《O Beijo Amargo da Serpente: Minha Segunda Chance de Reinar》Capítulo 6

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Dante largou a tigela apressado: "Você se queimou?"

Pulei da cauda dele e comecei a analisá-lo de cima a baixo, tentando entender por que o efeito persistia.

"Não faz sentido... eu até melhorei a fórmula original, será que por isso ficou diferente do que dizia o livro?"

Dante envolveu meu pulso com a cauda e limpou minha mão com um lenço. "O que ficou diferente?"

Imersa em meus pensamentos, respondi sem pensar: "Depois de parar com as poções, você deveria ter voltado a me tratar com a frieza do início. Afinal, você só me ama por causa do remédio."

Assim que as palavras saíram, me arrependi.

Sem as poções, ele não me amava mais... será que ele me mataria agora?

Dante puxou minha mão novamente para que eu me sentasse em sua cauda e escondeu o rosto em meu ombro, rindo baixo.

"Clarice... você acha mesmo que aquele remédio não perdeu o efeito há anos? Ninguém usa a mesma substância por vinte anos sem criar anticorpos. Eu te amo porque eu realmente te amo."

Ele acariciou meu cabelo com um olhar terno: "Aquele livro de medicina velho que você lia... você nem o escondia direito, deixava em cima da mesa. Sinto por você, que teve que inventar aquela desculpa de segurar a ponta da minha cauda só para me 'drogar'."

Naquele momento, tudo ficou claro.

As poções haviam perdido o efeito há muito tempo, e Dante sabia de tudo, mas nunca me impediu. Lembrei-me de todos os anos em que mergulhei minhas mãos em ervas e... mesmo naqueles momentos íntimos, nunca esqueci de segurar a cauda dele, com medo de que ele acordasse e me matasse.

Furiosa, derrubei a tigela de remédio e saí batendo o pé. Atrás de mim, ouvia os gritos de Dante tentando me acalmar.

Meu filho já era o novo líder do clã, e meu marido era o transmorfo mais poderoso do mundo.

Eu me tornei a mulher de maior status na família.

Não precisava mais baixar a cabeça para ninguém nem tramar planos complexos.

Eu era a pessoa mais livre dos Silveira.

Mas, após vinte anos naquela mansão, eu queria me mudar.

Os anos estudando a biblioteca me deram uma paixão profunda pela medicina.

Despedi-me do marido e do filho chorosos e fui para o Brasil, estudar com os maiores especialistas em biotecnologia e medicina natural.

Antes de partir, meu pai, já idoso, veio me pedir favores para a família Xavier.

"Mas pai, a Soraia me maltratava desde pequena e o senhor nunca ficou do meu lado. Por que eu deveria ajudar a família agora? Ser parentes dos Silveira já lhes trouxe benefícios invisíveis suficientes."

Ele ficou tão bravo que seus bigodes tremiam, mas não ousava mais gritar comigo como fazia na infância.

Ao sair, resmungou: "Você é fria e sem coração, igual à sua falecida mãe!"

Fechei a porta e bebi calmamente uma taça de vinho caro, sorrindo.

Não, eu não sou fria.

Eu cheguei a pensar que, se Soraia me pedisse socorro, eu a ajudaria.

Mas ela escolheu esconder sua dor sob uma máscara de luxo, escolheu nunca se curvar a mim e escolheu tentar me matar para manter sua "glória".

Mais tarde, Dante resolveu os assuntos do clã e me seguiu.

Mas eu estava ocupada demais com minhas novas pesquisas para dar atenção a ele.

Depois, desenvolvi um sistema de medicina especializado para transmorfos e me tornei a médica mais famosa do mundo; a fila para consultas ia de um hemisfério ao outro.

Dante vive reclamando que passo pouco tempo com ele, mas não ousa exigir muito.

À noite, sob a luz de uma lamparina, reviso meus documentos enquanto ele, atrás de mim, me observa com um olhar melancólico e devoto.

A chuva cai suave na montanha, é mais um outono.

E eu terei muitos outros outonos assim, leves e tranquilos.

FIM

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