《O Beijo Amargo da Serpente: Minha Segunda Chance de Reinar》Capítulo 4

PUBLICIDADE

"Vovó, não fui eu. Foi Soraia quem trouxe o Zizi para o meu pátio!"

Dona Matilde tentou bater em Soraia, que se esquivou tremendo.

"Vovó, como pode acreditar nas mentiras da Clarice? Eu nem vi o Zizi!"

Mário estava presente. Um brilho de diversão passou por seus olhos estreitos e, naquele momento, compreendi quem realmente matara o animal.

Foi Mário. Ele adorava extrair alegria do sofrimento dos outros.

No final, tanto eu quanto Soraia fomos punidas.

Dona Matilde nos trancou em um quarto escuro, iluminado por apenas uma lâmpada, cheio de potes de vidro contendo cestas e mais cestas de cobras.

A expressão de Soraia relaxou, mas eu comecei a tremer até perder as forças nas pernas.

"Clarice, se você tem tanto medo de cobras, por que diabos se casou com um transmorfo?"

O olhar de Soraia era de puro desprezo.

Tentei controlar minha respiração e os batimentos acelerados do meu coração.

"No futuro, talvez você tenha mais medo de cobras do que eu."

Talvez pelo quarto abafado, Soraia não resistiu e dobrou as mangas.

Sob a luz fraca, vi as marcas em seu corpo: mordidas, marcas de chicote, queimaduras e cortes finos feitos por lâminas, ainda sangrando levemente.

Meu olhar silencioso a fez desmoronar. Ela baixou as mangas apressadamente.

"O que está olhando? São apenas fetiches de casal, uma virgem como você não entenderia o prazer disso!"

Forcei um sorriso cético.

Para me provar que seu marido era melhor, ela começou a tagarelar sobre o quanto Mário era bom para ela.

Pensei comigo mesma: essas duas serpentes são farinha do mesmo saco, não há o que defender.

Por fim, ela sorriu com superioridade.

"Maninha, não se importe se meu status na família parece menor que o seu agora. Cedo ou tarde, eu vou te superar."

Apenas girei o novo rosário de madeira preta em meu pulso e não respondi.

Ouviu-se o som da chave na fechadura e a voz suave de Mário veio lá de fora: "Soraia, você está bem? Vim te buscar."

Vi claramente o corpo de minha irmã tremer involuntariamente, mas, ao encontrar meu olhar, ela se forçou a relaxar e me lançou um sorriso arrogante.

"Parece que vou sair antes de você."

Dante não veio me buscar, então passei a noite inteira acompanhada pelo som dos sibilos.

Memórias dolorosas da vida passada vinham à tona e eu estava ensopada de suor frio.

Toquei trêmula no rosário em meu pulso, repetindo para mim mesma que aqueles dias nunca mais voltariam.

Ao amanhecer, a porta se abriu e eu fui finalmente libertada.

Ao retornar para o meu quarto, vi Dante transformando-se de cobra em humano com naturalidade, vestindo seu terno para sair.

Ele não perguntou onde eu estive, nem por que eu estava coberta de suor.

Ele estava com pressa; olhar para mim era perda de tempo.

Mas eu já havia aplicado a poção na ponta de sua cauda três vezes.

PUBLICIDADE

Ergui minha mão, e o aroma profundo da madeira preta flutuou até o nariz dele.

Perguntei: "Faz tempo que não como bolo de baunilha. Você poderia comprar um pedaço para mim ao sair do trabalho?"

Dante ia recusar com um franzir de testa, mas algo em seu cérebro pareceu dar um curto-circuito e ele acabou assentindo.

À noite, após descansar o dia todo, finalmente comi o doce bolo de baunilha.

Com o sabor macio na boca, sorri satisfeita.

Meu plano finalmente poderia avançar mais rápido.

 

7

Três anos se passaram num piscar de olhos.

Com o uso do rosário de madeira e as poções medicinais, assumi gradualmente o controle do coração de Dante.

Hoje, ele se preocupa com meus sentimentos e zela pelo meu bem-estar; não há diferença entre o que ele sente e um amor verdadeiro.

Todos veem minha dedicação e "paixão", por isso, embora achem surpreendente, acreditam que é natural que Dante tenha se apaixonado por mim com a convivência.

Já Soraia não tem uma vida tão alegre e livre quanto a minha.

Seu corpo está cada vez mais frágil e, nos banquetes da família, nem a maquiagem consegue esconder seu rosto exausto.

Mário continua o mesmo de três anos atrás, agindo de forma extremamente possessiva e carinhosa em público.

Porém, basta ele tocar em Soraia para que ela comece a tremer involuntariamente.

O antigo líder do clã morreu de forma "acidental", assim como na vida passada, durante o grande festival de caça organizado pelas dez famílias de transmorfos.

Dante e Mário duelaram seguindo as leis ancestrais; Dante derrotou Mário com facilidade e tornou-se oficialmente o novo líder dos Silveira.

Mário retirou-se do local com indiferença, arrastando Soraia, que assistia à luta.

Ela tentou resistir, mas Mário, com o rosto sombrio, agarrou seus pulsos e a levou à força.

Após esse duelo, Mário abandonou qualquer disfarce na mansão.

Às vezes, era possível ouvir os gritos de Soraia vindos de seus aposentos durante a noite inteira.

Dante, em sua forma meio-humana e meio-serpente, abraçou-me, deixando-me sentada sobre sua cauda.

Ele cheirava obsessivamente o aroma medicinal em meu corpo e perguntou: "Clarice, seu perfume natural está cada vez mais forte. Realmente dá vontade de te levar comigo para o trabalho todos os dias."

Sim, embora eu tenha mudado a atitude emocional dele, não consegui mudar sua essência viciada em trabalho.

Sorri, afastando a cabeça dele. "Ir todos os dias? Minha resistência física não chega nem aos pés da sua."

Dante suspirou com pesar e usou a ponta da cauda para desviar minha roupa.

"Então, amanhã haverá um jantar de negócios. Você poderia me acompanhar, por favor?"

A cauda fria encostou na minha lombar aquecida, enviando um leve formigamento que subiu pelo meu cérebro, deixando-me entorpecida.

Ao longo de três anos, usando aquela fórmula antiga, treinei essa grande cobra negra de forma progressiva; ele sabia exatamente onde eu sentia mais prazer.

PUBLICIDADE

Dei um tapa forte em sua cauda.

"Ainda nem escureceu, o que você está querendo?"

Dante apoiou a cabeça no meu ombro e suspirou melancólico: "Ai, o sol demora tanto para se pôr!"

Beijei sua testa como recompensa.

"Já tomou seu tônico hoje?"

Ao mencionar isso, os pensamentos impuros de Dante deram lugar à lucidez.

"Clarice, se não fosse por você, eu nem saberia que a biblioteca da família escondia algo tão precioso. Uma tigela desse remédio é mais eficaz do que um mês inteiro de cultivo isolado."

Ergui as sobrancelhas.

"Eu apenas leio aqueles livros para passar o tempo. Que bom que está sendo útil para você!"

Escondi o rosto em seu peito, aparentando timidez por causa do elogio.

Na verdade, eu estava sorrindo.

Dante nunca saberia o efeito colateral desse remédio: ele troca longevidade por poder de cultivo.

No dia seguinte, vesti-me luxuosamente e desci a montanha com Dante para o banquete.

Lá, os arrogantes transmorfos falcão, assim como na vida passada, cobiçaram a mulher ao lado de Dante.

Eles ofereceram um benefício após o outro, coisas que Dante mais precisava no momento.

Senti os dedos dele em minha cintura se apertarem levemente. No instante em que Dante estava prestes a aceitar o acordo, ergui discretamente minha mão.

O aroma do rosário invadiu suas narinas, e vi o movimento de seus lábios mudar subitamente.

Ele disse: "Deixa para lá."

No caminho de volta, pensei se deveria aumentar a dose das duas substâncias.

Achei que ele recusaria de imediato hoje, mas ele hesitou.

Parece que a dosagem ainda não é suficiente; a importância que ele dá aos interesses do clã supera minha imaginação.

À noite, Soraia finalmente foi liberada por Mário para o jantar familiar.

Ao me ver intacta no banquete, os olhos dela, grandes devido à magreza, arregalaram-se como sinos.

Ela se sentou à mesa, atordoada. "Como? Hoje você deveria ter sido..."

Lancei-lhe um sorriso suave, aceitando com naturalidade que Dante me desse comida na boca.

Agora, todos na Mansão Silveira sabiam do favoritismo de Dante por mim e da tortura que Mário impunha a Soraia.

Mas, como nem eu nem Dante intervínhamos, os parentes fingiam que não viam nada.

Soraia não parecia feliz, mas eu comi até ficar satisfeita.

Na verdade, ela e Mário combinam muito.

O olhar que Mário lança a Dante é idêntico ao olhar que Soraia lança a mim.

Antes de ser levada por Mário, Soraia apontou para mim com seus dedos magros como gravetos: "Clarice, não pense que já me superou! Até o fim, ainda não se sabe quem será o vencedor!"

Apenas dei de ombros.

Espere, minha irmã, continue esperando!

É preciso ter essa pontinha de esperança para que você aguente firme nas mãos de Mário por mais tempo.

8

Mais um ano se passou.

Uma tempestade caiu sobre a montanha, com raios e trovões, e a mansão dos Silveira foi atingida.

A propriedade era imensa, mas apenas a casa de Mário foi partida ao meio por um raio. E a única pessoa atingida foi ele.

Mário não morreu. Como na vida passada, ele usou a energia do raio para fortalecer seu corpo e despertar seu talento latente pela segunda vez.

Sob a chuva torrencial, Soraia não foi ajudá-lo; em vez disso, lançou-me um sorriso de vitória quando cheguei ao local.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia