Capítulo 74: A honra dos Matos não vale nada
Não foi só Alice que ficou boquiaberta; Isadora, Leo e todos os seguranças também ficaram em choque.
Quem não sabia que Bernardo Fontes era um maníaco por limpeza em estágio terminal? Como ele poderia usar o canudo de outra pessoa e beber o resto do chá de alguém?
Bernardo agiu como se não visse as expressões de espanto de todos e disse por conta própria: — O Jorge Jr. maltratou minha irmã e feriu o jovem mestre dos Guimarães. É justo que haja indenização e pedido de perdão de joelhos.
— Mas Bernardo, a nossa família também tem uma honra a zelar, e no caminho eu te disse que meu pai...
Alice interrompeu: — Eu não interfiro nos acordos do Senhor Bernardo com os Matos, mas o que os Guimarães exigem não será reduzido em nada!
Hoje, Jorge Jr. teria que se ajoelhar.
Bernardo lançou um olhar para Isadora.
— O que você quer não pode estar acima da honra e da felicidade da minha irmã.
— Mas você prometeu...
Bernardo a cortou friamente: — Isadora! A honra dos Fontes é algo que você não tem como pagar!
Isadora cerrou os punhos e bateu o pé com força.
Antigamente, Bernardo atendia a todos os seus pedidos. Mesmo não aceitando seus sentimentos, ele nunca a envergonhava na frente de estranhos.
Mas hoje, ele a repreendera duramente duas vezes.
Tudo por causa daquela vadia da Alice Guimarães!
Alice percebeu a hostilidade de Isadora, mas deu a mínima para ela.
O que a surpreendeu foi Bernardo não ter dado moral para a Isadora.
O filho que ela carrega não é dele?
Parece que a irmã de sangue é mais importante que o próprio filho.
Ela começou a mudar um pouco sua visão sobre esse traste.
Quando Jorge pai chegou, achou que Isadora já tivesse convencido Bernardo. Ele começou com um discurso polido de "homem de negócios" e preparou-se para mandar seus seguranças levarem o filho.
Mesmo vendo Jorge Jr. desfigurado pela tortura, estando Bernardo presente, ele não ousou cobrar explicações de Alice.
Afinal, ele já sabia da burrice que o filho cometera.
Sorte que a Senhorita Paola estava bem e sua honra intacta, caso contrário, nem toda a fortuna dos Matos seria suficiente para pagar!
Alice fez um sinal, e os seguranças dos Guimarães barraram os dos Matos.
— Senhorita Guimarães, o que significa isso?
— Parece que a Isadora não te explicou direito: eu quero que o Jorge Jr. se ajoelhe e peça perdão ao meu irmão, além de dez milhões de indenização por danos morais.
— O quê?
Alice apontou para o Leo, que continuava jogando: — Meu irmão foi espancado desse jeito, ninguém vai assumir a responsabilidade? O que o Senhor Jorge pensa que os Guimarães são?
Jorge pai olhou de soslaio para Bernardo e percebeu que ele estava sorrindo.
Ele sentiu que algo estava errado.
— Senhor Bernardo, isso foi apenas um mal-entendido. Veja bem, já que o senhor não vai levar adiante, poderia pedir para a Senhorita Alice também...
— Quem disse que eu não vou levar adiante? — O tom descontraído do homem carregava uma pressão esmagadora.
Jorge pai começou a suar frio.
Bernardo olhou para o desmaiado Jorge Jr.
— Ele sequestrou minha irmã e trouxe pessoas para humilhá-la. Isso causou um dano irreversível ao psicológico dela. Se eu deixar passar batido, onde fica a honra dos Fontes? Onde fica a minha dignidade? Onde fica a pureza da minha irmã?
— Mas a Senhorita Paola está sã e salva, não está? O pior erro não foi cometido, quem sabe...
Alice ironizou: — O Senhor Jorge quer dizer que tentativa de homicídio não dá cadeia porque a pessoa não morreu?
— ... Senhorita Alice, não foi isso que eu quis dizer.
— O senhor tem outros filhos além do Jorge Jr. Senhor Jorge, na vida é preciso saber perder para ganhar. Se hoje o senhor abrir mão deste filho, amanhã poderá ganhar uma filha muito competente.
Ao ouvir Alice, Isadora percebeu que ela estava tentando criar discórdia.
Jorge pai também lançou um olhar rancoroso para a filha: — Filha é filha, nunca será melhor que um filho homem.
— Já que o filho homem é tão bom, por que o senhor não o educou melhor? Para ele não cometer uma estupidez dessas.
Alice tirou algumas fotos e as jogou no chão.
— Durante o tempo de escola, o Jorge Jr. coagiu sete colegas de classe. Aqui estão as provas. Em todas as vezes, o Senhor Jorge interveio pessoalmente para resolver, não foi?
Jorge pai limpou o suor frio da testa.
Ele sabia que o filho era um vagabundo e que já causara muitos problemas.
Mas sempre conseguira resolver tudo em paz.
Quem poderia imaginar que a irmã de Bernardo Fontes voltaria de repente ao país e se transferiria para a USP?
Paola vivera no exterior desde criança, e quase ninguém no círculo social conhecia o rosto dela; por isso Jorge Jr. escolhera a pessoa errada para atacar.
Jorge pai xingava o filho internamente. Desta vez ele chutara uma placa de ferro; o que fazer?
Bernardo falou: — Dez milhões para os Guimarães, dez milhões para os Fontes. Além disso, ele deve se ajoelhar e pedir perdão à minha irmã e ao Jovem Mestre Guimarães.
— Ah? Se isso vazar, a honra da nossa família...
Leo gritou: — A honra da sua família não vale nada! Se ele não ajoelhar agora, ninguém da sua família sai daqui!
Com um ar de delinquente, Leo, após gritar, olhou de relance para Alice.
Alice aprovou: — Meu irmão tem razão. O Senhor Jorge decide.
Bernardo cooperou totalmente; não importava o quanto Isadora implorasse baixinho, ele mantinha a face gélida.
Jorge pai chamou Isadora para fora.
Alice ouviu o som de um tapa.
Ela inclinou a cabeça para olhar para certo alguém.
Ele não ouviu?
A mulher dele foi agredida.
Não vai defendê-la?
Sem atitude!
— Já olhou o suficiente?
— Quem disse que estou te olhando?
— Mentirosa.
Alice disse com desdém: — Embora eu deteste a Isadora Matos, ela está grávida. Ver ela apanhar assim e não fazer nada... cadê a sua atitude de homem?
Bernardo ergueu a sobrancelha.
Ela não era a pessoa que mais odiava quando ele ajudava a Isadora?
— Ela apanhar é problema dela.
Ela era filha dos Matos.
Assuntos da família Matos não cabiam a um estranho como ele interferir.
Ele prometera àquela pessoa proteger a Isadora.
Mas a condição era que a Isadora agisse como um ser humano.
Alice fez um biquinho.
Realmente, um homem sem coração.
Consegue ser frio assim até com o seu "anjo puro".
Logo Jorge pai entrou; Isadora estava com o rosto inchado, parada à distância, olhando para Alice com ódio mortal.
— Vou pedir ao financeiro para transferir o dinheiro para a Senhorita Paola e para o Jovem Mestre Guimarães. Sobre o pedido de perdão...
Jorge pai rangeu os dentes: — Nós faremos como solicitado.
Alice aplaudiu: — O Senhor Jorge é realmente um homem de visão, sabe quando ceder.
Os seguranças acordaram Jorge Jr. com água fria.
Ao ver Alice, ele quase se mijou de novo.
A dor continuava dominando sua razão; ele só queria desmaiar novamente.
Ao ver o próprio pai, ele chorou desesperadamente, mas recebeu um tapa violento de volta e a ordem para se ajoelhar.
Demorou a acreditar que teria que se ajoelhar de fato.
Leo ficou diante de Jorge Jr. e recebeu as três batidas de cabeça no chão.
Ele abriu a chamada de vídeo para que Paola visse pessoalmente o pedido de perdão.
Paola ficou satisfeita.
Bernardo levantou-se e ordenou que os guardas levassem Isadora de volta.
Jorge pai disse algumas palavras polidas de despedida e preparou-se para levar o filho problemático para casa.
Nisso, ouviu-se a voz fria de Bernardo ordenando aos seus guardas: — Podem deixar os policiais entrarem agora.
— O quê? Senhor Bernardo, o senhor chamou a polícia?
— Não tínhamos combinado que o pedido de perdão e a indenização seriam suficientes?
— Senhor Bernardo, o Jorge Jr. foi imaturo, eu peço perdão por ele. Tenha piedade, ele é apenas um garoto, não pode ir para a cadeia e arruinar o futuro de uma vida inteira!
Alice olhou para o homem com espanto.
Ele chamara a polícia?
Ela achou que, pela Isadora, ele deixaria o assunto morrer ali.
Ela já dera uma lição no Jorge Jr. que nem os pais o reconheceriam, e o fizera rastejar na frente dela; ela estava satisfeita.
Sobre chamar ou não a polícia, ela até pretendia perguntar para a pequena Paola.
Bernardo estava sendo...
...contraditório?
Que canalha!
Um capitalista astuto.
Alice cobriu os lábios com a mão, e seu passo ficou até mais leve.
— Leo, vamos para casa!
— Eu já estou quase derrubando a base inimiga no jogo.
— Sua irmã te ajuda a terminar.
— Er...
— Está desprezando o talento da sua irmã?
— Eu nunca ganhei uma partida jogando com você.
Alice "Mãos de Alface" Guimarães, sem jeito, puxou o irmão e foi embora.