Capítulo 73: Pose de Intocável
Alice Guimarães estava sentada em uma cadeira simples, segurando um copo de chá com leite quentinho.
Ela lançou um olhar de desprezo para os dois: — Salvar o rapaz? Sem problemas. Dinheiro e desculpas, não pode faltar nenhum dos dois.
Isadora Matos avançou: — Você está usando tortura privada e ainda quer me pedir dinheiro? Acredita que eu te denuncio por sequestro e extorsão? Você feriu meu irmão deliberadamente, causou um dano enorme ao físico e ao psicológico dele; você é quem deveria pagar indenização e pedir desculpas.
— Louca.
— Você está me insultando?
Alice disse com indiferença: — O Senhor Bernardo está em silêncio... acha que a sua mulher tem razão?
Bernardo Fontes:
Minha mulher?
Isadora ergueu o queixo, triunfante: — O sequestro da Paola pelo meu irmão foi apenas um mal-entendido. O Bernardo nem se importa, por que você está se metendo? Já sei... você quer usar isso para atrair a atenção do Bernardo, não é?
— Pode tirar o cavalinho da chuva. Já que o Bernardo se divorciou de você e não te quer mais, não importa o escândalo que você faça, ele não vai te dar nem um olhar.
— Alice, eu te aconselho a ter um pouco de vergonha na cara. Solte meu irmão agora e nos pague cinco milhões de indenização; talvez eu consiga convencer meu pai a não te processar.
Alice ficou chocada.
Ela sabia que o Leo estava jogando, sabia que ele estava em uma partida com a Paola.
Eles estavam no canal de voz.
Ou seja, a pequena Paola ouviu cada palavra que a Isadora Matos acabou de dizer.
Leo também gritou no jogo: — Não se irrite, minha irmã está aqui. Mesmo que o seu irmão não ligue se você vive ou morre, minha irmã não vai deixar você sofrer de graça.
— Paola, não fica parada aí! Ei? Oh-ho, morreu. Morremos os dois.
Leo bagunçou o cabelo, irritado: — Mana, a Paola pediu para eu mandar o endereço para ela. Ela quer vir para cá.
— Senhor Bernardo, sua irmã está vindo cobrar justiça — comentou Alice.
Bernardo estreitou os olhos. Essa mulher fez isso de propósito?
Isadora sentiu uma certa inquietação. Ela sabia o quanto Bernardo mimava Paola.
Antes, Paola não tinha proximidade com Alice e vivia no exterior; Isadora não precisava se preocupar em bajulá-la.
Mas agora Paola ia voltar para o país e sofrera uma "lavagem cerebral" de Alice, tornando-se sua fã número um. Isadora precisava agir rápido, mas...
Jorge Jr. era um estorvo que só causava problemas e estragara seus planos.
Ela mudou o olhar, assumindo uma postura compreensiva diante de Bernardo:
— Bernardo, meu irmão errou. Vou fazê-lo se ajoelhar e pedir perdão à Paola. Peço que, em consideração a mim, não o mande para a cadeia.
Esse era o limite de Jorge Matos pai.
E a condição para ele deixá-la assumir a diretoria da empresa.
Jorge Jr. era o único filho homem de Jorge pai, um garoto mimado; contanto que Jorge pai fosse destruído, as outras filhas ilegítimas não seriam rivais para ela.
Pensando nisso, Isadora limpou uma lágrima inexistente no canto do olho: — O Jorge Jr. é apenas um garoto mimado, ele não teve má intenção. Além disso, a Paola não se feriu, apenas levou um susto. Que tal eu levá-la para passear e comer algo gostoso? Ela logo vai esquecer.
Leo soltou um palavrão.
— Você fala como se fosse fácil. A Paola é uma moça delicada, nunca viu um sequestro na vida. Além de ser sequestrada pelo seu irmão, quase foi abusada por eles... e a conta fecha assim, do nada?
Alice ironizou propositalmente: — Leo, o próprio irmão de sangue dela não disse nada; não fica bem você vir cobrar justiça.
— Mana, não foi você quem disse que ia proteger a Paola daqui para frente?
Alice ficou sem palavras. Esse irmão burro não sabe o que é sarcasmo?
— Senhor Bernardo, se o senhor aceita as desculpas da família Matos, o problema é seu. Mas esse delinquente bateu no meu irmão e me dirigiu insultos; eu não sou tão fácil de convencer.
Isadora enfureceu-se: — Alice Guimarães, o que você quer afinal? Por mais que o Jorge Jr. tenha errado, ele é meu irmão, é o jovem mestre dos Matos, você...
— O meu Leo também é o jovem mestre dos Guimarães. A sua família não serve nem para engraxar nossos sapatos, e você ainda quer usar influência para nos pressionar? Tem um tumor no cérebro por acaso?
Após xingar Isadora, Alice ordenou que os seguranças descessem o Jorge Jr.
Ele caiu molengo no chão, e ao redor dele emanava um cheiro forte de urina.
O moleque apenas levara um banho de água salgada e molho de pimenta; sentira tanta dor que se mijou nas calças e não parava de implorar. Ela achou barulhento e mandou lacrar a boca dele.
Um fraco.
Com essa coragem de galinha, ousara mexer com o irmão de Alice Guimarães.
Isadora viu as feridas no corpo do irmão e gritou: — Alice, como você ousa!
Alice deixou o chá com leite de lado, levantou-se e caminhou até Isadora.
Sua postura imponente intimidou a outra.
— Isso foi apenas uma liçãozinha. Faça-o ajoelhar e pedir desculpas ao meu irmão, e pague dez milhões de indenização por danos morais. Só então eu o solto, caso contrário...
Alice tirou uma faca afiada do bolso e fez um gesto no ar:
— Eu só matei frango na vida, nunca caprei ninguém.
— Você... você é desavergonhada! — Isadora tremia inteira.
Alice a viu tremendo tanto que parecia prestes a desmaiar; chegou a suspeitar se ela sofreria um aborto de tanto tremer.
Bernardo observava a cena com neutralidade, mas não esperava ouvir Alice dizer algo tão "baixo".
Uma dama da alta sociedade dizendo esse tipo de coisa.
Que audácia!
— Alice Guimarães, você poderia agir como uma mulher normal?
A voz de Bernardo era rouca, magnética e carregava a fraqueza de quem estava doente.
Alice deu uma risadinha.
— Eu não sei fingir de santa. Só sei de uma coisa: se me respeitam, eu respeito de volta. Se me atacam, eu me vingo.
Leo levantou o polegar em aprovação secretamente.
Sua irmã, ao "se libertar" e deixar sua loucura explodir nos outros, estava muito foda!
Ele declarou internamente: a partir de hoje, ele seria um fã fiel da irmã, assim como a Paola.
— Esqueci que não é você quem manda nos Matos. Ligue para o Jorge pai.
O rosto de Isadora escureceu.
Ela era apenas uma filha ilegítima; se não fosse pelo Bernardo Fontes, Jorge pai nem a deixaria entrar na mansão.
Ela certamente não podia decidir nada.
A ligação de Jorge pai veio.
Isadora falou um monte de mentiras e exageros, e Jorge pai, furioso, disse que viria pessoalmente resgatar o filho.
Alice não teve medo.
Ela pegou o balde com água de pimenta e despejou sobre Jorge Jr.
— AAAAARGH! —
— Dói demais! —
— Eu errei! Nunca mais faço isso! Heroína, me perdoe! —
Isadora olhou para o irmão com desprezo.
Ela não queria ajudar.
Jorge Jr. vivia falando mal dela para o pai, chamando-a de desavergonhada por se agarrar ao Bernardo sem ter sequer um título oficial.
Ele ainda a ridicularizava, dizendo que ela nunca teria um centavo da herança dos Matos, que tudo era dele e que ela era apenas uma criada trabalhando para ele.
No fundo, Isadora queria que ele morresse nas mãos de Alice.
Mas ela ainda queria usar o incidente para fazer Bernardo ver a "verdadeira face" cruel de Alice.
— Viu, Bernardo? Essa mulher é cruel demais, usa métodos tão baixos e covardes para torturar as pessoas. É aterrorizante.
Bernardo parecia pensativo.
Alice já estava irritada de olhar para aquele casal.
Ela trocou por água gelada e despejou tudo na cabeça de Jorge Jr.
Ele gritou, implorou e finalmente desmaiou.
— Inútil. — Alice deu um chute nele e sentou-se novamente.
Leo começou outra partida no celular, acalmando a Paola no jogo.
Bernardo finalmente se moveu.
Ele caminhou elegantemente até o lado de Alice; sua aura nobre e gélida dominava o ambiente.
Alice revirou os olhos: "Vai posar de gostoso agora?".
No segundo seguinte, o homem pegou o chá com leite dela e tomou um gole.
Ela arregalou os belos olhos:
Meu chá! Meu canudinho! Era tudo meu!