosto de Isadora mudou de cor instantaneamente.
Acaso Alice plantara espiões ao seu lado? Como ela sabia desses segredos?
— Isadora Matos, eu não encostei em você antes não por medo, mas porque ainda não tinha decidido como te fazer sofrer mais que a morte. Mas você insiste em me causar náuseas e ainda ferir uma menina pura como a Paola. Você está pedindo para morrer!
Alice fez força e deslocou o braço de Isadora de uma vez.
Isadora deu um grito lancinante, chorando e implorando por clemência.
— Eu errei! Alice, pare de me bater, eu realmente errei!
— Eu só queria que o Bernardo me ajudasse a assumir o poder nos Matos, não queria ferir a Paola.
— Por favor, me deixe! Se você me machucar, o Bernardo vai descontar em você! Você não o ama mais que tudo? Quer que ele te odeie?
Alice riu friamente.
— Eu o amo? Eu amo que ele morra, acredita? Se ele quiser me odiar, que odeie. De qualquer forma, cedo ou tarde eu acabarei com esse casal de lixo. Hoje vou apenas cobrar os juros!
Dito isso, Alice arrastou Isadora até o banheiro.
Meia hora depois, ela lavou as mãos e ligou para o SAMU.
Bernardo ainda estava no hospital cuidando de Paola e não sabia do que ocorrera.
Jorge pai chamou os seguranças dos Matos, querendo levar Alice à força para a delegacia.
Alice olhou para a face de cada um ali.
— Você não aceitou o prejuízo, mas não teve coragem de exigir que eu e o Bernardo nos ajoelhássemos para pedir perdão, então usou métodos baixos para ferir os outros. Você é uma raposa velha e perversa. Eu te subestimei.
Jorge pai estava com o semblante péssimo, mas negava tudo.
— Que provas você tem de que fui eu? O que houve com a Paola foi um acidente. Sem provas, eu te processo por calúnia.
— Calúnia? Velho desgraçado, você não tem um pingo de noção? — Alice soltou um palavrão de tanta raiva.
Os seguranças se entreolharam.
A herdeira dos Guimarães era a socialite número um, elegante e refinada. Como podia falar palavrão?
Alice ergueu o pescoço com arrogância, como uma imperatriz: — Hoje eu não vou apenas bater na Isadora, eu vou mandar todo o lixo ligado aos Matos de volta para a fábrica para ser reciclado!
Jorge pai tremia de raiva, com o rosto quase desabando de fúria.
— Sua pirralha! Quando eu já estava no submundo você ainda mamava! Acha que por ser uma Guimarães pode tudo? Eu não sou um qualquer!
— Homens! Amarrem essa mulher! Hoje eu vou ensinar para ela o que os pais dela não ensinaram!
Alice não viera sozinha.
Ela conhecia a desonestidade dos Matos e já armara o cerco.
Ela ficou parada com altivez, e os homens dos Matos não ousaram se mover.
Do lado de fora, veio a voz potente e protetora de Antônio Guimarães: — Quem ousa tocar na minha filha?
— Seu velho sem-vergonha! Os Matos não são nada perto dos Guimarães. Seu filho não presta e você ainda usa esses planos baixos e imundos. Devia se apressar em reencarnar e parar de estragar a vida dos outros.
— Quer ensinar minha filha a ser gente? Você, que nem ser humano é, sabe o que é isso?
Helena entrou logo atrás de Antônio.
Ao ver que a filha estava ilesa, sua preocupação sumiu. Ela encarou os Matos: — Depois de hoje, o nome da família Matos será apagado da elite de São Paulo. Quem tiver juízo, saia agora e os Guimarães não os perseguirão. Caso contrário...
A gentil Senhora Guimarães, ao ameaçar alguém, tinha uma aura tão forte quanto a do marido.
Os seguranças dos Matos foram espertos; os Fontes nem tinham chegado e os Guimarães sozinhos já esmagariam os Matos.
Dinheiro é bom, mas a vida é melhor.
Em apenas três minutos, os capangas fugiram.
Alice não esperava que os pais viessem defendê-la; o pessoal que ela contratara nem precisou aparecer.
Ela correu para Helena e abraçou-a: — Mamãe! Buáaa, esses vilões são aterrorizantes!
Jorge pai torceu o canto da boca.
Essa mulher... seria esquizofrênica?
Helena consolou Alice e a levou embora.
Atrás delas, ouviu-se o som de destruição e os gritos de dor de Jorge pai e seu filho.
Quando Zeca chegou com seus homens, viu a mansão dos Matos em ruínas, com pai e filho jogados ao chão entre a vida e a morte...
Ele ficou surpreso e satisfeito, e imediatamente iniciou uma transmissão ao vivo para o patrão.
— Onde está a Alice? — Do outro lado, a voz do homem carregava uma preocupação intensa.
— Parece que foi levada pelos pais.
Zeca comentou confuso: — Patrão, a Senhora parece ter entendido mal o senhor. O senhor soltou o Jorge Jr. não para perdoá-lo, mas para puni-lo de uma forma muito pior. Mas a Senhora achou que o senhor fora seduzido e ignorou até a Senhorita Paola.
Não pergunte como ele sabia; ele ouvira a fofoca dos seguranças dos Guimarães.
Disseram que a Senhora deixou a Isadora em pedaços.
Não abortou, mas estava quase.
Bernardo ponderou por um instante: — Limpe o rastro.
Zeca pensou: "O patrão ainda se preocupa com a Senhora". Na situação de hoje, se ele não limpasse a cena, mesmo que os Guimarães resolvessem, os outros clãs falariam mal.
Para destruir os Matos totalmente, ainda seria necessária a intervenção do patrão.